Dólar firma alta contra real antes de reuniões de BCs e com pausa em rali das commodities

Investidores estão atentos às reuniões de política monetária do Federal Reserve e Banco Central do Brasil, enquanto commodities caem com alívio no noticiário da guerra na Ucrânia.

Reuters
Compartilhe esta publicação:
Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

Quanto mais positivas as manchetes em torno do conflito na Ucrânia, menores tendem a ser os temores internacionais de restrição da oferta de commodities

Acessibilidade


O dólar abandonou a instabilidade da manhã de hoje (14) e passava a subir com força nesta tarde, chegando a superar os R$ 5,10, com o mercado à espera das decisões de política monetária dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos esta semana. Investidores também têm no radar a pausa no rali das commodities no exterior.

Às 15h15 (de Brasília), o dólar à vista avançava 1,26%, a R$ 5,1176 na venda, rondando as máximas do dia. A moeda norte-americana firmava movimento de alta, depois de ter trocado de sinal várias vezes ao longo das primeiras horas de negociações.

No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes tinha queda de 0,3% no dia, mas a moeda norte-americanana avançava 0,75% contra o dólar australiano, divisa que, assim como o real, é sensível aos preços das commodities e ao apetite global por risco.

Houve algum alívio no noticiário envolvendo a guerra na Ucrânia no fim de semana, o que derrubou os contratos futuros de produtos como petróleo, milho, minério de ferro e aço, entre várias outras commodites, o que também parecia afetar o Ibovespa.

As negociações entre Ucrânia e Rússia tiveram “pausa técnica” nesta segunda-feira para trabalho adicional em subgrupos e esclarecimentos de definições individuais, mas continuam e serão retomadas na terça, disse um dos negociadores ucranianos no Twitter.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Quanto mais positivas as manchetes em torno do conflito na Ucrânia, menores tendem a ser os temores internacionais de restrição da oferta de commodities. Esses receios têm impulsionado os preços das matérias-primas nas últimas semanas, o que beneficiou moedas de países exportadores, como o Brasil, desde o final de fevereiro.

Leia mais: Investidores estrangeiros apostam alto na Bolsa brasileira em busca de maiores rendimentos

Enquanto isso, investidores estavam atentos às reuniões de política monetária de vários bancos centrais nesta semana, incluindo do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.

Por aqui, há ampla expectativa de que a taxa Selic será elevada em 1 ponto percentual, a 11,75% ao ano, mas o foco estará nas indicações do BC sobre seus próximos passos.

Em relatório divulgado hoje (14), o Credit Suisse disse que “dada a elevada inflação atual e o alto nível de indexação da economia, que aumenta a persistência da inflação, esperamos que o BC continue apertando ainda mais a política monetária e por mais tempo”. Na semana passada, o banco privado elevou sua projeção para a inflação de 2022 a 7%, vendo a Selic em 13,25% até o fim do ano.

Juros mais altos no Brasil tendem a beneficiar o real, já que elevam a atratividade de investimentos no mercado de renda fixa doméstico, mas participantes do mercado ponderam que o banco central dos Estados Unidos está prestes a iniciar seu próprio ciclo de aperto monetário, o que pode vir a impulsionar o dólar.

Há ampla expectativa de que o Fed elevará os juros em 0,25 ponto percentual nesta semana, pressionado pela disparada da inflação, atualmente numa máxima em mais de 40 anos na maior economia do mundo.

Tanto o Banco Central do Brasil quando o Federal Reserve anunciarão suas decisões de política monetária na quarta-feira, ao fim de reuniões de dois dias.

O dólar spot fechou a última sessão em alta de 0,74%, a 5,054 reais na venda.

Compartilhe esta publicação: