Três razões pelas quais as ações da fabricante de carros elétricos Rivian não despencaram

Após IPO bem-sucedido, a empresa de veículos elétricos e principal concorrente da Tesla tem uma capitalização de mercado de quase US$ 115 bilhões.

Chuck Jones
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Com a venda de 176 milhões de ações, a companhia tem pouco mais de 891 milhões de ativos em circulação

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A Rivian é a mais recente empresa de veículos elétricos a não apenas chamar atenção, mas também arrecadar cerca de US$ 13,5 bilhões com venda de 175,95 milhões de ações a US$ 78 cada, no último dia 10 de novembro. Após isso, o preço dos papéis atingiu a alta intradiária de US$ 179,47 em 16 de novembro e fechou em US$ 112,13 ontem (26).

Com a venda de 176 milhões de ações, a companhia tem pouco mais de 891 milhões de ativos em circulação.  O valor é surpreendente para um negócio que quase não gerou receita, mas talvez não seja realmente inesperado dado o atual entusiasmo em torno das empresas de veículos elétricos. A Rivian chega a uma capitalização de mercado de quase US$ 115 bilhões.

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Embora a expectativa geral e o potencial de longo prazo para veículos elétricos sejam bem fundamentados, uma empresa com pouca ou nenhuma receita e uma capitalização de mercado desse patamar terá de operar na perfeição. Conheça três razões pelas quais as ações não apenas mantiveram seu valor, mas subiram nos primeiros dez dias de negociação.

1. A Amazon investiu na empresa e fez 100 mil encomendas antecipadas

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A Amazon participou das rodadas de financiamento das séries A, D, E e F da Rivian, investindo US$ 1,35 bilhão e também comprando US$ 490 milhões em dívidas conversíveis. Além disso, adquiriu 2,56 milhões de ações no IPO, gastando US$ 200 milhões. Após a abertura de capital, detém cerca de 1

Embora a Amazon sempre possa vender algumas ou todas as suas ações, é extremamente improvável que faça isso no curto prazo ou mesmo nos próximos cinco a seis anos, uma vez que comprou papéis no IPO e encomendou 100 mil veículos elétricos de entrega da Rivian (EDVs).

De acordo com documento apresentado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês), a Rivian concordou que, até o quarto aniversário da data da oferta inicial, se a Logistics (uma subsidiária da Amazon) adquirir ou não veículos da empresa, serão fornecidos exclusivamente veículos de entrega de última milha para ela. Além disso, consta que, do quarto aniversário ao sexto aniversário, a Logistics terá o direito de preferência na compra de quaisquer veículos de entrega de última milha produzidos pela Rivian.

Supondo que cada veículo seja vendido por US$ 125 mil, a geração de receita seria de US$ 12,5 bilhões. No entanto, o acordo não restringe a Logistics de desenvolver veículos, colaborar com com terceiros ou comprar veículos similares de outros fabricantes. E também não determina uma quantidade mínima de pedidos ou requisitos mínimos de compra. Além disso, “previsões, planos de pedidos e pedidos de compra estão sujeitos a modificação ou cancelamento mediante notificação”, destaca o documento.

2. Foram feitas mais de 55 mil encomendas de outros modelos

Além das cem mil unidades pedidas pela Amazon, a Rivian divulgou que recebeu 55.400 encomendas de seus modelos R1T, uma picape totalmente elétrica, e R1S, um SUV de sete passageiros. A revista Car and Driver estima que o preço desses dois modelos varie entre US$ 70.000 e US$ 75.000. Esses pedidos antecipados devem gerar, desde que muitos não sejam cancelados, cerca de US $ 4 bilhões em receita.

3. A Ford tem uma participação de mais de 10% na Rivian

A Ford pagou um total de US$ 820 milhões por ações nas ofertas de séries B e D da Rivian, e comprou US$ 415 milhões da oferta de dívida conversível da empresa. As ações agora valem mais de US$ 13 bilhões. A Ford possui cerca de 11,4% da empresa e 10,5% do poder de voto após o IPO.

Ter um volume tão grande deve tornar um desafio vendê-los a qualquer momento no futuro próximo sem prejudicar as ações. Rivian e Ford, porém, confirmaram recentemente que não fariam mais parcerias no desenvolvimento de veículos elétricos. Embora a Ford provavelmente não esteja procurando vender suas ações em um futuro próximo, isso pode criar um obstáculo, especialmente se preocupações começarem a surgir e a Ford quiser realizar sua posição.

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