Daslu, pioneira do luxo brasileiro, vai a leilão com lance mínimo de R$ 1,4 milhão

Marcas da rede varejista serão vendidas seis anos após a falência da empresa .

Vitória Fernandes
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(Imagem: Divulgação/Daslu)
(Imagem: Divulgação/Daslu)

Em 2004, no auge da fama, entre 75% e 80% das pessoas que visitavam a loja não iam embora sem fazer uma compra

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A marca Daslu, da rede pioneira em varejo de luxo no Brasil, será leiloada seis anos após a empresa ter sua falência decretada. O certame, que se encerra no dia 11 de maio, é realizado pela Sodré Santoro e tem lance inicial de R$ 1,4 milhão.

Outras submarcas da varejista também serão vendidas para quitar as dívidas da empresa, que já foi considerada a principal referência do luxo brasileiro.

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A Daslu foi criada por Lucia Piva de Albuquerque e Lourdes Aranha na década de 1960 e ganhou os holofotes a partir de 1990, sob o comando de Eliana Tranchesi, filha de Lucia. A rede foi a primeira varejista a trazer grandes grifes internacionais para o mercado brasileiro em uma época em que os produtos ainda eram de difícil acesso aos consumidores.

O primeiro casarão da Daslu ficava na Vila Nova Conceição, um dos bairros com metro quadrado mais caros de São Paulo. O negócio deu certo por mais de uma década. Em 2004, no auge da fama, entre 75% e 80% das pessoas que visitavam a loja não iam embora sem fazer uma compra, de acordo com um levantamento da Folha de S.Paulo realizado à época.

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Ainda de acordo com as estimativas da Folha, o faturamento da empresa chegou a atingir mais de R$ 400 milhões no período.

Para expandir o negócio, a Daslu se mudou para uma nova unidade localizada na Marginal Pinheiros, onde hoje está o shopping JK Iguatemi. Na época, o investimento foi de R$ 200 milhões pelo terreno de mais de 60 mil metros quadrados. A empresa chegou a ter mais de mil funcionários.

Pouco tempo após a inauguração da nova unidade, chamada de Villa Daslu, a empresa passou por inspeções da Polícia Federal, que investigava denúncias de sonegação fiscal.

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Tranchesi foi detida e indiciada pelo crime, além de ter sido processada por formação de quadrilha, falsificação de documentos e fraude em importações.

A empresária cumpriu a maior parte de sua pena em liberdade e continuou a atuar na marca, mesmo depois da venda para o Laep Investiments, do empresário Marcus Elias, que também controlava a Parmalat. A operação, concluída em 2011, movimentou R$ 65 milhões. Nessa época, a Daslu abriu sua primeira lo

A estratégia para reerguer a rede previa mais lojas em shoppings, com menos glamour e mais confecções próprias – a primeira delas ficava no Cidade Jardim, na capital paulista. Tranchesi fez parte do processo até 2012, quando morreu em decorrência de um câncer no pulmão. Quatro anos mais tarde, a empresa teve sua falência decretada pela justiça brasileira.

Leilão

A organizadora da leilões Sodré Santoro foi selecionada pelo juiz responsável pelo caso da Daslu. Os lances já podem ser feitos de forma online.

“Existe um perito técnico que faz a avaliação da empresa para o leilão. Essa estimativa do valor funciona com uma avaliação de um imóvel. O perito leva em consideração o valor que essa marca já teve no passado e as variáveis do presente. Inicialmente, o montante estava em R$ 1,2 milhão, mas após um tempo foi atualizado pelo juiz para R$ 1,4 milhão”, explica Sidney Palharini Júnior, advogado da Sodré Santoro.

De acordo com ele, caso não haja nenhum interessado até o dia 11, serão abertas mais três oportunidades para lances. Na segunda tentativa, o valor pode cair até 50%, e na terceira o ofertante com o melhor lance leva os ativos, independentemente do valor da avaliação.

A leiloeira Mariana Lauro Sodré Santoro Batochio afirma que a expectativa para o leilão é grande. “É uma marca que abriu portas para o Brasil de grifes importadas que não eram vendidas aqui. Eu acho que ela teve um papel muito importante”, comenta.

“Eu acho que é necessário fazer uma super curadoria, o que era um grande diferencial da Daslu. Era isso que eles vendiam. Então eu acho que esse mix é importante”, completa.

Carolina Lauro Sodré Santoro, também leiloeira da empresa, acredita que o marketing vai ser determinante. “Eu acho que é uma questão de marketing e de posicionamento. Se [o comprador] for um grupo grande e vier com o intuito de fazer a marca renascer, pode dar certo”, diz.

Para elas, o conceito de lojas multimarcas de luxo não existe no país e, se for bem explorado, pode voltar ao glamour do passado.

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