Bitcoin em queda: o que fazer em meio às perdas da criptomoeda?

Quem comprou o ativo na última queda do mercado, em 2018, vinha se beneficiando da crescente valorização

Frank Holmes
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Criptomoeda caiu mais de 55% desde sua máxima histórica, em novembro de 2021

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Em 2018, aconteceu um fenômeno conhecido como “inverno cripto”. O bitcoin caiu 25% em janeiro daquele ano, enquanto o ether teve três meses seguidos de perdas de dois dígitos.

Neste contexto, podemos lembrar da semana passada como outro grande inverno das criptomoedas, quando a terraUSD, que foi projetada para permanecer em paridade com dólar, perdeu todo o seu valor em um dos colapsos mais rápidos e brutais que já vi.

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Enquanto isso, as ações da exchange de criptomoedas Coinbase, que se tornou pública em abril do ano passado, caíram cerca de 85% em relação ao seu máximo de novembro de 2021, quando o Bitcoin atingiu US$ 68.900,00.

Por mais alarmante que tudo isso pareça, não acredito que agora seja a hora de entrar em pânico. As quedas passadas do mercado de criptomoedas foram muito piores.

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Assim como no passado, os críticos do bitcoin e das criptomoedas em geral já estão comemorando e escrevendo suas opiniões na linha de “eu avisei” no Twitter.

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No entanto, se você tivesse comprado quando eles estavam comemoravam, você teria tido alguns retornos notáveis. No final de 2018, o bitcoin estava à venda por apenas US$ 3.200,00. Mesmo no patamar de US$ 30 mil, no qual o bitcoin está sendo negociado atualmente, a diferença representa um aumento de quase 840%.

É importante ter em mente que já passamos por dolorosas liquidações antes. Afinal, ainda estamos nos estágios iniciais dessa tecnologia, então a volatilidade continua alta.

Em 2018, o valor total do mercado de cripto caiu mais de 87%, levando muitos a declararem as criptomoedas como praticamente mortas. Entre os críticos do bitcoin está Peter Schiff, que publicou uma mensagem no Twitter em novembro daquele ano dizendo para seus seguidores “não cometerem o erro de pensar que comprar #Bitcoin abaixo de US$ 3.800,00 é uma pechincha”.

Bitcoin pode cair mais

O bitcoin tem sido negociado no patamar de US$ 30 mil, mais de 55% de desconto em comparação com sua máxima histórica. Se você gosta da moeda digital, essa é uma boa notícia. Imagine estar de olho em um par de sapatos novos (e controversos) da Balenciaga que são vendidos por US$ 1.850 (R$ 9.372,10). Se a grife reduzisse o preço em 50% amanhã, você provavelmente estaria mais propenso a comprá-los.

Com base no índice de força relativa de 14 dias (RSI), o bitcoin está atualmente sofrendo uma liquidação, mas ela não é tão grande quanto as do passado recente.

Leia mais: Stablecoin instável: como a queda das criptomoedas levou o terraUSD abaixo de US$ 1,00

Por mais atraente que eu acredite que seja esse ponto de entrada, alguns investidores podem optar por esperar que o preço do bitcoin atinja um patamar ainda mais baixo. Historicamente, no entanto, comprar criptomoedas nesses níveis baixos tem sido lucrativo.

Novamente, as criptomoedas ainda são uma classe de ativos que está engatinhando. Alguns investidores de grande nome prevêem que o bitcoin chegará a US$ 100 mil, US$ 1 milhão, ou mais. Pode ser que isso aconteça, mas, por enquanto, seu preço está mais próximo de zero. Isso é tanto um risco, quanto uma oportunidade.

Ações e ETFs sob pressão

Até agora eu tenho focado apenas bitcoin e criptos. A verdade é que eles não são os únicos ativos de risco sob pressão no momento.

As ações de tecnologia, em particular, sofreram um duro golpe quando o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, sinalizou um ciclo de aperto mais agressivo – sem falar nas interrupções globais na cadeia de suprimentos, que ainda persistem.

As ações da Virgin Galactic, do bilionário Richard Branson caíram cerca de 88% em relação à máxima histórica. Os papéis da Robinhood estão com 87% de desconto; a empresa de equipamentos de ginástica Peloton registra perdas de 84%; as ações do Pinterest recuaram 74%.

O popular ETF Invesco QQQ, que acompanha o Nasdaq 100, perdeu cerca de um quarto de seu valor este ano. O ETF ARK Innovation, de Cathie Wood, caiu aproximadamente 55% desde o início de 2022.

Abril foi de fato o mês mais cruel para os emissores de ETFs. De acordo com o Financial Times, as entradas líquidas em ETFs globais caíram de US$ 117,4 bilhões (R$ 592 bilhões) em março, para US$ 27,4 bilhões (R$ 136 bilhões) em abril, o menor volume mensal desde o início da pandemia.

Os ETFs de ações com sede nos EUA tiveram saídas líquidas de US$ 25,6 bilhões (R$ 126 bilhões) em abril. Os investidores retiraram US$ 10,2 bilhões (R$ 50 bilhões) apenas do ETF Vanguard S&P 500 (VOO), que acabou tendo a maior queda mensal de todos os produtos Vanguard já registrados.

E, no entanto, poucos ou nenhum diriam que esses papéis estão “mortos” ou são “muito arriscados”.

Em meio a tudo isso, o ouro demonstrou resiliência

Apesar dos colapsos que estão acontecendo ao nosso redor, o ouro permaneceu altamente resiliente. No acumulado do ano, o metal caiu 1%. Isso ajudou investidores experientes a compensar algumas das perdas que podem ter sofrido até agora.

Se você está preocupado com uma recessão, o ouro pode ser uma opção. Como já mostrei antes, o ouro e as ações de mineradoras de ouro superaram as companhias do S&P 500 nas últimas quatro retrações econômicas nos EUA, entre 1987 e 2020. É exatamente por isso que a maioria das pessoas investe no metal, como reserva de valor.

Como sempre, recomendo uma ponderação de 10% em ouro, com 5% em ouro físico e 5% em ações de mineração de ouro de alta qualidade, fundos mútuos e ETFs.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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