Vale avalia que crise na Ucrânia impulsionará preços de níquel e pelotas

O mercado global de pelotas é de cerca de 120 milhões de toneladas, sendo a Ucrânia responsável por 15% enquanto a Rússia por 10%.

Da Reuters
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Brendan McDermid/Reuters
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A Vale avalia que a guerra envolvendo Ucrânia e Rússia pode impulsionar os preços de níquel e pelotas de minério de ferro, afirmaram executivos hoje (25), ponderando que a extensão dos efeitos vai depender da duração das tensões que culminaram com a invasão russa na véspera.

O mercado global de pelotas é de cerca de 120 milhões de toneladas, sendo a Ucrânia responsável por 15% enquanto a Rússia por 10%, pontuou o vice-presidente executivo de Ferrosos da Vale, Marcello Spinelli.

“Tem impacto. A grande questão é o tempo que vai demorar essa tensão. O impacto primário, eu diria que muito mais voltado às plantas do leste europeu, que tem relação muito mais direta. E as plantas mais do lado ocidental tem alternativa”, disse o executivo, ao participar de conferência com analistas.

“Já recebemos ligações de nossos clientes europeus, inclusive também do leste europeu. Eu diria que…, no primeiro momento, o impacto vai ser provavelmente uma redução de produção e preços de prêmios de pelotas devem agir.”

O executivo pontuou, no entanto, que a empresa já está com prêmios fechados para o trimestre e, dependendo da extensão do problema, provavelmente deverá registrar impacto no trimestre seguinte.

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Já no caso do níquel, o presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, disse que antes do acirramento das tensões na Ucrânia os preços já estavam em alta por questões de oferta e demanda e que houve uma aceleração.

“Tem impacto ainda especulativo porque ainda não tem nenhuma sanção, mas antes da tensão geopolítica os preços do níquel já estavam sendo impactos por ‘supply/’demand'”, disse.

INVESTIMENTOS E METAIS BÁSICOS

Durante a teleconferência, o vice-presidente executivo de Finanças e Relações com Investidores, Gustavo Pimenta, destacou que a empresa poderá renovar seu programa de recompra de ações.

“Continuo achando que não há melhor investimento do que recomprar a Vale… a gente certamente vai estar no mercado atuando e suportando a ação, porque a gente acha que isso gera bastante valor para nossos acionistas”, afirmou.

Desde o início de 2021 até 24 de fevereiro deste ano, a empresa empenhou um total de 6 bilhões de dólares em recompra de ações, segundo dados da companhia.

De outro lado, a empresa também permanece em busca de vender ativos considerados não essenciais. A companhia busca atualmente a venda de suas participações na Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e na Mineração Rio do Norte (MRN).

“Seguimos focados em simplificar nosso portfólio, realmente em dedicar os recursos da companhia naquilo que a gente é bom, sabe operar e gera valor, e esperamos ter notícias em breve sobre esses dois processos remanescentes”, afirmou Pimenta.

No caso de metais básicos, Bartolomeo voltou a dizer que a empresa está empenhada em encontrar meios que reconheçam o valor da área na companhia, mas que nenhuma decisão final foi tomada ainda.

Anteriormente, já haviam cogitado a possibilidade de um “spin-off” e IPO do segmento. No Canadá, Bartolomeo exemplificou que a empresa poderia avaliar parcerias e posicionamento estratégico na América do Norte.

“Temos várias opções, estamos estudando”, disse o presidente.

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