Preço da gasolina e crise hídrica afetam varejistas e ações acumulam forte queda na semana

Segundo levantamento da Forbes, que analisou o desempenho de 22 varejistas listadas na Bolsa brasileira nos últimos quatro dias, o setor registrou recuo médio de 5,30% .

Artur Nicoceli
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REUTERS/Paulo Whitaker
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De acordo com o último levantamento do PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), as vendas nas varejistas caíram 1,7% em junho, na comparação com o mês anterior

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Com o preço da gasolina ultrapassando a marca dos R$ 6,00 e a conta de luz permanecendo em setembro na bandeira vermelha, com o decreto da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aumentando a tarifa de R$ 9,49 para R$ 14,20, o mercado começa enxergar gargalos nas operações das varejistas. Esse cenário afetou negativamente o desempenho das ações do setor nesta semana.

De 30 de agosto a 2 de setembro, os papéis da Via; ex-Via Varejo (VIIA3) caíram 11,93%, enquanto os ativos do Enjoei (ENJU3) recuaram 11,92%; as ações das companhias abriram a sessão de hoje (3) a R$ 9,61 e R$ 5,97, respectivamente.

Segundo levantamento da Forbes, que analisou o desempenho de 22 varejistas listados na Bolsa brasileira nos últimos quatro dias, o setor caiu 5,30%. Os ativos da Lojas Renner (LREN3) caíram 4,02% entre 30 de agosto a 2 de setembro, e os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) declinaram 4,91%, no mesmo período. Hoje (3), às 10h05, horário de Brasília, os ativos estavam a R$ 36,62 e R$ 18,24, respectivamente.

Helder Wakabayashi, especialista de investimentos da Toro, afirma que as fortes quedas são reforçadas (também) pela alta da taxa básica de juros, atualmente 5,25%, que afeta a disponibilidade de crédito. “Além do aumento do preço dos produtos, que faz com que o consumo diminua”, diz.

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Outro grande problema para Wakabayashi é a crise hídrica, que afeta a formação de preços do varejo. “Os estabelecimentos precisam de energia para ficarem abertos, ou seja, a alta no gasto para manter as portas abertas é reverberado no preço dos produtos”, destaca. “Além da própria gasolina que resultou no aumento do preço do frete, pois, a logística fica mais cara”, comenta o especialista.

De acordo com o último levantamento do PMC (Pesquisa Mensal de Comércio), as vendas nas varejistas caíram 1,7% em junho, na comparação com maio, após registrar alta em dois meses seguidos. Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recuou 0,1% no segundo trimestre, em relação ao anterior, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última quarta-feira (1º), a inflação de julho foi de 0,96% e o acumulado de 12 meses bateu 8,99%.

Bruno Madruga, sócio e head de renda variável da Monte Bravo, aponta outros dois fatores para os papéis da Marisa (AMAR3) e da IMC (MEAL3) terem acumulado uma baixa de 10% nesses últimos quatro dias. “O primeiro é o desemprego no Brasil, que apesar de ter recuado para 14,1%, [ou 14,4 milhões de brasileiros], ainda é um número alto e afeta o consumo nacional”.

“E o segundo são os juros futuros que subiram forte e empresas de setores como tecnologia e e-commerce acabam sofrendo um pouco”,diz. Após o pregão regular de ontem (2), o DI (Depósito Interfinanceiro) para 2025 subiu de 9,63% para 9,78%, e de janeiro de 2027 cresceu de 10,02% para 10,20%.

Os ativos da Marisa abriram a sessão de hoje (3), a R$ 6,25, e da IMC a R$ 3,42.

Mas os empecilhos estão longe de acabar. O mercado continua ansioso até 10 de setembro, quando as vendas de varejo de julho serão divulgadas. O setor segue atento aos casos nacionais relacionados à variante Delta, que também podem impactar às vendas das varejistas.“E as datas festivas tão aguardadas como Black Friday e Natal podem acabar não trazendo tanto retorno quanto o esperado”, afirma Wakabayashi, da Toro.

No ano passado, segundo o Ebit|Nielsen, a Black Friday movimentou R$ 3,1 bilhões, apenas em 27 de novembro, montante 24,8% maior que o registrado em 2019. Já no Natal, apontou o Serasa, o varejo teve o pior resultado desde 2003. Segundo a instituição, as vendas caíram 10,3% em relação ao ano anterior.

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