Ibovespa fecha em queda após primeiro pregão depois de alta da Selic

Aumento da taxa de juros foi visto por analistas como insuficiente diante dos persistentes riscos fiscais e inflacionários.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou hoje (28) em queda de 0,62%, a 105.704 pontos, no primeiro pregão após o aumento de 1,5 ponto percentual da taxa Selic, que chegou ao patamar de 7,75% ao ano. O dia foi marcado por forte volatilidade, com o índice virando para o campo negativo nas horas finais da sessão.

Preocupações com inflação e o cenário fiscal, principalmente relacionadas à PEC (proposta de emenda constitucional) dos Precatórios, seguem ditando os rumos do mercado. A votação do projeto que contorna o teto de gastos para acomodar o programa Auxílio Brasil foi adiada novamente nesta quinta, após o governo não conseguir articular os votos necessários para sua aprovação. Rumores de que o Planalto planejava recorrer a um novo decreto de calamidade pública para custear uma prorrogação do Auxílio Emergencial, caso a PEC não fosse aprovada, foram desmentidos pelo Ministério da Economia.

O Índice Geral de Preços (IGP-M) de outubro, divulgado hoje, mostrou aumento de 0,64%, ante 0,17% esperados pelos economistas consultados pela Reuters. O indicador de inflação é utilizado em grande parte dos contratos de locação celebrados no país e acumula alta de 21,73% em 12 meses.

As ações da Ambev (ABEV3) e BRF (BRFS3) foram destaques positivos nesta quinta, fechando em altas de 9,72% e 6,56%, respectivamente. A companhia de bebidas registrou forte crescimento de receitas em seu balanço do terceiro trimestre, divulgado hoje, e chegou a subir mais de 11% neste pregão. A BRF, por sua vez, se valorizou em meio a especulações sobre potencial operação de fusão ou aquisição envolvendo a Marfrig – o Bradesco BBI elevou a recomendação da ação para “outperform”.

O Ibovespa renovou a mínima em cerca de 11 meses e caminha para fechar a semana com performance negativa e engatar a quarta perda mensal seguida. Até o momento, a perda semanal é de 0,43% e o declínio em outubro alcança 4,63%. Em 2021, a queda chega a 11%.

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Em Wall Street, o dia foi de ganhos sustentados pelos resultados dos balanços corporativos. O Dow Jones subiu 0,68%, a 35.730 pontos; o S&P 500 avançou 0,98%, a 4.596 pontos, e o Nasdaq cresceu 1,39%, a 15.448 pontos. Segundo o Wall Street Journal, dados da FactSet indicam que 82% das companhias do S&P 500 que já divulgaram seus números do terceiro trimestre superaram as expectativas dos analistas. O mercado aguarda a divulgação, após o fechamento, dos balanços da Amazon e da Apple.

Apesar do aumento da taxa básica de juros, o dólar manteve sua trajetória de valorização e fechou em alta de 1,25%, a R$ 5,6248 na venda. Analistas apontam que o reajuste da Selic foi visto como insuficiente diante dos persistentes riscos fiscais e inflacionários do Brasil.

“O movimento de hoje é uma reação à continuidade de medo fiscal que temos visto nos últimos dias”, diz Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, citando o adiamento da votação da PEC dos Precatórios, o resultado do IGP-M e as especulações sobre a prorrogação do Auxílio Emergencial como fatores que preocupam os investidores. (Com Reuters)

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