Rivian planeja IPO de US$ 80 bilhões e disputa com Tesla por mercado de veículos elétricos

Se valor de avaliação se confirmar, a Rivian se tornará uma das cinco montadoras mais valiosas do mundo.

Kevin Dowd
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Rivian
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A fabricante de veículos elétricos espera estrear em novembro na Bolsa de Nova York

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Este já foi o ano mais movimentado para IPOs nos EUA desde o boom das pontocom, com empresas como Robinhood, Coinbase e Didi Global liderando uma corrida frenética aos mercados públicos que gerou quase US$ 100 bilhões em receitas totais. Mas a maior estreia de 2021 ainda está por vir.

A Rivian anunciou na última sexta-feira (27) que registrou um pedido sigiloso de IPO – segundo a Bloomberg, a fabricante de SUVs e picapes elétricas espera estrear na Bolsa no final de novembro, e busca uma avaliação de cerca de US$ 80 bilhões. Se a capitalização de mercado inicial atingir esse nível, a Rivian se tornará uma das cinco montadoras mais valiosas do mundo, deixando gigantes da indústria como Ford, Honda e General Motors comendo sua poeira ecologicamente correta.

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Vá para o topo da lista e você encontrará o nome que, mais do que qualquer outro, parece ser o maior rival da Rivian: Tesla. No momento em que escrevo este texto, a empresa de Elon Musk tinha uma capitalização de mercado de cerca de US$ 705 bilhões – mais do que o dobro dos US$ 283 bilhões da Toyota, a empresa de automóveis mais valiosa do mundo.

Chegar ao nível de Tesla será difícil. Mas se há alguma chance de sucesso para uma das dezenas de empresas ao redor do mundo que têm levantado bilhões de dólares em financiamento nos últimos anos em uma tentativa de levar os veículos elétricos às massas, a Rivian pode ser a melhor aposta.

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Uma razão para isso são as enormes reservas de capital que Rivian e seu CEO, RJ Scaringe, têm à disposição. Desde o início de 2019, a empresa com sede em Irvine, na Califórnia, arrecadou cerca de US$ 10,5 bilhões em sete rodadas de financiamento discretas, de acordo com a PitchBook. Essa é uma taxa de arrecadação de fundos recorde para qualquer startup do planeta nesse período. Em janeiro deste ano, uma dessas rodadas multibilionárias empurrou a avaliação de mercado da Rivian para US$ 27,6 bilhões.

Os bolsos excepcionalmente cheios da Rivian a diferenciam da concorrência, até mesmo de rivais da China, como a Nio e a Li Auto.

Outra razão pela qual a Rivian pode se destacar na multidão de fabricantes de veículos elétricos é quem está por trás de todo esse dinheiro. A Amazon é um apoiador de longa data, bem como um dos primeiros clientes: em 2019, a companhia fez um pedido para comprar 100 mil vans elétricas de entregas da Rivian. Ford, Cox Automotive, T. Rowe Price, Fidelity e BlackRock também estão entre os investidores. Grandes empresas automotivas, gigantes de Wall Street e uma das maiores empresas do mundo têm interesse (financeiro) no sucesso da Rivian.

Isso não garante nada, é claro. Mas você provavelmente prefere ter a Amazon ao seu lado do que ninguém – principalmente se o objetivo final é rivalizar com a Tesla. Como meu colega Alan Ohnsman escreve, a competição imediata entre Rivian e Tesla acontecerá no reino das picapes elétricas, onde o modelo R1T irá competir com o Cybertruck de Elon Musk. O veículo da Rivian é basicamente uma picape tradicional que funciona com bateria – embora seu estofamento seja de couro ecológico e ela custe US$ 67.500. O modelo está em nítido contraste com o da Tesla, que parece ter sido inspirado pelo filme “Blade Runner” e pelo personagem Porygon, do desenho Pokemón.
A Rivian também planeja oferecer um SUV elétrico, chamado R1S. Sua produção inicial está planejada para começar nos próximos meses, junto com a do R1T; o volume de fabricação está programado para aumentar em 2022.

Até lá a Rivian já terá suas ações negociadas na Bolsa? Isso ainda não é certo. Vimos várias empresas adiarem ofertas públicas nas últimas semanas devido às condições do mercado, reforçando a percepção de que a temporada de ouro dos IPOs deste ano esteja chegando ao fim. A Rivian também pode sofrer atrasos por causa da escassez de chips e outros problemas da cadeia de suprimentos que têm prejudicado montadoras em todo o mundo desde o início da pandemia. No mês passado, a escassez de peças forçou a companhia a adiar o início de sua produção de picapes.

Por enquanto, pelo menos, a Rivian e Scaringe estão se preparando para uma oferta pública que pode servir como linha de partida para um confronto aberto pela supremacia dos veículos elétricos contra a Tesla e Musk. Cavalheiros, liguem seus motores.

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