Chinesa Evergrande tenta pagamentos escalonados e swaps de dívida para US$ 19 bi em títulos

A Evergrande, que já foi a maior incorporadora da China, montou um comitê de gerenciamento de risco em dezembro

Reuters
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Fachada do prédio da Evergrande, na China

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O grupo China Evergrande está considerando pagar US$ 19 bilhões devidos a detentores de títulos internacionais da empresa por meio de parcelas em dinheiro e ações de duas subsidiárias listadas em Hong Kong, disseram duas fontes. A empresa é a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo.

Toda a dívida internacional de US$ 22,7 bilhões da Evergrande, incluindo empréstimos e títulos privados, é considerada inadimplente depois que a empresa deixou de pagar obrigações no final do ano passado. A companhia disse em março que apresentaria uma proposta preliminar de reestruturação da dívida até o final de julho.

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Como parte da proposta, a Evergrande pretende pagar aos credores dos títulos internacionais o principal e os juros por meio da troca dos papéis por novos títulos, que serão pagos em parcelas ao longo de um período de sete a 10 anos, disse uma das fontes.

Os credores internacionais também poderão trocar uma parte da dívida por participações na unidade de serviços imobiliários Evergrande Property e na fabricante de veículos elétricos China Evergrande New Energy Vehicle, disseram as duas fontes.

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A primeira fonte disse que até 20% da dívida internacional poderá ser trocada por ações dessas duas unidades. As propostas de reestruturação estão, no entanto, numa fase inicial e estão sujeitas a alterações, acrescentou a fonte.

A Evergrande, que já foi a maior incorporadora da China, montou um comitê de gerenciamento de risco em dezembro composto principalmente por membros de empresas estatais, já que o governo da província de Guangdong está liderando a reestruturação.

A Evergrande e o governo da província de Guangdong não responderam ao pedido de comentário da Reuters. O banco de investimentos Moelis & Co e o escritório de advocacia Kirkland & Ellis, consultores de um grupo de detentores de títulos internacionais da Evergrande, também não responderam.

O conglomerado está cambaleando sob o peso de mais de US$ 300 bilhões em passivos e se tornou símbolo da crise do setor imobiliário da China, ao passar de um prazo de pagamento perdido para outro.

A Evergrande, que começou a conversar com detentores de títulos offshore no início deste ano sobre a proposta de reestruturação, pretende finalizar o plano até julho e assinar os acordos com investidores até dezembro, disse a primeira fonte.

“O presidente (da Evergrande) Hui Ka Yan espera que os detentores de títulos aceitem a proposta, pois não há muitos ativos no exterior que possam ser vendidos imediatamente para pagar as dívidas”, disse a fonte.

Não está imediatamente claro como a Evergrande poderá garantir dinheiro suficiente para implementar o plano de pagamento em dinheiro. A empresa viu as vendas contratadas caírem 39% em 2021 em relação ao ano anterior.

A maioria dos títulos em dólar da Evergrande era negociada a cerca de 10 centavos de dólar nesta sexta-feira.

As ações da Evergrande Property Services e da Evergrande New Energy Vehicle, bem como da controladora, foram suspensas por cerca de dois meses. Nenhuma das empresas apresentou ainda os resultados financeiros de 2021 porque os trabalhos de auditoria não foram concluídos.

A unidade de gestão de propriedades também está sob investigação interna desde março para descobrir como os bancos retiveram seus 13,4 bilhões de iuans em depósitos que foram dados como garantia a terceiros.

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