Quem é Cristina Junqueira, a nova bilionária da lista da Forbes

Cofundadora do Nubank é a segunda bilionária self-made brasileira no ranking mundial da Forbes, atrás de Luiza Trajano.

Jeff Kauflin
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Imagem/Gabriel Rinaldi
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O Nubank tem hoje 48 milhões de clientes – 35 milhões deles usam o aplicativo pelo menos uma vez por mês – no Brasil, México, Colômbia e Argentina

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Fechando um ano recorde de investimentos em fintechs e IPOs, o banco digital brasileiro Nubank abriu o capital ontem (9) na Bolsa de Valores de Nova York. Após a estreia, as ações subiram 15%, avaliando a empresa em US$ 45 bilhões e tornando a cofundadora Cristina Junqueira, de 39 anos, uma bilionária. Sua participação no Nubank é de 2,9% e agora vale US$ 1,3 bilhão. O CEO David Vélez, de 40 anos, possui 23% da empresa e fortuna estimada em US$ 10,2 bilhões.

Vélez trabalhava como investidor de risco, Cristina, como consultora e Edward Wible, como engenheiro de software. Juntos, fundaram o Nubank em 2013. Na época, 80% do mercado brasileiro era controlado por cinco bancos: Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa, que obtinham lucros enormes com juros altos em empréstimos e taxas exorbitantes. Ao mesmo tempo, ofereciam um atendimento deficiente.

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Alguns desses grandes bancos, por exemplo, cobram uma taxa mensal por alertas de mensagens de texto para compras feitas com cartão. Cristina Junqueira viu como isso afetou seus clientes em primeira mão. Antes do Nubank, ela comandou a maior divisão de cartões de crédito do Itaú. “Eu nunca entendi por que tínhamos que forçar as pessoas a contratarem esses serviços horríveis. Os clientes odiavam”, disse ela à Forbes, em março.

O objetivo do trio era transformar o Nubank em um aplicativo fácil de usar, onde os brasileiros pudessem obter serviços bancários sem visitar uma agência. Em 2014, lançaram um cartão de crédito sem anuidade (à época uma raridade no Brasil), e alguns anos depois passaram a oferecer conta corrente e poupança. Desde então, o Nubank expandiu para oferecer empréstimos pessoais, serviços de investimentos e seguro de vida.

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“Em um país como o Brasil, onde há tanta dificuldade em acessar serviços financeiros, somos como crianças em uma loja de doces. Queremos [oferecer] tudo”, diz Junqueira. Ela falou com a Forbes em uma sala nos fundos na Bolsa de Valores de Nova York. A cofundadora abre o capital da empresa enquanto está grávida de oito meses de sua terceira filha. A esposa de Vélez também está grávida do quarto filho do casal.

O Nubank tem hoje 48 milhões de clientes – 35 milhões deles usam o aplicativo pelo menos uma vez por mês – no Brasil, México, Colômbia e Argentina. Esse rápido crescimento continuou em 2021. Nos primeiros nove meses deste ano, a fintech atingiu US$ 1,06 bilhão em receita, quase o dobro de 2020. Neste ano, 30% da receita veio de taxas de “interchange” – valores cobrados dos comerciantes quando um cliente Nubank usa o cartão. Os juros rotativos de cartão de crédito representaram 23%, enquanto 15% vieram de empréstimos pessoais.

Leia mais: Nubank atinge US$ 52 bilhões em valor de mercado após estreia em Wall Street

O Nubank não é lucrativo. O banco perdeu US$ 99 milhões durante os primeiros nove meses deste ano, embora pareça mais perto de construir um negócio sustentável do que alguns de seus pares. Por exemplo, nos últimos nove meses recentes, cada cliente Nubank gerou US$ 4,90 em receita mensal, ou US$ 59 por ano. O banco gastou apenas US$ 5 para adquirir cada cliente. Despesas com marketing normalmente consomem grande parte dos orçamentos das fintechs, mas o Nubank gastou apenas US$ 45 milhões, ou 4% da receita. Em contraste, o banco digital MoneyLion, com sede em Nova York, gastou 31% de sua receita em marketing no terceiro trimestre de 2021.

Com uma capitalização de US$ 45 bilhões e partindo da premissa que a receita do quarto trimestre cresça 25% em relação ao terceiro trimestre (que foi de US$ 481 milhões), o Nubank está sendo avaliado por um valor 27 vezes maior que a receita estimada para todo o ano 2021.

O novo status de bilionária de Cristina Junqueira é um marco para o Brasil. Ela é a segunda mulher do país a se tornar bilionária por meio de seu próprio empreendimento.

Globalmente, a indústria de fintechs é dominada por homens e tem poucas mulheres bilionárias. O Nubank também está ligado a outra bilionária: Jackie Reses, ex-chefe da Square Capital, é investidora anjo do banco brasileiro e faz parte do seu conselho. Sua participação na Square levou Reses ao clube dos bilionários no início deste ano, embora seu patrimônio líquido tenha caído para cerca de US$ 750 milhões.

Junqueira diz que está de olho no longo prazo e manterá todas as suas ações do Nubank. “Não estamos vendendo. Nenhum dos investidores iniciais está vendendo, ninguém da equipe de gestão, nenhum dos fundadores.”

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