Bolsa de Valores hoje: Ibovespa opera em queda com repercussão da decisão do Copom

A autoridade monetária anunciou alta de 1,5 pontos-base na taxa Selic, saindo de 9,25% para 10,75% ao ano.

Isabella Velleda
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O Ibovespa opera em queda de 0,07% na abertura do pregão de hoje (3), a 111.703 pontos, às 10h38, horário de Brasília. Investidores repercutem a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária), que confirmou a expectativa uníssona do mercado, de alta de 1,5 pontos-base na taxa Selic, saindo de 9,25% para 10,75% ao ano.

“A reunião do Copom traz oficialmente de volta o famoso 1% por mês nas aplicações de renda fixa, e ao que tudo indica é mais do que temporário, e deve indicar uma migração ainda mais forte dos ativos de riscos para aplicações mais seguras”, comenta Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos.

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A surpresa, porém, veio com a sinalização de que o ritmo de aumento das taxas pode diminuir no futuro. “Em relação aos seus próximos passos, o Comitê antevê como mais adequada, neste momento, a redução do ritmo de ajuste da taxa básica de juros. Essa sinalização reflete o estágio do ciclo de aperto, cujos efeitos cumulativos se manifestarão ao longo do horizonte relevante”, afirmou a autoridade.

Segundo o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), o setor de serviços do Brasil iniciou 2022 em crescimento. O índice seguiu acima da marca de 50, que separa crescimento de contração. A escalada da pandemia com a variante Ômicron, porém, afetou a atividade, que em janeiro registrou a expansão mais fraca em oito meses.

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O dólar opera em alta de 0,60%, sendo negociado a R$ 5,3075 na venda, com agentes do mercado digerindo a indicação do Banco Central de que desacelerará o ritmo de seu ciclo de aperto monetário.

Na Ásia, o mercado acionário japonês interrompeu o seu rali de quatro dias, pressionado pela queda nas ações de tecnologia e pela fraqueza nos futuros do Nasdaq.

As ações do Sony Group caíram 6,08%, com o ressurgimento das preocupações com o negócio de jogos da empresa em meio à escassez de componentes e à competição de rivais maiores. Já a Panasonic caiu 6,86% depois de o conglomerado industrial registrar queda de 44% no lucro operacional do terceiro trimestre, acima do esperado.

Além disso, aumentam as preocupações com o cenário sanitário do Japão, após o país registrar mais de 100 mil infecções diárias por Covid-19 pela primeira vez desde que a pandemia começou.

O índice japonês Nikkei perdeu 1,06%, enquanto o BSE Sensex, de Mumbai, fechou o dia em queda de 1,29%. Os mercados da Coreia do Sul e da China seguem fechados por conta do feriado do Ano Novo Lunar.

Na Europa, os principais índices também caem. Segundo o Índice de Gerentes de Compras, o crescimento econômico da zona do euro perdeu mais força em janeiro, pressionado pela demanda fraca em meio a restrições mais rigorosas para conter a variante Ômicron da Covid-19.

“A economia da zona do euro desacelerou em janeiro depois de ver o crescimento enfraquecer no último trimestre de 2021”, disse Chris Williamson, economista-chefe da IHS Markit.

Investidores também repercutem a decisão de política monetária do BCE (Banco Central Europeu) nesta quinta-feira. A autoridade deixou a taxa básica de juros inalterada conforme o esperado pelo mercado, permanecendo no caminho de fornecer estímulos abundantes neste ano mesmo com a inflação em patamar recorde.

Nesta manhã, o BoE (Banco da Inglaterra) elevou os juros para 0,5%.

Por volta das 10h38, o Stoxx 600 perdia 0,51%; na Alemanha, o DAX recuava 0,35%; o CAC 40 operava em queda de 0,11% na França; na Itália, o FTSE MIB perdoa 0,39%; enquanto o FTSE 100 tinha queda de 0,14%, no Reino Unido.

No cenário das commodities, os preços do petróleo ganharam impulso ontem, depois que a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) confirmou aumentos moderados planejados na produção, apesar da pressão dos principais consumidores para elevar o bombeamento mais rapidamente. (Com Reuters)

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