Bitcoin caiu abaixo de US$ 30 mil: o que explica a queda?

Charles Bovaird
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Imagem mostrando o Bitcoin
Getty

A queda foi de 50% na comparação com o recorde histórico de US$ 69 mil, atingido no final do ano passado.

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O bitcoin sofreu perdas pesadas nos últimos dias, caindo para menos de US$ 30 mil ontem (9), durante um pregão em que os ativos de risco sofreram uma ampla liquidação nos Estados Unidos.

A moeda digital mais famosa do mundo chegou a ser negociada a US$ 29,8 mil (R$ 152,65 mil), o valor mais baixo desde julho. A queda foi de 50% na comparação com o recorde histórico de US$ 69 mil, atingido no final do ano passado. Hoje (10), o bitcoin recuava 0,81%, a US$ 161.629,00 (R$ 827.96,00), por volta das 14h28.

Para explicar essas flutuações de preços, vários analistas apontam o aperto monetário do banco central dos EUA, o que teria feito os investidores fugirem de ativos de risco.

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Os bancos centrais de todo o mundo injetaram trilhões de dólares em estímulos no sistema financeiro global para conter os impactos econômicos da pandemia. Além disso, eles vêm mantendo as taxas de juros de referência baixas há anos, uma diretriz que começou a ser revertida nos últimos meses.

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Entre aumentos de taxas e vendas de ativos, essas instituições financeiras podem ter um impacto significativo nos mercados globais de ativos, que muitos acreditam ter se inflado como resultado dos pacotes de estímulos.

“Com o Fed retirando liquidez do mercado, todos os ativos de risco são correlacionados e vendidos”, afirma Charlie Silver, CEO e presidente da Permission.io.

Joe DiPasquale, CEO da gestora de fundos de hedge de criptomoedas BitBull Capital, faz uma avaliação semelhante. “O aperto da política monetária está fazendo com que os investidores reduzam sua exposição a ativos de risco e a atual correlação do bitcoin com o S&P 500 também o levou à forte queda”, indicou.

Enquanto os dois especialistas se preocupam com as decisões dos bancos centrais, Sam Rule, analista de mercado da Bitcoin Magazine, cita uma gama mais ampla de variáveis macroeconômicas.

“Taxas [de juros] crescentes, o acelerado ritmo de aperto da política monetária para combater níveis sem precedentes de inflação, um fortalecimento do dólar em relação a outras moedas globais e uma deterioração nas perspectivas de crescimento global são as forças macroeconômicas em jogo que estão reduzindo [o valor do] bitcoin”, disse ele.

“A queda do bitcoin se explica principalmente por esses fatores macro e pelos riscos crescentes de uma desalavancagem de crédito global que estão em jogo, em oposição aos fundamentos, adoção e potencial de crescimento [da criptomoeda]”.

Sid Powell, CEO da Maple Finance, um mercado de capital institucional com sede em Sydney, também falou sobre a volatilidade das moedas digitais, comparando esses ativos inovadores com as ações das empresas de tecnologia e os ganhos atraentes que obtiveram.

“Acho importante ter em mente que, no longo prazo, o bitcoin e a indústria de criptomoedas em geral estão passando por um processo bem diferente do que as ações tradicionais estão experimentando agora”, afirmou.

“O mundo das criptomoedas está passando por um período em que a taxa de adoção global está crescendo de forma incrivelmente rápida – talvez o dobro da velocidade em que a própria internet foi adotada nos anos 1990”, observou Powell.

“Se você olhar para as empresas baseadas na internet da década de 1990, elas certamente experimentaram seu período de volatilidade. Mas, quando observado ao longo de uma linha do tempo de vários anos, sua valorização foi nada menos que meteórica.”

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