Ibovespa abre em alta com novo acordo sobre a PEC dos Precatórios

Dólar é negociado em alta na expectativa das decisões do Copom de hoje.

Vitória Fernandes
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O Ibovespa opera em alta de 0,11% na abertura do pregão de hoje (8), a 107.677 pontos perto das 10h10, horário de Brasília. No mercado doméstico, investidores reagem ao acordo no Congresso para fatiar a PEC dos Precatórios, enquanto esperam por decisões do Copom. No cenário internacional, as bolsas voltam a se movimentar de forma positiva após o baque da variante Ômicron do coronavírus.

O dólar sobe 0,22% ante o real por volta das 10h10. A moeda era negociada a R$ 5,6302.

As vendas no varejo brasileiro caíram 0,1% em outubro ante setembro, informou o IBGE nesta quarta-feira, resultado bem abaixo do esperado e que representa o terceiro declínio numérico seguido.

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Com isso, o varejo encontra-se 6,4% abaixo do patamar recorde, alcançado em outubro de 2020. Tanto no ano quanto em 12 meses o setor acumula ganho de 2,6%. Sobre outubro de 2020, a queda foi de 7,1%, terceiro recuo consecutivo.

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O índice de inflação semanal medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) registrou alta de 1,18% na primeira semana de dezembro. O resultado acumulado em 12 meses avançou de 9,89% até novembro para 10,01%.

Em Brasília, os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciaram ontem um acordo em torno da PEC dos Precatórios que envolve a promulgação, nesta semana, de parte do projeto e a votação dos trechos divergentes nas duas Casas antes do recesso parlamentar, garantindo o espaço fiscal para o pagamento do Auxílio Brasil.

A promulgação dos trechos que foram consenso entre as duas Casas enfrenta resistências, principalmente entre senadores, temerosos que as mudanças inseridas por eles no texto fiquem esquecidas e não fossem votadas pela Câmara.

O acordo, no entanto, assegura a análise pela Câmara dos pontos alterados pelo Senado na próxima semana, de acordo com os dois presidentes.

“Evidentemente já há o pronunciamento de ambas as Casas em relação a pontos comuns que convergem, que poderiam então ser promulgados, com a condição de que as inovações do Senado possam ser apreciadas pela Câmara e houve essa receptividade por parte do presidente Arthur Lira”, disse Pacheco a jornalistas, reconhecendo que o acordo não conta com a unanimidade dos líderes, mas com uma “ampla maioria”.

O governo federal publicou na noite de ontem, em edição extra do Diário Oficial da União, medida provisória que institui o chamado “Benefício Extraordinário”, garantindo o pagamento em dezembro de R$ 400 às famílias contempladas pelo programa Auxílio Brasil.

A medida provisória entra em vigor de forma imediata. O benefício não terá caráter continuado.

“O acordo para a votação da PEC dos Precatórios traz um cenário muito positivo, que deve tirar mais uma tensão do país em relação ao teto de gastos. Porém, as atenções hoje devem ficar voltadas para os resultados da reunião do Copom, que deve elevar a taxa básica de juros em 150 pontos-base”, diz Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Mercados internacionais

Nos Estados Unidos, o governo de Joe Biden propôs uma redução retroativa da quantidade de biocombustíveis que os refinadores de petróleo dos EUA são obrigados a colocar em sua mistura de combustível. A decisão tem o objetivo de fornecer alívio à indústria de refino dos EUA depois que a crise da saúde atingiu a demanda doméstica por combustíveis para transporte.

Na Ásia, as ações da China fecharam em alta, com um corte nas taxas do compulsório bancário mantendo os ânimos dos investidores. Ao mesmo tempo, papéis de empresas de produtos básicos de consumo e fabricantes de chips lideraram os ganhos.

Entre os destaques negativos do dia, o setor de incorporadoras imobiliárias recuou 0,6%, depois que o China Evergrande Group perdeu o prazo de pagamento de um título, colocando a empresa a caminho de se tornar o maior inadimplente da China.

A economia do Japão encolheu no terceiro trimestre um pouco mais rapidamente do que inicialmente relatado, com um aumento acentuado nos casos locais de Covid-19 atingindo o consumo privado e uma escassez global de fornecimento de chips afetando a confiança das empresas.

A contração mais profunda é um revés para os formuladores de política econômica, os quais esperam que a redução da escassez de oferta e a flexibilização das restrições à pandemia apoiem a recuperação da terceira maior economia do mundo neste trimestre.

A economia do Japão caiu 3,6%, em termos anualizados, entre julho e setembro, mostraram dados do governo nesta quarta-feira. Pelo número anterior, a atividade havia retraído 3,0%.

O Hang Seng, de Hong Kong, valorizou 0,06%; e o BSE Sensex, de Mumbai, fechou o dia em alta de 1,76%. Já na China continental, o índice Shanghai ganhou 1,18%; e no Japão, o índice Nikkei avançou 1,42%.

Na Europa, a inflação levará mais tempo do que se pensava para voltar à meta, mas até agora não há evidências de que os preços altos estejam se incorporando aos salários, disse o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos.

A alta inflação está desafiando o BCE, que tem pouca experiência em lidar com o rápido aumento dos preços, e complica uma importante decisão de política monetária prevista para 16 de dezembro.

Embora o BCE tenha afirmado que a inflação é temporária e voltará abaixo da meta por conta própria, um número crescente de formuladores de política monetária está expressando preocupação de que um resultado menos benigno também seja possível, de modo que o banco deve conter os estímulos.

O Stoxx 600 perdia 0,16%; na Alemanha, o DAX cai 0,54%; o CAC 40 em queda de 0,19% na França; na Itália, o FTSE MIB recua 0,73%; enquanto o FTSE 100 tem valorização de 0,08% no Reino Unido.

Commodities

Os contratos futuros do aço inoxidável chinês caíram para o nível mais baixo em mais de três meses na quarta-feira, prejudicados pela fraca demanda e pela redução dos preços das matérias-primas.

O aço inoxidável mais negociado na Bolsa de Futuros de Xangai, para entrega em janeiro, fechou em queda de 4,2%, a 16.085 iuanes por tonelada, o menor valor desde 2 de setembro.

Os futuros do minério de ferro de referência subiram 1,5%, para 659 iuanes por tonelada, estendendo os ganhos para um terceiro dia, após saltar 4,2% no início da sessão.

Os preços spot do minério com 62% de teor de ferro para entrega na China caíram US$ 0,50, a US$ 111 por tonelada, após alta de 7 dólares na terça-feira, de acordo com a consultoria SteelHome. (Com Reuters)

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