Conheça Luana Lopes Lara, a única brasileira na lista Forbes 30 Under 30 dos EUA

Em entrevista à Forbes, a engenheira conta como ganhou destaque com sua plataforma Kalshi, que permite que investidores apostem em eventos.

Isabella Velleda
Compartilhe esta publicação:
Divulgação
Divulgação

Além de cofundadora da Kalshi, Luana é formada em engenharia pelo MIT e estudou ballet na Escola do Teatro Bolshoi

Acessibilidade


Na última quarta-feira (1º), foi divulgada a lista Forbes 30 Under 30 dos Estados Unidos, e a sua mais nova integrante é a brasileira Luana Lopes Lara, de 25 anos, fundadora da plataforma de apostas Kalshi e engenheira formada pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Em entrevista à Forbes, ela conta mais sobre a empresa e sua trajetória de vida.

O gosto por exatas sempre correu na família de Luana. Seu pai é engenheiro eletricista e já trabalhou na IBM; sua mãe é professora de matemática, e sua irmã é formada em engenharia química e também mora nos Estados Unidos, onde desenvolve seu PhD. “Ela é minha irmã mais velha, então eu sempre a vi como uma inspiração”, diz a engenheira.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

Luana nasceu em Belo Horizonte, mas passou pelas cidades de Timóteo (MG) e Niterói (RJ) até chegar a Joinville, em Santa Catarina, onde ingressou na Escola Técnica Tupy, que tem como foco o ensino de ciências exatas. Durante sua vida escolar, Luana conta que participou de olimpíadas de física e astronomia, e manteve a matemática como sua grande paixão.

“Mas o ballet também era algo que eu amava fazer”, diz. Em Joinville, ela ingressou na Escola do Teatro Bolshoi, única filial fora da Rússia. Até o final do ensino médio, Luana conta que o ballet foi o seu foco – ela dançou profissionalmente em Salzburgo, na Áustria, antes de trocar definitivamente as sapatilhas pela matemática.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

“Eu sempre quis ser o melhor que eu poderia ser”, afirma. “Por isso, eu batalhei para dançar no Bolshoi, e depois decidi ir atrás das melhores universidades no mundo. Quando eu contei para os meus pais que esse era o meu plano, eles basicamente disseram, ‘Bem, deixa ela tentar, quem sabe dá certo’.”

Apesar de ter iniciado o processo de preparação para o ingresso nas universidades norte-americanas mais tarde do que o normal – em geral, isso ocorre no primeiro ano do ensino médio – Luana foi bem-sucedida. Além de ter sido aprovada no MIT, ela também foi aceita pelas universidades Harvard, Yale e Stanford. Foi em Massachusetts, porém, que ela encontrou a melhor oportunidade de se aperfeiçoar academicamente, acreditando que o instituto a “tiraria da zona de conforto”.

Apostas em eventos

Foi também no MIT que Luana conheceu Tarek Mansour, de 25 anos, com quem mais tarde fundaria a Kalshi, em 2018. Em poucas palavras, a engenheira define a empresa como “um mercado onde os investidores compram e vendem contratos relacionados a eventos, em vez de ações ou criptomoedas.”

A plataforma permite que os usuários façam apostas sobre qualquer tópico, evento ou acontecimento global, como: “o Carnaval do Rio de 2022 será cancelado?” ou “a PEC dos precatórios vai ser promulgada pelo Congresso até o final de 2021?”. A única condição é que a pergunta permita apenas respostas diretas como “sim” e “não”. Investidores, então, podem comprar “contratos” da resposta que eles acreditem ser a correta, e ganhar ou perder dinheiro de acordo com o resultado real.

Para melhor ilustrar esse funcionamento, o site da Kalshi dá um exemplo: se você é um residente de Nova York e está interessado em saber se os valores dos aluguéis irão subir mês que vem, você pode investir nesse evento por meio da plataforma. Se você acha que os aluguéis vão subir, você pode comprar cem contratos “sim” por US$ 50 no mercado correspondente ao evento. No mês seguinte, caso forem publicados dados dizendo que os aluguéis de fato subiram, você recebe de volta US$ 100 pelo seu investimento.

