Carteira recomendada: Vale segue na liderança em janeiro, e JBS toma lugar da Petrobras

Frigorífico ficou em 2º lugar da lista da Forbes, apoiado por ciclo bovino favorável nos EUA.

Isabella Velleda
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Yuichiro Chino/Reuters
Yuichiro Chino/Reuters

No total, foram destacadas 42 ações que receberam mais de uma recomendação para janeiro

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Pela 14ª vez seguida, a Vale (VALE3) liderou o ranking mensal da Forbes de ações mais recomendadas, realizado a partir do levantamento de 21 carteiras de bancos e corretoras. Em janeiro, a mineradora recebeu 15 indicações, apoiada por analistas que acreditam que a retomada das economias globais poderá resultar em um novo superciclo de commodities, favorecendo o minério de ferro.

Já o segundo lugar foi ocupado pela JBS (JBSS3), que recebeu dez indicações. Analistas da Ativa Investimentos atribuem o bom desempenho dos seus papéis ao “ciclo bovino favorável nos Estados Unidos e o atual patamar depreciado da moeda nacional”, citando também a retomada da importação de carne bovina brasileira pela China.

A importação havia sido suspensa por aproximadamente três meses, durante o segundo semestre de 2021, em decorrência da identificação de casos atípicos da doença da vaca louca no Brasil. O frigorífico havia registrado apenas três indicações no ranking de dezembro.

Em terceiro lugar, ficou a Suzano (SUZB3), com oito indicações. “Olhando para o futuro, por um lado esperamos uma demanda chinesa por celulose aumentando em 1 milhão de toneladas por ano até 2025, e uma tendência em todos os mercados para aumentar o uso de papel em detrimento do plástico, somados às expectativas de um câmbio desvalorizado e podendo se intensificar no ano de eleição”, comentam analistas da Investmind.

Ainda assim, novas quedas nos preços internacionais de celulose, aumentos significativos nos custos dos insumos, e recuperação econômica global aquém do esperado são mencionados como potenciais riscos à ação.

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A Petrobras (PETR4), que em novembro liderou o ranking ao lado da Vale e em dezembro ficou em segundo lugar, também caiu à terceira posição. Apesar do recuo, a petroleira recebeu a mesma quantidade de indicações em comparação com o mês passado. “Enxergamos a empresa como muito bem posicionada e barata para o setor e sua performance”, disseram analistas da XP Investimentos.

Por fim, o Magazine Luiza (MGLU3), que recebeu apenas uma indicação em dezembro, ficou em quinto lugar, com seis indicações em janeiro. Apesar de suas ações terem acumulado desvalorização de 70% em 2021, analistas citam como motivo de otimismo dados da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) sobre vendas no Natal de 2021, que apresentou um crescimento de 10% em relação a 2020.

“[Outro] ponto que chamou atenção foi a redução, ainda que aquém do viável, da projeção do Índice de Preços para o Consumidor Amplo (IPCA). Apesar de a queda na revisão ser pequena, esse passo é importante para frear o movimento constante de aumento de preços que temos observado ao longo do ano”, complementam analistas da Toro Investimentos.

Confira as ações recomendadas pelos 21 bancos e corretoras consultados pela Forbes, e comentários de analistas sobre os papéis de maior destaque em janeiro.

  • Vale (VALE3) – 15 recomendações

    BB Investimentos:

    Após a forte correção dos papéis frente à deterioração do cenário da siderurgia na China nos últimos meses, a melhora das expectativas para a demanda no país no próximo ano, com estímulos do governo chinês ao setor imobiliário, entre outros, tem se refletido na recuperação das ações das mineradoras.

    Safra:

    Apesar dos menores preços do minério de ferro e da maior incerteza sobre o nível de crescimento da China, que podem limitar o desempenho do papel no curto prazo, seguimos com uma visão positiva para as ações da Vale. A empresa deve continuar a gerar um fluxo de caixa sólido e manter níveis atrativos de remuneração aos acionistas. Adicionalmente, o prêmio de qualidade para o minério tende a se manter próximo do nível atual, devido à busca por maior eficiência e elevados padrões ambientais das siderúrgicas.

  • JBS (JBSS3) – 10 recomendações

    Investmind:

    A demanda nos EUA permanece aquecida e com gargalo na oferta e os preços seguem inflacionados, o que traz ganhos aos segmentos da empresa atuantes no país. Compensando também o momento mais lento no Brasil devido aos preços altíssimos das matérias-primas, porém, ainda conta com a demanda asiática forte, que permanece sendo um driver importante de exportação em todas as frentes, e com o dólar permanecendo valorizado.

    Guide Investimentos:

    A JBS reportou resultado positivo no 3T21 suportada por mais um forte desempenho de suas operações norte-americanas e com retomada de volumes e aumento de preços no mercado doméstico. A receita líquida consolidada da JBS atingiu R$ 92,6 bilhões no 3T21, enquanto o EBITDA ajustado foi de R$ 13,9 bilhões, com uma margem de 15,0%. Mais uma vez, os principais drivers para essa boa performance foram as operações de bovinos, suínos e frangos da América do Norte, onde a demanda aquecida nos EUA segue sustentando os preços das proteínas em patamares elevados, ajudando a manter as margens em níveis robustos.

  • Suzano (SUZB3) – 8 recomendações

    Santander:

    A Suzano é uma empresa líder no setor de Papel & Celulose, sendo a maior produtora global de celulose de eucalipto. Devido ao nosso cenário de papel e celulose para 2022, acreditamos que Suzano pode ter uma grande geração de caixa, exposição ao dólar e possibilidades de expansão por conta da sua rápida desalavancagem. Prevemos um crescimento de 56% no EBITDA de 2021, de R$ 23,3 bilhões, quando comparado ao de 2020.

    Terra Investimentos:

    A recomendação é de compra aproveitando ainda os múltiplos financeiros descontados em 2021. O balanço do 3T21 trouxe um conjunto sólido com EBITDA de R$ 6,3 bilhões e maiores volumes de celulose com melhora nos preços praticados, inclusive com ajuste no preço para dezembro no mercado asiático. Números operacionais bons no 3T21, com vendas mais altas de celulose ajudaram a superar as estimativas, com destaque para o EBITDA. O cenário de recuperação da economia global continua sendo o desafio atual, tendo como vantagem também a questão cambial.

Vale (VALE3) – 15 recomendações

BB Investimentos:

Após a forte correção dos papéis frente à deterioração do cenário da siderurgia na China nos últimos meses, a melhora das expectativas para a demanda no país no próximo ano, com estímulos do governo chinês ao setor imobiliário, entre outros, tem se refletido na recuperação das ações das mineradoras.

Safra:

Apesar dos menores preços do minério de ferro e da maior incerteza sobre o nível de crescimento da China, que podem limitar o desempenho do papel no curto prazo, seguimos com uma visão positiva para as ações da Vale. A empresa deve continuar a gerar um fluxo de caixa sólido e manter níveis atrativos de remuneração aos acionistas. Adicionalmente, o prêmio de qualidade para o minério tende a se manter próximo do nível atual, devido à busca por maior eficiência e elevados padrões ambientais das siderúrgicas.

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