Como diversificar a carteira com investimentos em commodities

Entenda as melhores formas de aproveitar o boom das matérias-primas.

Vitória Fernandes
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Getty Images/Sarote Pruksachat
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Diversificar é o caminho para ter bons retornos na carteira?

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Se você já investe no mercado financeiro, sabe que para ter bons retornos em sua carteira é preciso apostar na diversificação dos ativos. O setor de commodities, um dos mais resilientes da economia brasileira, pode ser uma boa alternativa para diminuir os riscos do portfólio, afirmam especialistas ouvidos pela Forbes.

Para João Beck, economista e sócio da BRA, o momento que estamos vivendo é propício para investir nessas matérias-primas. “Existe um cenário macroeconômico de aceleração do PIB com alta inflação. Nele, investir em commodities é bom e por isso elas subiram tanto recentemente. Se você tiver qualquer combinação diferente dessa, provavelmente não verá essa alta tão forte”, diz ele.

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A visão de Bruno Madruga, head de renda Variável da Monte Bravo, é um pouco diferente. Para ele, é preciso ficar de olho nas tendências, pois mesmo em momentos em que não encontramos essa conjuntura, haverá alguma commodity interessante para investir. “No sentido de diversificar risco de investimento, o olhar para elas é extremamente importante”, afirmou.

Entre os motivos para o “boom” atual estão os desequilíbrios nas cadeias de produção global por causa da pandemia do coronavírus, que causam baixa na produção, mas não reduzem a procura, levando ao forte aumento dos preços.

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Como aproveitar este momento?

Existem algumas maneiras de investir nessas matérias-primas. A primeira, e talvez a mais comum para o investidor pessoa física, é escolher empresas listadas na B3 que têm como foco uma commodity ou mais.

Alguns exemplos que temos são os papéis da Vale (VALE3), Gerdau (GGBR4), Petrobras (PETR4), CSN (CSNA3), Suzano (SUZB3), Minerva (BEEF3), JBS (JBSS3), entre muitas outras.

Para Jennie Li, estrategista de ações da XP, apostar em empresas do setor pode ser uma forma de evitar as turbulências domésticas. “Empresas ligadas a commodities são exportadoras, estando mais expostas ao crescimento fora do Brasil e menos ao cenário macroeconômico delicado do Brasil. Essas companhias também têm uma parte da receita em dólar, o que é positivo com o momento de alta”, avalia.

Existem também maneiras de investir em empresas estrangeiras negociadas nas bolsas de Nova York. Algumas contam com BDR’s (Brazilian Depositary Receipt), um certificado de depósito emitido e negociado na Bolsa brasileira que representa as ações das empresas.

Além disso, é possível investir em fundos dedicados a uma commodity específica, tanto no Brasil, quanto no exterior, e diretamente nos contratos dos produtos, uma opção indicada apenas para investidores que acompanham e conhecem de perto o mercado.

Principais commodities do momento

Para João Beck, uma das commodities promissoras é o urânio. “Ele está em destaque por sua funcionalidade na geração de energia limpa, principalmente por meio da energia nuclear, sendo cada vez mais valorizado pela onda ESG”, afirma.

Na visão de Madruga e Jennie Li, o minério de ferro em forte queda é uma boa aposta. A commodity, que já chegou a valer US$ 220 em seu auge, agora está próxima dos US$ 90.

O petróleo também entra na lista dos mais cotados, ainda mais neste período de início do inverno no hemisfério norte. “A previsão é que a estação deve ser bem rigorosa por lá, o que nos faz acreditar que o consumo por petróleo, que serve para aquecer as casas e estabelecimentos, deve crescer ainda mais”, afirma Madruga.

As commodities agrícolas, com destaque para o café e a soja, vivem um bom momento por causa da alta do dólar, já que são negociadas na moeda estrangeira.

Por fim, é importante lembrar que todo investimento envolve um grau de risco e deve se adequar aos objetivos pessoais do investidor. Os três analistas alertam ainda que é necessário estar atento com as mudanças do setor, já que ele é muito cíclico.

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