Ibovespa fecha em baixa com incertezas sobre aprovação da PEC dos Precatórios

Queda do preço do minério de ferro na China levou a quedas nas ações das principais siderúrgicas brasileiras.

Diana Lott
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O Ibovespa fechou em queda de 0,51%, a 102.422 pontos, após um pregão de forte volatilidade marcado pelas incertezas em torno da aprovação do texto da PEC (proposta de emenda à Constituição) dos Precatórios no Senado.

Para Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, o que tem afetado a Bolsa não é o projeto em si. “Pela avaliação dos economistas, [a proposta] seria algo positivo, porque manteria o teto de gastos e não haveria uma pedalada dos precatórios. Não é uma questão de contestação técnica do que está sendo proposto, mas o fato de que o período de incerteza seria prolongado, uma vez que o texto teria de retornar à Câmara para nova votação e não é possível saber se haveria adesão [dos deputados]”, afirma ela sobre uma eventual mudança no projeto.

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Também pesou sobre o Ibovespa a queda dos preços do minério de ferro. Os contratos futuros da commodity na China despencaram ao nível mais baixo em um ano, com perspectiva negativa de demanda por aço no país. As ações da Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3), Vale (VALE3) e Gerdau (GGBR4) ficaram entre os destaques negativos do dia, com baixas de 6,17%, 5,35%, 4,11% e 4,11%, respectivamente.

Em Wall Street, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam em máximas recordes de 4.704 e 15.993 pontos, após subirem 0,34% e 0,45%, respectivamente, enquanto o Dow Jones registrou queda de 0,17%, a 35.870 pontos. O índice foi pressionado pelo recuo de 5,51% nas ações da fabricante de equipamentos de rede Cisco Systems Inc., que previu receita para o quarto trimestre abaixo das expectativas devido à escassez e atrasos na cadeia de suprimentos.

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Altas em ações de empresas de varejo deram suporte ao crescimento dos outros índices. Macy’s Inc e Kohl’s Corp avançaram 21,21% e 10,47%, respectivamente, depois de aumentarem previsões para vendas anuais e de lucro. O setor de bens de consumo discricionário do S&P registrou valorização de 1,06%.

O dólar fechou em alta pelo quarto pregão consecutivo e subiu 0,80%, a R$ 5,5690 na venda, refletindo o aumento da demanda pela moeda norte-americana em um dia negativo para ativos de mercados emergentes e marcado pelo contínuo imbróglio fiscal no Brasil.

O exterior também exerceu forte pressão de alta sobre a divisa. O dólar tinha avanço expressivo contra a vasta maioria dos principais pares emergentes do real, com destaque para o salto de 3,5% ante a lira turca, que está em queda livre em meio à total perda de credibilidade do banco central do país.

O real pode enfrentar obstáculo extra do lado da conta corrente, para a qual analistas do Citi preveem déficit maior em outubro, conforme a balança comercial sentiu o baque da queda dos preços do minério de ferro e do menor ritmo da economia mundial.

Os dados do setor externo serão divulgados na próxima semana pelo Banco Central, e o Citi calcula que o déficit em transações correntes tenha aumentado em 12 meses para 1,5% do PIB, ante 1,3% no período até setembro. (Com Reuters)

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