Ibovespa abre em queda com discussões sobre inflação e alta de juros

Em evento realizado nesta manhã, Campos Neto afirmou que a inflação de março foi uma “surpresa” para o BC.

Isabella Velleda
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O Ibovespa opera em queda de 0,74% na abertura do pregão de hoje (11), a 117.442 pontos, às 10h17, horário de Brasília. O índice segue o ritmo dos mercados internacionais, enquanto investidores locais analisam falas de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, sobre a alta dos juros no Brasil.

Em evento realizado nesta manhã, Campos Neto afirmou que a inflação de março, que acelerou para 1,62% e atingiu um recorde de 28 anos para o mês, foi uma “surpresa” para o BC. Diante disso, ele acrescentou que a instituição permanece aberta a analisar cenário se houver algo diferente do padrão.

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O ciclo da alta de juros, que visa conter a inflação, inicialmente seria encerrado em maio, mas Campos Neto vem afirmando que o BC pode rever seus posicionamentos e aumentar o aperto monetário se observar novos choques sobre a inflação.

Ele também comentou que o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos, se não vier acompanhado de uma percepção de crescimento econômico forte, pode ter efeito sobre países emergentes e reverter o fluxo de investimentos para essas nações.

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O dólar opera em queda de 0,36%, sendo negociado a R$ 4,6924 na venda.

Na Ásia, o mercado acionário chinês fechou em queda, atingido pelas restrições de combate à Covid-19 e preocupações sobre a inflação.

Os preços ao produtor e ao consumidor da China subiram mais do que o esperado em março, avançando 8,3% e 1,5% na base anual, respectivamente. A invasão da Ucrânia, gargalos persistentes na cadeia de suprimentos e problemas de produção causados ​​por surtos locais de Covid-19 foram alguns dos fatores por trás das altas.

“O aumento da inflação dos preços de alimentos e energia limita o espaço para o [Banco Popular da China] cortar as taxas de juros, apesar da economia em rápida deterioração”, avaliam analistas do Nomura em nota.

O Hang Seng, de Hong Kong, recuou 3,03%; e o BSE Sensex, de Mumbai, fechou o dia em queda de 0,81%. Já no Japão, o índice Nikkei perdeu 0,61%, enquanto o Shangai, na China continental, caiu 2,61%.

Na Europa, os principais índices operam em baixa. A alta dos rendimentos dos títulos derrubam o setor de tecnologia, enquanto a volatilidade impera na bolsa francesa em meio à expectativa de uma disputa acirrada no segundo turno das eleições presidenciais.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a adversária Marine Le Pen se enfrentaram no primeiro turno das eleições ontem (10), e avançaram para o que promete ser um segundo turno muito acirrado em 24 de abril, colocando em disputa um liberal econômico pró-Europa contra uma nacionalista de extrema-direita.

“Apesar de ter saído na frente, Macron afirma que ‘nada está decidido’ e vê segundo turno como decisivo não só para o país, como também para Europa”, comenta Eduardo Teles, especialista em renda variável da Blue3.

Por volta das 10h17, o Stoxx 600 caía 0,58%; na Alemanha, o DAX perdia 0,76%; na França, o CAC 40 operava em alta de 0,39%; na Itália, o FTSE MIB recuava 0,46%; enquanto, no Reino Unido, o FTSE 100 cedia 0,58%.

No cenário das commodities, os contratos futuros do petróleo caem, ainda acompanhando o impacto na demanda por conta dos lockdowns na China e após a AIE (Agência Internacional de Energia) divulgar planos de liberação de mais óleo de reservas energéticas. (Com Reuters)

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