Inter de Milão quer atingir marca de 300 escolas de futebol no Brasil para atrair talentos e conquistar fãs

Inter Academy Brazil faz do país a bola da vez; já conta com 38 unidades em funcionamento e outras 32 sendo finalizadas para inauguração.

Beatriz Calais
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Atualmente, a Inter Academy Brazil conta com 2.800 alunos em atividade

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Em maio de 2021, os torcedores da Inter de Milão puderam gritar “campeão” pela 19ª vez na história do Campeonato Italiano. Em volta da Piazza del Duomo, em Milão, os fanáticos pelo time criaram um verdadeiro evento azul e branco no local. Embora esse cenário seja empolgante para a equipe italiana, a ambição para os próximos anos é conquistar uma comemoração global.

O meio para atingir o objetivo é a expansão das suas escolas de futebol pelo mundo. O clube já tem unidades em 28 países, com o método de ensino Internazionale. E o Brasil é o carro-chefe da vez. A Inter Academy Brazil chegou ao mercado brasileiro há um ano e oito meses e conta com 38 escolas instaladas e outras 32 em fase de acabamento em 13 estados. Para o fim de 2022, a meta é mais do que triplicar esse número, alcançando a marca de 300 unidades no país.

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Administrada pela It Sports – empresa brasileira focada em gestão esportiva – a Inter Academy Brazil conta com uma gestão diferente das outras academias pelo mundo. É um misto de franquia e licença comercial. “Hoje, estamos à procura de empresários que queiram desenvolver o negócio em parceria conosco. Não cobramos taxa de franquia, apenas pedimos que eles tenham um investimento inicial de R$ 22 mil para alugar o espaço, equipar o local e fazer a gestão de marketing padronizada Inter de Milão”, afirma Marcelo Bernardo, diretor da Inter Academy Brazil.

“Licenciamos o know-how, nos certificamos de que o empresário siga o padrão da marca e cobramos nosso royalty a partir do percentual por aluno. De R$ 25 a R$ 32 por atleta. Corremos risco junto com ele. Se não tem nenhum aluno, não lucramos nada. Se tem 800, ganhamos em cima desse montante.” Para Bernardo, o modelo atrai empreendedores por conta de um investimento financeiro baixo. “Dependendo da região, uma academia com 140 alunos pode faturar de R$ 70 mil a R$ 150 mil. Em pouco tempo já é possível recuperar o capital investido”, diz.

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O diretor enxerga a Inter Academy Brazil como um negócio extremamente promissor para a fase do pós-pandemia, quando as crianças voltarem a sair de casa com mais segurança. “Nossa ideia é crescer a rede para depois implantar outras linhas de receita, como eventos, campeonatos e experiências em Milão. Mas, para isso, estamos avaliando cada candidato à licenciado com muito cuidado. Não adianta ter apenas o dinheiro para o investimento inicial. Queremos pessoas com capacidade para tocar a rede”, ressalta.

Com uma lista extensa de interessados, de profissionais de educação física a apaixonados por futebol, Bernardo entende a empolgação pelo negócio. “O esporte é um veículo transformador.”

“Nosso projeto é muito ambicioso, por isso precisamos de uma gestão organizada”, Bernardo. Segundo ele, a Internazionale fatura, por ano, cerca de € 380 milhões. A maior parte disso, por conta do futebol profissional. As escolas representam uma porcentagem minúscula desse valor, visto que o objetivo delas não é a receita, mas a base de torcedores para o futuro. O lucro dessa iniciativa é indireto.” Quanto maior a presença global, maior a capacidade comercial, diz.

Ao focar o público jovem, a intenção da empresa futebolística é fortalecer a imagem do time de forma gradativa. “Se você veste uma camisa da Inter de Milão em uma criança, com certeza ela vai lembrar de você no futuro. Isso é um cliente com uma perpetuidade maior. Quanto mais cedo o conquistarmos, mais longeva vai ser nossa relação com ele”, destaca o diretor. Mas essa não é a única estratégia da equipe no Brasil. Em pleno “país do futebol”, a busca por talentos também faz parte do processo.

De acordo com ele, o Brasil é responsável por 11% das transferências globais de atletas de futebol, o que representou US$ 7,1 bilhões nos últimos dez anos. “As escolas de futebol no Brasil são desorganizadas, mas mesmo assim somos grandes exportadores de talentos. Um mercado gigantesco.”

Futebol à milanesa

Atualmente, são 2.800 alunos em atividade, uma média de 80 por academia. Para o próximo ano, o objetivo é ampliar e muito esse número. “Tudo depende do tamanho do campo alugado pelo licenciado, mas temos alguns espaços com capacidade para 800 alunos”, conta Bernardo.

A estrutura e a localização da unidade são fatores determinantes para a definição da mensalidade. “Temos escolas em São Paulo e Manaus. Então os preços variam de acordo com a locação do espaço. Temos escolas que cobram R$ 140, enquanto outras cobram R$ 350.” Quanto à frequência do aluno na academia, todas seguem a mesma lógica: para os mais novos, aulas duas vezes por semana. Para jogadores mais velhos, o nível de frequência pode preencher os cinco dias da semana.

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Para que todos os passos do futebol sejam ensinados, a Inter Academy Brazil conta com um processo de formação para professores. É preciso fazer o treinamento e ser certificado pelo time italiano para poder lecionar na escola.

Segundo a empresa, o controle do padrão de ensino é feito por meio de um aplicativo para medir os resultados de cada aluno e a performance dos professores. “Se o aluno não está evoluindo, algo está errado, então precisamos intervir. A própria Inter tem acesso a esse mapeamento dos alunos. Ficamos de olho na formação para encontrar possíveis campeões”, diz o diretor.

Ele destaca a organização de campeonatos entre escolas para a observação dos talentos em campo. “Ainda estamos com um atraso por conta da pandemia, mas as academias da Inter sempre fizeram campeonatos. Daqui uns meses, nossas unidades do Brasil vão poder participar de competições nacionais, sul-americanas e até mundiais, com intercâmbio entre as academy’s ao redor do mundo.”

Os eventos serão direcionados de acordo com a idade e o nível de habilidade dos alunos. Com turmas divididas por idade, a escola atende alunos de cinco – na categoria pré-escolar – a 19 anos. “Um bom atleta precisa de habilidades motoras, e é isso que ensinamos para as crianças menores. Fazemos treinamentos com bexigas porque o tempo da bola é mais lento. É bem pedagógico. Um treinamento de base que vai fazer diferença no futuro”, aponta.


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