Investidores devem ter cautela para aproveitar os baixos preços das ações de construtoras, dizem especialistas

As ações das construtoras caíram cerca de 15% na última semana, puxadas pela piora no cenário macroeconômico e pelas projeções de alta da Selic. Analistas do mercado ouvidos pela Forbes indicam cautela na hora de investir no setor.

Vitória Fernandes
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Greg Pease/Getty Images
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Analistas destacam forte influência do cenário macroeconômico no desempenho das ações

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As ações das construtoras caíram cerca de 15% na última semana, puxadas pela piora no cenário macroeconômico e pelas projeções de alta da Selic. Analistas do mercado ouvidos pela Forbes indicam cautela na hora de investir no setor, mas também afirmam que os preços menores fazem algumas empresas serem boas apostas para o momento.

Em relatório enviado ao mercado, especialistas do Credit Suisse disseram que a queda dos papéis do setor não representa um bom ponto de entrada. O banco afirmou que, apesar de não acreditar em novas baixas, o momento pede precaução.

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“Muitos investidores argumentam que as ações de construção civil estão super descontadas e que este seria um bom ponto de entrada. Vemos mérito neste argumento, mas, embora as ações tenham caído 46% e 50% em relação a janeiro de 2021 e janeiro de 2020, respectivamente, ainda vemos [os preços] acima dos níveis do início de 2019”, escreveram os analistas Daniel Gasparete, Pedro Hajnal e Vanessa Quiroga.

Apesar de o trio considerar que o número de projetos cancelados este ano deve se manter baixo, o banco projeta que as avaliações para os papéis do setor se manterão fracas.

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Na visão dos analistas, as empresas voltadas para o público de média renda devem sofrer mais do que aquelas focadas nos consumidores de baixa renda, uma vez que o alto déficit habitacional e as taxas fixas de hipoteca tornam este mercado mais resiliente. “Além disso, é provável que as margens brutas [das companhias voltadas para a baixa renda] tenham atingido seu nível mínimo no 3º e 4º trimestre, enquanto as de renda média devem começar a se deteriorar no próximo ano”, afirmam.

Os analistas do Inter Research, por outro lado, veem o cenário oposto, no qual o setor dedicado a moradias mais baratas será mais prejudicado nos próximos meses com a queda nas vendas, enquanto os demais manterão um nível satisfatório de rentabilidade.

Romero Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos, vai na mesma direção. “O mercado neste momento prefere empresas localizadas em São Paulo, de média e alta renda, que são mais resilientes na crise. Esse segmento deve passar com mais facilidade pelo momento de maior cautela”, diz.

O Credit Suisse destacou duas empresas que estão sendo negociadas a múltiplos baixos: a Moura Dubeux (MDNE3) e a MRV (MRVE3), que estavam em alta de 2,14% e 2,50%, a R$ 5,72 e R$ 10,67, respectivamente, por volta das 14 horas desta quarta-feira (27). Já o Inter aposta nos papéis da Direcional (​​DIRR3), única companhia a relatar avanço nas vendas em sua prévia operacional. As ações da companhia também se movimentavam positivamente em 2,91% a R$ 10,24.

Para 2022, a perspectiva não é muito diferente. Flávio de Oliveira, head de renda variável da Zahl Investimentos, acredita que tudo vai depender do comportamento fiscal e do aumento da inflação. “Se o cenário se agravar com gastos fiscais, e não houver uma política mais responsável, as construtoras podem sofrer mais que os outros setores”, afirmou.

Confiança no setor

O Índice de Confiança da Construção (ICST), realizado pelo FGV IBRE, caiu 0,3 ponto para 96,1 pontos, de acordo com o relatório divulgado pela instituição na terça-feira (26).

A queda quebrou o sequência de cinco meses de alta do índice, que fechou, em médias móveis trimestrais, com estabilidade.

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