Wall Street abre em queda após Putin reconhecer regiões separatistas na Ucrânia

Amanda Péchy
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Expectativas sobre aumentos da taxa de juros também pesam sobre mercado

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As bolsas de Nova York abriram hoje (22) em queda, acompanhando os desdobramentos no leste europeu. Na véspera, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, reconheceu duas regiões separatistas na Ucrânia como independentes e enviou soldados para lá, no que chamou de “operação de manutenção da paz”.

Depois da notícia, os mercados amanheceram bastante avessos ao risco. O espectro da guerra elevou os preços do petróleo-Brent à maior alta em sete anos, aproximando-se de US$ 100, enquanto o alumínio, o níquel e o trigo também dispararam com a ameaça de interrupção dos fluxos de recursos naturais da Europa Oriental para os mercados mundiais.

As ações de maior crescimento de capitalização, como Amazon, Apple, Microsoft, Meta e Tesla perderam entre 1% e 2,5% nas negociações de pré-mercado. Os rendimentos do Tesouro norte-americano também caíram conforme investidores buscavam a segurança dos títulos. Grandes bancos, como Bank of America Corp, Citigroup Inc e Goldman Sachs Group Inc, tiveram perdas de cerca de 0,5% cada.

Os Estados Unidos e seus aliados europeus responderam ao movimento russo com novas sanções.

O presidente norte-americano Joe Biden assinou uma ordem executiva que proíbe negócios dos EUA com as regiões separatistas da Ucrânia. O chanceler alemão Olaf Scholz informou que suspenderia o processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2, enquanto o premiê britânico Boris Johnson quer impedir que empresas russas consigam financiamento no mercado financeiro do Reino Unido.

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No entanto, garantias de Putin de que a Rússia continuará a fornecer gás natural aos mercados mundiais e a esperança de que o reconhecimento de separatistas seja o ponto mais extremo do imbróglio parecia acalmar momentaneamente os investidores.

Diante da crise econômica causada pelo potencial conflito, o presidente ucraniano, Kyrylo Shevchenko, anunciou que pretende iniciar negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um novo programa com início em abril para tranquilizar os mercados.

Além disso, a inflação continua preocupando os mercados norte-americanos. Em uma conferência ontem (21), Michelle Bowman, diretora do Federal Reserve (Fed), afirmou que ainda é cedo para bater o martelo sobre um aumento de 0,50% nos juros em março e que mantém as opções em aberto.

A postura indica algumas divergências entre as autoridades fiscais dos EUA sobre o nível de agressividade necessário para o início da reversão da política monetária.

Por volta das 12h, o Dow Jones operava em queda de 0,52%, a 33.900 pontos; o S&P 500 caía 0,25%, a 4.337 pontos; e o Nasdaq perdia 0,25%, a 13.556 pontos.

O dólar caía 0,98% no mesmo horário, a R$ 5,0562 na venda. A moeda brasileira continua aproveitando o fluxo de recursos estrangeiros atraído pelo juro alto, enquanto investidores continuavam monitorando o noticiário em torno das tensões na Ucrânia.

Estrategistas do Citi também apontaram o preço elevado das commodities e a redução dos ruídos políticos locais no início do ano como fatores que explicam a desvalorização recente do dólar frente ao real. (Com Reuters)

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