Vittia vê mais espaço para fertilizantes especiais em ano de incertezas para adubos

A companhia registrou lucro líquido de R$ 107,74 milhões no ano passado, alta de 25,5% ante 2020.

Reuters
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Após resultados positivos em 2021, o grupo de biotecnologia e insumos agrícolas Vittia projeta ganhos de competitividade para os fertilizantes especiais, em meio ao cenário de incerteza para a oferta de adubos convencionais causada pelo conflito envolvendo a Rússia, importante player global do setor.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 107,74 milhões no ano passado, alta de 25,5% ante 2020. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu R$ 176 milhões, 54% maior frente ao ano anterior, conforme balanço financeiro divulgado ontem.

“Temos expectativa de continuar crescendo. Olhamos o cenário com mais oportunidades do que riscos e podemos continuar com um ritmo interessante de crescimento, não no mesmo nível do ano passado mas ainda positivo”, disse à Reuters o CFO do Grupo Vittia, Alexandre Del Nero Frizzo.

Ele afirmou que a guerra entre Rússia e Ucrânia deixou os produtores rurais preocupados sobre a disponibilidade de insumos à base de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK) para a safra 2022/23.

O Brasil importa cerca de 85% de seu consumo em fertilizantes, enquanto a Rússia responde sozinha por 23% das importações brasileiras. Belarus, aliado dos russos na invasão à Ucrânia, representa mais 3% no fornecimento do insumo ao Brasil.

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Com a maior dificuldade na cadeia de fertilizantes básicos, a tendência é que o agricultor esteja com a “cabeça mais aberta” para a adoção de insumos especiais –condicionadores de solo e organominerais, fertilizantes foliares, entre outros.

“Para os fertilizantes especiais vai ser uma grande oportunidade para que o produtor esteja mais aberto para entender as tecnologias e como pode agregar no seu sistema produtivo”, disse o executivo.

“O agricultor vai ter que olhar para outras alternativas e ao mesmo tempo vai ter que controlar o custo dele, plantar em um custo que deixe margem para ele.”

Segundo o CFO, os insumos nos quais a empresa atua, em geral, não sentem impacto direto de falta de matéria-prima em função da guerra. Apenas a linha de organominerais é parcialmente afetada, pois utiliza um “blend” de minerais com matéria orgânica.

“Por outro lado, ela ganha competitividade na ponta… usando organomineral a gente pode reduzir o uso de NPK”, afirmou Frizzo.

As linhas de insumos especiais já vêm de um cenário de ascensão para a empresa.

Em 2021, a receita líquida da Vittia somou R$ 779 milhões, avanço de 46,8% no comparativo anual. O resultado foi puxado por saltos de 192% para os condicionadores de solo e organominerais, 89% para defensivos biológicos e 31% para fertilizantes foliares, este último com o maior faturamento bruto, de R$ 333,6 milhões.

O CFO disse que o desempenho financeiro da companhia no ano passado contou com ganhos vindos de uma colheita recorde na safra 2020/21 e a expectativa positiva que se tinha para 2021/22, antes dos impactos da seca, considerando que a compra de insumos é realizada majoritariamente antes do plantio. “Isso beneficiou a Vittia”, afirmou.

“E o segundo ponto é que temos um crescimento inorgânico, fizemos uma aquisição em agosto de 2020 e 2021 foi o primeiro ano em que ela contribuiu os 12 meses para o resultado.”

Neste sentido, Frizzo disse que a empresa continua com apetite para realizar investimentos, contando com um nível de alavancagem considerado confortável, e está aberta para oportunidades de fusões e aquisições.

 

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