Bilionário chinês levará grife Lanvin a Wall Street através de fusão Spac de R$ 9,3 bilhões

Guo Guangchang ocupa a 380a posição do ranking de bilionários da Forbes, com fortuna avaliada em R$ 25,9 bilhões.

Jonathan Burgos
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Emmanuel Wong/Getty Images
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Tradicional marca francesa foi comprada em 2018 pela Fosun International, que aposta no crescimento do mercado de luxo asiático

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O Lanvin Group – controlado pela Fosun International, do bilionário chinês Guo Guangchang – concordou em se fundir com a empresa de cheque em branco Pcac (Primavera Capital Acquisition Corp.) em uma transação que avalia o negócio resultante da combinação das duas companhias em US$ 1,9 bilhão (R$ 9,3 bilhões).

A fusão com a Pcac abrirá o caminho para a listagem em Wall Street do Lanvin Group, proprietário da grife francesa de mesmo nome. A Pcac é uma Spac (empresa de aquisição de propósito específico, na sigla em inglês) apoiada pela empresa de investimentos global Primavera Capital Group, sediada na China.

Leia mais: Entenda os processos do mercado por trás de uma ‘fusão Spac’

Sob o acordo, que avalia o Lanvin Group em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,35 bilhões), a entidade combinada espera levantar US$ 544 milhões (R$ 2,6 bilhões) com um IPO (oferta pública inicial) em Nova York.

“Planejamos acelerar o crescimento de nosso portfólio por meio do desenvolvimento orgânico e de aquisições disciplinadas, construindo um portfólio global de marcas icônicas de moda de luxo que atraiam uma ampla base de clientes”, disse o presidente e CEO do Lanvin Group, Joann Cheng, em comunicado hoje (23).

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“O Grupo Lanvin não apenas permitirá que essas marcas floresçam em seus países de origem, mas também na Ásia e na América do Norte, os maiores mercados de luxo do mundo.”

A marca Lanvin tem suas raízes na mais antiga casa de moda da França, fundada pela estilista francesa Jeanne Lanvin em 1889. Atualmente, o grupo está sediado em Xangai, onde também está sua matriz, a Fosun.

A matriz administra a Lanvin e outras marcas icônicas, como a empresa italiana de calçados Sergio Rossi, a marca de lingerie australiana Wolford, a marca norte-americana de moda feminina St John Knits e a marca italiana de moda masculina Caruso.

“Estávamos à procura de uma marca que fosse um líder em ascensão no setor de consumo com apelo global duradouro e perspectivas de crescimento significativas na Ásia”, disse Max Chen, presidente e CEO da Primavera, em comunicado.

“No Lanvin Group, vemos um negócio global único com uma rica herança, uma equipe de gestão empreendedora e uma estratégia diferenciada para construir uma potência de luxo para uma nova geração de consumidores, especialmente se beneficiando do aumento do consumo de luxo na Ásia”, afirmou.

A Pcac injetará US$ 414 milhões (R$ 2 bilhões) em dinheiro na entidade combinada como parte dos recursos do IPO, enquanto a Fosun e outros investidores, incluindo a japonesa Itochu Corp., contribuirão com US$ 130 milhões (R$ 637 milhões). Os recursos serão usados ​​para acelerar o crescimento da Lanvin e financiar futuras aquisições, segundo a grife.

Com a expectativa de que o mercado global de bens de luxo atinja US$ 430 bilhões (R$ 2,1 bilhões) até 2025, a Lanvin disse que está bem posicionada para capturar oportunidades de crescimento. A receita global do grupo mais que dobrou em 2021, impulsionada pela forte demanda da China, América do Norte e vendas de ecommerce.

A controladora da Lanvin listada em Hong Kong vem investindo em diversas marcas internacionais, incluindo o Club Med. Além do turismo, a Fosun tem interesses em mineração, produtos farmacêuticos e siderurgia.

A empresa foi cofundada em 1992 por Guo e três colegas da Universidade Fudan de Xangai: Liang Xinjun, Wang Qunbin e Fan Wei. Hoje, apenas Guo e Wang ainda estão na Fosun; Liang saiu da empresa em 2017 e Fan se afastou em 2015.

Guo ocupa a 380a posição do ranking de bilionários da Forbes, com fortuna avaliada em US$ 5,3 bilhões (R$ 25,9 bilhões).

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