Veja os investimentos que renderam acima da inflação em 2021

Bitcoin e BDRs foram os únicos que superaram o IPCA de 10,06% registrado no ano passado, segundo levantamento da Economatica.

Isabella Velleda
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Nora Carol Photography/Getty Images
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O Ibovespa, por outro lado, foi o pior investimento do ano, mostra levantamento da Economatica

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Apenas o bitcoin e os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) apresentaram rendimentos superiores à inflação brasileira em 2021, segundo dados da Economatica. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) encerrou o ano com alta de 10,06%, o maior avanço anual desde 2015.

As aplicações deixaram para trás outras como dólar, fundos imobiliários e o próprio benchmark brasileiro, o Ibovespa, que tiveram rendimentos negativos de 2,43%, 11,21% e 19,98%, respectivamente, já descontando a taxa de inflação.

O bitcoin e os BDRs, por outro lado, valorizaram 57,08% e 21,43%, respectivamente. O levantamento comparou a rentabilidade, descontada a inflação, de 10,06%.

“Em primeiro lugar, nós temos a questão de o bitcoin ser um produto novo, que não tem lastro igual às outras moedas e não segue a mesma lógica do resto do mercado”, explica Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.

Everton Medeiros, especialista da Valor Investimentos, também cita a ampla adesão à nova moeda como um dos fatores que a impulsionaram: “Houve uma fuga de capital às criptomoedas, com uma maior busca por investimentos de risco e interesse na própria tecnologia em si. Já existem muitas grandes empresas aderindo.”

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Já em relação aos BDRs, Moliterno ressalta que esse é um recibo de um ativo internacional, que tem o dólar como componente. “O nosso câmbio desvalorizou cerca de 7% no ano passado. Fora que todas as bolsas dos Estados Unidos fecharam o ano em máximas históricas, então nada mais natural do que os BDRs superarem a inflação aqui”, diz ele.

Assim, uma pessoa que investiu R$ 100 em bitcoin, no começo de 2021, chegou ao final do ano com um saldo de R$ 157,08. Já quem investiu o mesmo valor no índice BDRs Não Patrocinados (BDRX), que indica o desempenho médio dos BDRs em negociação na B3, ficou com R$ 121,43.

Ibovespa teve ano difícil

Mesmo sem descontar a inflação, o Ibovespa apresentou desvalorização no ano passado: 11,93%, considerando o período de 31 de dezembro de 2020 a 30 de dezembro de 2021. O levantamento apontou o principal índice brasileiro como o pior investimento do período.

Algumas empresas que compõem a carteira teórica do Ibovespa, no entanto, fecharam o ano no azul. Petrobras (PETR3 e PETR4) e Vale (VALE3), que possuem importante peso no índice, subiram 6,41%, 0,39% e 4,87%, respectivamente.

Os rendimentos reais, que descontam a inflação, porém, ficaram no negativo: 3,31% para a Petrobras ON, 8,78% para a Petrobras PN e 4,71% para a Vale.

Já o Itaú Unibanco (ITUB4) e o Magazine Luiza (MGLU3), que também estão entre os cinco papéis mais negociados na Bolsa, tiveram rendimentos reais negativos de 26,22% e 73,70%.

Assim, uma pessoa que investiu R$ 100 no começo de 2021 em cada uma dessas ações chegou ao fim do ano, descontando a inflação, com saldo de:

Petrobras (PETR3 e PETR4): R$ 96,69 e R$ 91,22
Vale (VALE3): R$ 95,29
Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 73,78
Magazine Luiza (MGLU3): R$ 26,3

É preciso notar, porém, que esse cálculo não leva em consideração os proventos distribuídos por essas empresas, que podem complementar a renda do investidor.

Como argumenta Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, “o Ibovespa está no seu menor patamar histórico em relação à questão de valores justos, tendo em vista que a maioria das empresas têm apresentado caixas positivos. Se o risco político reduzir e a pandemia melhorar em 2022, poderemos ver uma alta significativa”.

A inflação, porém, não deverá dar trégua. O Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (10) mostrou que economistas preveem um IPCA de 5,03% em 2022. Embora o ritmo de crescimento esperado seja mais brando do que aquele visto no ano passado, o índice ainda deverá ficar acima do teto da meta, de 5%.

Poupança antiga é destaque na renda fixa

Entre as aplicações de renda fixa, a melhor rentabilidade foi a da poupança antiga, que rendeu 6,22% no ano, apesar da rentabilidade real negativa de 3,45%. A sua remuneração é sempre de 0,5% ao mês (6,17% ao ano) somado à TR (taxa referencial), que costuma ficar próxima de zero.

A poupança antiga é válida para depósitos realizados até 3 de maio de 2012, ou quando a Selic, taxa básica de juros, estiver maior do que 8,5% ao ano.

“É uma boa opção para quem não tem acesso à grande maioria dos outros produtos no mercado”, afirma Moliterno. “Mas é preciso lembrar que existem outras excelentes oportunidades dentro da renda fixa, seja até mesmo dentro de CDBs [Certificados de Depósito Bancário] ou na renda fixa privada.”

Já quem iniciou o ano com a poupança calculada pela regra nova, (70% da Selic + TR), e passou a ter a poupança calculada pela regra antiga em dezembro, quando a Selic chegou a 9,25%, obteve um rendimento real negativo de 6,37%.

Outros produtos da renda fixa tiveram desempenho semelhante. Considerando investimentos feitos no início de 2021 e resgatados no fim do ano, os CDBs que rendem 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) tiveram rendimento real de -5,12%; títulos pós-fixados do Tesouro Selic com vencimento em 2027 renderam -4,39%, e títulos do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2055 ficaram em -18,87%.

Apesar de ser indexado ao IPCA, o Tesouro IPCA+ ficou com rendimento negativo pois o cálculo considera um investidor que adquiriu o título no final de 2020, mas ao invés de aguardar o vencimento em 2055, decidiu vendê-lo em 2021.

É preciso lembrar que a rentabilidade de um título antes do prazo de vencimento acompanha a marcação do mercado, que consiste na atualização diária do valor de um ativo pelo seu preço de mercado.

Por outro lado, se o investidor tivesse mantido o título até a sua data de vencimento, ele ainda receberia exatamente o valor teórico que foi acordado no momento da aplicação.

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