Dólar supera R$ 5,70, e Ibovespa abre sessão em queda após quinta-feira tensa

Índice cai a 106 mil pontos, pressionado por questões fiscais.

Iasmin Paiva
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O Ibovespa opera em queda no início do pregão de hoje (22), e perde 1,07%, a 106.587 pontos perto das 10h10, horário de Brasília. O índice fechou no menor nível dos últimos 11 meses na véspera, a 107.735, pressionado por decisões fiscais de Brasília, que provocaram confusões entre diferentes esferas do poder público. No exterior, enquanto isso, os balanços corporativos seguem no radar dos investidores globais, assim como o caso Evergrande.

A comissão especial responsável pela PEC dos precatórios votou o texto na noite de ontem, que segue agora para o plenário da Câmara. O parecer propõe mudança na janela de correção do teto de gastos pelo IPCA, em alteração que abrirá, se aprovada, um espaço para novos gastos de R$ 83 bilhões no Orçamento do ano que vem.

A proposta é considerada fundamental para a criação do Auxílio Brasil, a solução prometida pelo presidente Jair Bolsonaro de aumentar o Bolsa Família para um mínimo de R$ 400 veio.

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Em meio a essas decisões, o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, pediram exoneração de seus cargos ao ministro da Economia, informou a assessoria de imprensa do Ministério da Economia ontem (21). Segundo a pasta, a decisão de ambos os secretários foi “de ordem pessoal”.

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“Mais do que a própria nota do Ministério da Economia possa ter afirmando, que o mesmo deixou o cargo por motivos pessoais, o secretário poderia ser indiciado criminalmente conforme a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) caso as pretensões expansionistas do governo fossem efetivadas a qualquer custo”, afirma Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Além disso, em meio ao retorno de ameaças de greve de caminhoneiros em razão da alta dos combustíveis, o presidente Jair Bolsonaro anunciou na quinta-feira que o governo vai oferecer a cerca de 750 mil caminhoneiros autônomos uma ajuda para compensar o aumento do preço do diesel.

Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, avalia que já se colocam outras propostas de subsídio em discussão, para distribuidoras, para energia elétrica, para outros setores do país, em uma tentativa de maquiar os preços que estão praticamente descontrolados com a pressão do dólar e da inflação. “A gente vê uma desancoragem fiscal importante, o cenário é ruim e piora com a saída dos Secretários.”

O mercado de câmbio voltou a atuar sob pressão, com os investidores precificando os riscos maiores de abandono da responsabilidade fiscal com o furo do teto de gastos pelo governo brasileiro, provocando uma alta no dólar. A moeda superou a marca de R$ 5,70. Às 10h10, avançava 0,65%, a R$ 5,7020.

Os futuros das Bolsas norte-americanas apontam para abertura perto da estabilidade, em dia de agenda econômica esvaziada, mas dando continuidade ao calendário de balanços financeiros das companhias do país.

Os mercados acionários da Ásia fecharam sem direção definida, após reportagens informarem que a incorporadora Evergrande irá pagar até amanhã (23) as dívidas expiradas em 23 de setembro. As ações do grupo subiram 4,26% na Bolsa de Hong Kong.

O índice Shanghai, da China, caiu 0,34%; o BSE Sensex, de Mumbai, fechou o dia em baixa de 0,17%; no Japão, o índice Nikkei avançou 0,34%; e o Hang Seng, de Hong Kong, valorizou 0,42%.

Enquanto isso, na Europa, o dia é marcado por Bolsas em alta, influenciadas pelas notícias positivas da China e dados econômicos e corporativos. Por outro lado, a leitura inicial do PMI (índice de gerentes de compras) de outubro para a zona do euro, que engloba serviços e manufatura, atingiu uma baixa de seis meses de 54,3, ante 56,2 em setembro, com a alta dos preços pesando sobre as empresas.

O Stoxx 600 sobe 0,74%; na Alemanha, o DAX avança 0,83%; enquanto o CAC 40 valoriza 0,94% na França; na Itália, o FTSE MIB é negociado em alta de 0,39%; e o FTSE 100 sobe 0,57%, no Reino Unido.

Os contratos futuros dos produtos ferrosos na China despencaram nesta sexta-feira, conforme Pequim intensifica os esforços para controlar a alta dos preços do carvão. O contrato de carvão metalúrgico mais negociado na Bolsa de Commodity de Dalian, para entrega em janeiro, fechou em queda de 11,1%, a 2.875 iuanes (US$ 449,80) por tonelada. Já os futuros do minério de ferro de referência caíram 1,5%, para 690 iuanes por tonelada.

Os preços do petróleo operam em alta nesta sexta-feira, com o contínuo aperto na oferta dos EUA, mas se dirigem a estabilidade, uma vez que os preços do carvão e do gás diminuíram, reduzindo a troca de combustível que alimentou a demanda por produtos petrolíferos. Por volta das 9h55, o petróleo bruto Brent subia 0,70%, para US$ 85,20 o barril, enquanto o WTI avançava 0,81% para US$ 83,17. (com Reuters)

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