Ibovespa abre em alta apesar da nova contração do PIB brasileiro

Dólar opera em queda de olho na disseminação da nova variante do coronavírus.

Vitória Fernandes
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O Ibovespa opera em alta de 0,26% na abertura do pregão de hoje (2), a 101.053 pontos perto das 10h05, horário de Brasília. O mercado doméstico segue atento às decisões fiscais em Brasília e se preocupa com mais uma queda no PIB. No cenário internacional, novos casos da variante ômicron do coronavírus em diversos países preocupam as autoridades.

O dólar cai 0,14% ante o real por volta das 10h10. A moeda era negociada a R$ 5,6623.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou contração no 3º trimestre, na segunda queda trimestral seguida, resultado que indica recessão técnica da economia brasileira.

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Entre julho e setembro o indicador teve retração de 0,1% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) hoje.

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Em relação ao terceiro trimestre de 2020, o PIB apresentou expansão de 4,0%, contra expectativa de alta de 4,2%.
João Beck, economista e sócio da BRA, afirma que a elevação aguda da taxa de juros, que teve como objetivo controlar a inflação e aproximá-la da meta, acabou gerando diminuição da atividade econômica.

“A recessão do ano passado seria muito pior se não fosse o pacote de estímulos dado às populações mais necessitadas. Parte desse ‘gap’ do ano anterior (diferença da recessão potencial e da observada) está sendo incorporado na conta do PIB corrente. Ou seja, ainda não acabamos de pagar os estragos da pandemia”, diz ele.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), registrou alta de 0,72% em novembro, após subir 1,0% no mês anterior.

Os custos de transportes avançaram 2,24% no mês e exerceram o maior peso no índice do de novembro. Também se destaca a alta de 1,87% nos preços de despesas pessoais. Por outro lado, os setores de alimentação e saúde tiveram quedas de 0,15% e 0,39%, respectivamente.

Em Brasília, a votação da PEC dos Precatórios no plenário do Senado foi adiada e está programada para acontecer nesta quinta.

Mercados internacionais

Nos Estados Unidos, os índices futuros avançam após um dia de queda em Wall Street com a confirmação do primeiro caso conhecido de contaminação pela variante ômicron nos Estados Unidos.

Ontem, o governo norte-americano divulgou o Relatório Nacional de Emprego (ADP), com resultados melhores do que o esperado quanto à folha de pagamento. Foram abertas 534 mil vagas em novembro, ante expectativa de 506 mil.

Hoje, o mercado opera à espera dos dados semanais sobre pedidos de seguro-desemprego.

Na Ásia, as ações da China fecharam em alta nesta quinta-feira, lideradas por incorporadoras imobiliárias após três empresas apresentarem planos para emitir títulos domésticos. Analistas afirmam que o governo chinês continuará com sua campanha de desalavancagem do setor.

O Banco Central do Japão informou que pode encerrar seu programa de alívio financeiro da pandemia em março. Hitoshi Suzuki, membro do BC japonês, afirmou hoje que as condições de financiamento para empresas melhoraram significativamente desde o colapso de caixa no ano passado causado pela crise da Covid-19.

O destino dos programas vai depender de como a disseminação da variante ômicron afetará a economia, acrescentou.

O BC do Japão deve debater na reunião de política monetária deste mês se vai estender o prazo de encerramento, previsto para março de 2022, de um pacote de medidas implementadas no ano passado para lidar com as tensões imediatas de financiamento corporativo causadas pela pandemia.

O Hang Seng, de Hong Kong, valorizou 0,55%; e o BSE Sensex, de Mumbai, fechou o dia em alta de 1,35%. Já na China continental, o índice Shanghai perdeu 0,09%; e no Japão, o índice Nikkei recuou 0,65%.

Na Europa, os preços ao produtor saltaram mais do que o esperado em outubro, mostraram dados divulgados nesta quinta-feira, devido principalmente ao aumento nos preços de energia.

A agência de estatísticas da União Europeia, Eurostat, informou que os preços nos portões das fábricas dos 19 países que usam o euro subiram 5,4% em outubro sobre o mês anterior e 21,9% em relação ao mesmo mês de 2020.

O avanço dos preços ao produtor se traduz em preços mais altos para os consumidores. Em novembro, a inflação ao consumidor atingiu 4,9%, maior nível em 25 anos e desde que os dados começaram a ser compilados.

O desemprego, por sua vez, registrou queda conforme a economia continua a se recuperar da pandemia. A taxa chegou a 7,3% da força de trabalho em outubro, resultado dentro do esperado por economistas consultados pela Reuters, e a 7,4% em setembro.

As bolsas europeias operam em queda nesta manhã. O Stoxx 600 perdia 1,72%; na Alemanha, o DAX cai 1,81%; o CAC 40 em queda de 1,56% na França; na Itália, o FTSE MIB cai 1,65%; enquanto o FTSE 100 tem desvalorização de 1,05% no Reino Unido.

Commodities

Os contratos futuros de vergalhão de aço e bobinas a quente subiram na quinta-feira em meio à expectativa de que a demanda se recupere da fraca temporada de consumo.

Os futuros de vergalhão de construção mais ativos na Bolsa de Futuros de Xangai avançaram 1,3%, para 4.288 iuanes (679,53 dólares) por tonelada, estendendo os ganhos para a quarta sessão consecutiva.

Os futuros do minério de ferro de referência, para entrega em janeiro, caíram 3,5%, para 601 iuanes por tonelada, enquanto o minério de ferro spot 62% caiu US$ 1, a US$ 104,5 a tonelada na quinta-feira, de acordo com a consultoria SteelHome.

As mineradoras do Brasil exportaram 28,99 milhões de toneladas de minério de ferro em novembro, ante 29,15 milhões de toneladas no mesmo mês do ano anterior, segundo o governo brasileiro.

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