Ibovespa abre em queda; mercado repercute Pandora Papers

O dólar avança ante o real em dia de preocupações fiscais no exterior.

Iasmin Paiva
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O Ibovespa opera em queda no início do pregão de hoje (4), com recuo de 1,08% aos 111.681 pontos perto das 10h15 no horário de Brasília. Em pauta no mercado doméstico, além do Boletim Focus e as discussões fiscais em Brasília, está o Pandora Papers, que noticia a suposta ligação de líderes e autoridades de todo o mundo a riquezas acumuladas em paraísos fiscais, como o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Em nota, o Ministério da Economia disse que toda a atuação e Guedes no setor privado antes de assumir a pasta foi declarada à Receita Federal, à Comissão de Ética Pública e aos demais órgãos competentes. “Sua atuação sempre respeitou a legislação aplicável e se pautou pela ética e pela responsabilidade”, disse o ministério em nota à imprensa.

“Desde que assumiu o cargo de ministro da Economia, Paulo Guedes se desvinculou de toda a sua atuação no mercado privado, nos termos exigidos pela Comissão de Ética Pública, respeitando integralmente a legislação aplicada aos servidores públicos e ocupantes de cargos em comissão.”

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Campos Neto, por sua vez, disse em nota distribuída pela assessoria de imprensa do Banco Central que as empresas apontadas na investigação jornalística foram constituídas há mais de 14 anos e que o patrimônio foi declarado à Receita, à Comissão de Ética Pública e ao BC com recolhimento da tributação devida.

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“Não houve nenhuma remessa de recursos às empresas após minha nomeação para função pública. Desde então, por questões de compliance, não participo da gestão ou faço investimentos com recursos das empresas. Por exigência legal, todas essas informações foram prestadas também ao Senado Federal”, disse Campos Neto.

Focus e orçamento

Na agenda do dia, o Boletim Focus, do Banco Central, apontou que a expectativa para a alta do IPCA agora é de 8,51%, contra 8,45% na semana anterior, na 26ª elevação seguida da projeção. O resultado, se confirmado, ficará bem acima da meta para a inflação este ano, de 3,75% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Para o PIB (Produto Interno Bruto), as estimativas de crescimento seguiram em 5,04% e 1,57%, respectivamente, para 2021 e 2022. As contas para a taxa básica de juros também não sofreram alterações, seguindo em 8,25% ao final deste ano e em 8,50% no fim do próximo. Da mesma forma, a estimativa para o dólar foi mantida, a R$ 5,20 ao fim deste ano.

Em Brasília, o foco do debate segue no Orçamento para o próximo ano, vistas as dificuldades para se aprovar a Reforma do Imposto de Renda e a PEC dos Precatórios nas duas Casas Legislativas até o fim do ano.

Dólar

O dólar avança ante o real nesta segunda-feira, refletindo o clima de cautela nos mercados globais em meio a temores sobre a inflação e o crescimento, enquanto incertezas fiscais domésticas continuam em foco. Às 10h15, a moeda era negociada em alta de 0,36%, a R$ 5,3878.

Mercado externo

Nos mercados globais, a atenção está direcionada para as perspectivas de crescimento dos Estados Unidos e a continuação do caso Evergrande.

Os futuros norte-americanos apontam para uma abertura sem direção definida, ainda em meio a preocupações quanto ao teto de gastos do país. Ao mesmo tempo, a agenda econômica de Biden segue no radar.

Pablo Spyer, economista-sócio da XP Investimentos, explica que as Bolsas apontam para queda com receios em relação a uma nova crise sino-americana e de estagflação – com o avanço da inflação e a perspectiva de alta nos juros, a economia fica parada. “A chefe do comércio internacional dos EUA, Katherine Tai, vai alertar os chineses que eles não cumpriram com a fase 1 do acordo, firmado entre as duas partes em janeiro de 2020.”

As Bolsas europeias operam sem direção definida, com investidores atentos às decisões econômicas nos EUA e na China. O mercado também considera nas suas análises do dia a queda do índice da Sentix para a zona do euro, que mede o sentimento dos investidores na região, para 16,9 em outubro, ante 19,6 no mês anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters era de leitura de 18,6 neste mês.

O Stoxx 600 cai 0,03%; na Alemanha, o DAX recua 0,12%; o CAC 40 desvaloriza 0,01% na França; na Itália, o FTSE MIB é negociado em alta de 0,04%; enquanto no Reino Unido, o FTSE 100 avança 0,14%.

Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em queda, com o feriado na China reduzindo a liquidez na região, enquanto os investidores seguem atentos ao caso Evergrande. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 2,19%; o BSE Sensex, de Mumbai, fechou em alta de 0,91%; enquanto no Japão, o índice Nikkei desvalorizou 1,13%.

Pietra Guerra, especialista em ações da Clear Corretora, conta que a queda no índice de Hong Kong se deve mais uma vez ao caso Evergrande e às preocupações envolvendo a empresa. “As negociações de ações da companhia foram suspensas, já que há uma transação importante [em andamento]. A Evergrande pode chegar a vender mais de 50% de uma participação de uma holding para fazer frente às dívidas de curto prazo.”

O grupo Opep+ se reúne nesta segunda-feira para debater qual deve ser a produção de petróleo, reduzida desde que as interrupções no fornecimento e a recuperação da demanda após a pandemia da Covid-19 elevarem o preço para mais de US$ 80 o barril. A organização concordou em julho em elevar a produção em 400 mil barris por dia até pelo menos abril de 2022 para repor gradualmente 5,8 milhões de barris diários cortados.

Quatro fontes da Opep+ disseram à agência Reuters que os países produtores consideravam aumentar a produção mais do que previa o acordo, mas nenhuma delas deu detalhes sobre quanto mais ou quando a oferta seria elevada. Por volta das 10h, os futuros do petróleo Brent subiam 1,70%, a US$ 80,65 o barril, enquanto o WTI avançava 1,40%, a US$ 76,94. (com Reuters)

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