Ações e setores que podem ser oportunidades de compra com queda da Bolsa

O Ibovespa vem enfrentando recuos nas últimas semanas recuos, e papéis de estatais são negociados a menos de R$ 30,00.

Mariangela Castro
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Companhias cujo valor de mercado está abaixo do valor patrimonial podem ser uma opção de compra em momentos de turbulência

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Bolsa em queda pode ser o melhor momento de compra. Para analistas de mercado, a hora é ótima para realizar um investimento em renda variável e comprar ações a baixo custo. O Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) vem enfrentando nas últimas semanas recuos, e papéis de estatais, como os do Banco do Brasil (BBAS3) e da Petrobras (PETR4), são negociados a menos de R$ 30,00, o que pode ser considerado raro.

Para saber o que é de fato uma boa oportunidade, Flávio de Oliveira, especialista de renda variável da Zahl Investimentos, sugere que seja comparado o valor patrimonial da empresa (presente no balanço divulgado aos acionistas) com seu valor de mercado (o quanto a empresa custa se somadas todas as ações).

Companhias cujo valor de mercado está abaixo do valor patrimonial podem ser uma opção de compra em momentos de turbulência. “As ações do Banco do Brasil, por exemplo, estão sendo negociadas a 67% do valor de patrimônio. E o normal é que sejam negociadas muito acima”, afirma Oliveira.

Os papéis do banco também são apontados por Elidio Almeida, especialista da Valor Investimentos. No pregão da última sexta-feira (29), as ações encerraram o dia cotadas a R$ 28,50 na B3. Desde o dia 1° de janeiro de 2021, a instituição financeira já acumula queda de 26,55%.

Em sua análise, Oliveira comenta que outras estatais também “estão baratas”, como a Petrobras (PETR4) e a Eletrobras (ELET6). “Pela proximidade do ano eleitoral, o mercado tem receio de que essas empresas sejam utilizadas para manobra [política]”, explica.

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No caso dos papéis da Petrobras, ele avalia que, ainda que o valor não esteja abaixo do patrimonial, está muito perto disso. “Em situações normais, as empresas negociam muito acima do valor”, afirma. “Agora as ações estão baixas pelo receio do mercado de interferência nos preços do barril de petróleo.”

Já sobre a Eletrobras, o especialista aponta que a empresa já está “praticamente privatizada e ainda é negociada com valor de estatal”. A Vale (VALE3) também faz parte da lista de oportunidades. Segundo Oliveira, a companhia “foi bastante castigada pela demanda chinesa”, mas seu preço no mercado de ações está mais baixo do que deveria.

Outra opção para aqueles que procuram por oportunidades de compra é analisar os setores da bolsa brasileira e os modelos de negócio representados. “Para as empresas que dependem de crédito para desempenhar seus negócios, esse novo valor [da Selic] pode atrapalhar muito”, diz, Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos.

O setor imobiliário, por exemplo, pode não ser a melhor opção de compra. Oliveira, da Zahl, afirma que “está tomando cuidado com ações de construtoras, por conta dos juros altos”.

Ainda assim, Almeida, da Valor, acredita que mesmo em setores mais afetados, há companhias que estão mais descontadas do que deveriam, como a Eztec (EZTC3) e a Cyrela (CYRE3), no segmento de construção civil. “Ao investir agora pode ser possível comprar ações muito baratas e que tendem a apresentar um melhor resultado operacional em comparação com outras empresas do setor”, diz.

Ao mesmo tempo, Cavalheiro, da Rio Verde, avalia que a alta da Selic talvez não atinja tanto empresas de tecnologia e commodities, que costumam ter mercado regulado. “O setor de energia também é pouco afetado negativamente pelo cenário de aumento de juros e inflação, assim como o segmento de concessões e logística, já que sofrem reajustes de preço.”

Mas o gestor aponta ainda que o segmento de bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, costuma ser dependente de crédito e, portanto, pode sofrer com as altas na taxa de juros.

O varejo também é citado pelos analistas com opções de compra interessantes nas principais ações. Oliveira, da Zahl, exemplifica os papéis da Via Varejo (VIIA3), Magazine Luiza (MGLU3) e Lojas Americanas (LAME4). “Foram empresas castigadas com juros altos, mas levando em conta que são grandes companhias e que tendem a se consolidar no mercado online, não vejo justificativa para terem caído tanto”, diz.

No caso do varejo, Almeida, da Valor, também recomenda o acompanhamento das empresas nos próximos meses. Para ele, quando os juros estiverem estáveis, pode ser um bom setor para compra. “Isso acontece porque, na próxima queda de juros, o varejo vai crescer bastante”, diz.

Além das ações de varejo, o especialista da Valor aponta as fintechs, como a XP Inc (XPBR31) e o Banco Inter (BIDI11). “São empresas com espaço para crescer no longo prazo”, avalia.

Vale ressaltar a importância da cautela ao investir. Mesmo que especialistas acreditem que ações estejam baratas, os papéis ainda podem sofrer grandes oscilações antes de se estabilizarem. “O melhor é não tomar riscos com os quais o investidor não esteja confortável, ou aumentar o grau de risco gradativamente”, aconselha Oliveira, da Zahl.

Cautela para escolher também é importante, ainda que o risco faça parte da estratégia do investidor. “Nem tudo que caiu deve ser comprado. Tem ações que estão baratas e outras que deveriam cair mesmo”, aponta Cavalheiro, da Rio Verde.

Almeida, da Valor Investimentos, recomenda que o investidor sempre repense o seu portfólio e não se mantenha com uma companhia em que não acredita mais. “Se o investidor perceber que a ação perdeu o fundamento ou que tem algo errado com a empresa, vale a pena se desfazer e procurar outra oportunidade”, diz. “Em três ou seis meses é importante o investidor voltar para sua carteira e pensar se as ações que ele tem são ações que ele compraria caso estivesse fazendo uma carteira do zero”.

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