Bitcoin bate novo recorde e supera US$ 69 mil após alta da inflação nos EUA

A cotação disparou 4% em apenas 45 minutos depois que o governo anunciou o maior avanço do indicador dos últimos 30 anos.

Jonathan Ponciano
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Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Investidores têm cada vez mais usado a criptomoeda como proteção contra a alta dos preços nos Estados Unidos

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O preço do bitcoin atingiu um novo recorde e compensou um dia de perdas em poucos minutos na manhã de hoje depois que o Bureau of Labor Statistics revelou que os preços ao consumidor nos Estados Unidos cresceram no ritmo mais rápido em mais de 30 anos no mês de outubro. Os temores inflacionários têm impulsionado a cotação das criptomoedas e levaram esses ativos a picos meteóricos durante a pandemia.

O bitcoin, a maior criptomoeda do mundo, chegou à máxima de US$ 69.044,00 (R$ 379.023,94) logo depois das 11h15 de Brasília, superando o recorde estabelecido ontem (9).

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A cotação disparou cerca de US$ 2.500, ou 4%, nos 45 minutos que seguiram a divulgação do relatório mensal do índice de preços ao consumidor do Departamento do Trabalho. O órgão informou alta de 6,2% em outubro em uma base anual, o maior avanço desde dezembro de 1990 e acima do que os economistas esperavam.

Em uma nota divulgada na segunda-feira (8), o analista do Bitbank Yuya Hasegawa disse que o resultado do indicador poderia despertar preocupações com os preços e alimentar outra disparada do bitcoin. Nas últimas semanas, a cotação da criptomoeda tem acompanhado o crescimento das expectativas inflacionárias.

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Agora com uma capitalização de mercado de US$ 1,3 trilhão, o bitcoin saltou cerca de 8% na semana passada e 346% em 2020, o que lhe dá uma participação de 42% no valor total do mercado de criptomoedas.

Durante a pandemia, muitos investidores – dos pequenos de varejo a gigantes institucionais – adotaram as criptomoedas como uma proteção contra a inflação de longo prazo, uma preocupação que veio à tona por causa dos gastos maciços do governo que ameaçam a força do dólar norte-americano.

“Essas medidas de emergência, como a impressão maciça de dinheiro, reduzem o valor de moedas tradicionais como o dólar”, disse Nigel Green, CEO da consultoria deVere Group, em nota recente.

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Apesar da valorização, a volatilidade inflexível das criptomoedas apenas se intensificou. Agora já recuperados, os preços começaram a cair em abril, quando a Tesla –um dos maiores investidores corporativos do bitcoin– revelou que vendeu uma grande parte de suas reservas e que não compraria mais ativos que a mineração de bitcoin passasse a consumir menos energia. Os mercados também enfrentaram dificuldades por causa da intensificação da repressão regulatória na China, em parte decorrente de preocupações ambientais como essa.

O valor de mercado combinado das criptomoedas do mundo, estimado em US$ 3,1 trilhões na quarta-feira, disparou cerca de 600% em 2020.

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