Os preços dos contratos flutuam entre um e 99 centavos, e refletem a diferença nas apostas entre “sim” e “não”. Se mais pessoas apostam em “sim” do que em “não”, por exemplo, o preço desse contrato sobe. Caso o resultado do evento seja “sim”, cada contrato  “sim” retorna US$ 1 ao seu investidor, enquanto os contratos “não” perdem o seu valor.

“Geralmente, apenas grandes corporações têm exposição a eventos como esses. Vimos isso bastante no caso do Brexit, em que diversas empresas que tinham operações na Inglaterra queriam a oportunidade de especular sobre o que iria acontecer”, explica Luana, complementando que, embora o preço de ações seja influenciado por eventos globais, os investidores não têm exposição direta aos eventos em si.

A Kalshi se destaca por ser a primeira e única empresa regulada pela CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities) dos Estados Unidos a oferecer produtos do tipo. Em fevereiro deste ano, a startup levantou US$ 30 milhões em uma série A liderada pela Sequoia Capital, com participação de Charles Schwab, da Charles Schwab Corporation, Henry Kravis, co-CEO da KKR, SV Angel e outros nomes que já tinham feito aportes na empresa, como Neo e YC Continuity.

Embora as operações estejam restritas aos EUA e o foco no momento seja ganhar espaço no mercado norte-americano, Luana diz que há planos de expandir para outros países, incluindo o Brasil. Desde o lançamento oficial, em julho deste ano, a plataforma movimentou US$ 10 milhões em apostas.

Estudando no exterior

Luana conta que, quando morava no Brasil, a ideia de criar uma empresa ainda parecia distante. Essa percepção mudou, porém, quando ela ingressou no MIT. “A grande vantagem da universidade, para mim, não foram as aulas e as coisas que eu aprendi, apesar de elas terem sido excelentes. Foram as pessoas com as quais eu tive contato.”

A engenheira diz que se sentia inspirada por seus colegas e professores, muitos dos quais já colecionavam conquistas no meio acadêmico, e conta que foram eles quem incentivaram-na a iniciar sua própria jornada. Uma das dicas importantes que ela recebeu foi levar sua startup ao Y Combinator, uma aceleradora que foi responsável por investir em empresas como Dropbox, Airbnb e Reddit.

Luana lembra da insegurança que sentiu quando começou o processo de seleção para as universidades norte-americanas. Ela afirma que tinha receio que seu passado artístico não fosse levado em conta pelos recrutadores, ou que fosse visto como um ponto negativo de sua trajetória.

“Mas as faculdades dos Estados Unidos são muito boas em olhar para a sua história e entender a sua motivação, enxergar o potencial em você”, diz. “Se eu tenho uma dica para jovens que buscam esse caminho também, é continuar se esforçando, acreditar que você é uma pessoa especial e que eles vão notar isso.”

Luana, que estudou no MIT com uma bolsa de estudos da Fundação Estudar, conta que escolheu atuar na área de ciências exatas porque acreditava que encontraria mais oportunidades profissionais e que poderia fazer uma contribuição mais relevante à sociedade dessa maneira. Apesar de ter sido uma bailarina de destaque, ela considera que seu ponto forte é a matemática.

Sobre ter sido escolhida para integrar a lista Forbes 30 Under 30, que reúne líderes, empreendedores e inovadores com menos de 30 anos que mais se destacam em seus setores de atuação, a engenheira diz: “É uma honra ser reconhecida pelo nosso trabalho. É claro que a Kalshi ainda tem muita coisa pra fazer, mas, quando você ainda está no meio do caminho, um reconhecimento como esse é um grande incentivo.”

 

Compartilhe esta publicação: