"Family offices" de bilionários são donos de 4% do mercado de criptomoedas

Em média, os escritórios voltados para a gestão de grandes fortunas familiares investem 1% de seus portfólios nesse mercado.

Ollie A Williams
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Jasmin Merdan/Reuters
Jasmin Merdan/Reuters

Apesar do otimismo, 4% dos “family offices” afirmam que diminuirão sua exposição a criptomoedas no próximo ano

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Os “family offices”, como são chamadas as discretas empresas focadas na gestão de investimentos de famílias com grandes fortunas, estão obcecados com criptomoedas. Uma pesquisa da Campden Wealth mostra que um escritório médio tem 1% de seu portfólio investido nesses ativos. Considerando que eles administram, em média, US$ 1 bilhão em patrimônio familiar, isso significa que cada “family office” é dono de aproximadamente US$ 11 milhões em criptomoedas.

Em 2019, a Campden Wealth estimou que havia 7.300 escritórios dedicados à gestão dos investimentos de apenas uma família (há evidências de que esse número já aumentou). Se cada um deles possuísse US$ 11 milhões em criptomoedas, juntos eles seriam donos de US$ 80,3 bilhões nesses ativos.

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De acordo com o CoinMarketCap, em agosto deste ano havia US$ 1,9 trilhão investido em criptomoedas. Ou seja: os family offices são donos de aproximadamente 4,2% desse mercado.

Somente na América do Norte, cerca de um em cada três “family offices” investem em criptomoedas. Os bilionários norte-americanos que não possuem um escritório para gerir suas fortunas são exceção. Esse tipo de empresa foi inventado nos EUA pela família Rockefeller no século passado.

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Cada vez mais sofisticados, os “family offices” agora têm equipes inteiras dedicadas a administrar bilhões em bens privados, embora raramente façam anúncios ou divulguem seus resultados.

Os family offices querem mais criptomoedas

“Começamos a alocar uma pequena quantia para criptomoedas como uma estratégia de venture capital”, disse o CEO de um escritório em Connecticut à Campden Wealth. “Mas os fundos foram tão bem que se tornaram uma parte razoável do portfólio. Eles subiram sete vezes no ano passado.

Essa opinião é compartilhada por muitos no mundo dos “family offices”. Dos entrevistados pela empresa, 28% disseram que planejam aumentar seus investimentos em criptomoedas no próximo ano, alguns deles de forma substancial.

“Inicialmente, pensávamos em uma alocação de US$ 2 ou US$ 3 milhões. Agora, o investimento médio vai de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões, e estamos vendo alguns grandes alocadores que estão exigindo dezenas de milhões [de dólares] como investimento inicial mínimo”, diz Anatoly Crachilov, CEO da Nickel Digital, uma administradora de ativos digitais que trabalha principalmente com “family offices”.

Vários bilionários, incluindo Alan Howard e Paul Tudor Jones, têm sido publicamente otimistas com relação ao bitcoin. “Eles foram os primeiros a perceber que a pandemia acabaria por gerar inflação. Foram eles que introduziram as criptomoedas como parte da alocação de seu portfólio”, disse Crachilov.

Os gestores não estão interessados apenas em bitcoin. Embora a maioria tenha começado comprando a criptomoeda mais popular do mundo, muitos agora estão diversificando, diz Crachilov. “Existem ativos digitais muito mais promissores do que bitcoin.”

Por que alguns bilionários estão se livrando das criptomoedas

Mas nem todos os gestores de fortunas familiares são tão otimistas em relação às criptomoedas. Globalmente, 4% dos “family offices” disseram que diminuirão sua exposição a esses ativos no próximo ano.

“Não vemos as criptomoedas como moedas porque são muito voláteis”, disse um membro de uma família cuja fortuna é gerida por um “family office” em Ohio. “Como pode ser uma moeda quando flutua dessa forma? Nós nunca vamos embarcar nessa.”

A volatilidade é uma grande preocupação também para os escritórios que já possuem criptomoedas. Em setembro, quando a China declarou ilegais todas as transações envolvendo esses ativos, os preços despencaram e muitos family offices reavaliaram suas posições.

“Como acontece com qualquer ativo volátil, hedging e diversificação são fundamentais”, disse Chi-man Kwan, CEO e cofundador do Raffles Family Office em Singapura.

Preocupado com a possibilidade de uma repressão regulatória às criptos, o UBS alertou seus clientes para evitarem a moeda. Poucos bancos ou gestores de patrimônio oferecem aos clientes produtos próprios de investimento de criptomoedas. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, é famoso por ter dito que o investimento em bitcoin é “sem valor” e comparável a fumar.

Embora os “family offices” tenham tido um retorno médio de 40% dos investimentos em criptomoedas, os resultados desse movimento são mistos, diz Rebecca Gooch, diretora sênior de pesquisa da Campden Wealth. “Vimos pessoas que ganharam muito no ano passado e vimos outras que não se saíram tão bem.”

“As pessoas devem ser cautelosas ao interpretar [esses dados]. Não quero que todos pensem: ‘Ah, vou investir em criptomoedas e, é claro, vou ganhar muito dinheiro com isso.’”

Mas, apesar disso, Gooch diz que os “family offices” estão apenas “testando as águas” dos investimentos em criptomoedas. Se os retornos continuarem a tornar seus clientes bilionários mais ricos, os escritórios podem alocar muito mais recursos em criptomoedas, levando sua participação no mercado para além dos 4%.

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