Getnet (GETT11) quer sair da Bolsa: outras companhias seguirão?

Empresa de maquininhas de cartão que fez IPO em 2021 informou intenção de tirar seus papéis da B3 e da Nasdaq

Naty Falla
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IMAGINESTOCK/Getty Images
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Segundo especialistas, a empresa de meios de pagamentos não deve ser a última novata da Bolsa a deixar o mercado.

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Após apenas sete meses da estreia na Bolsa de Valores, a Getnet (GETT11), controlada direta da PagoNxt Merchant Solutions, subsidiária integral do Santander (SANB11), comunicou na última quinta-feira (19) sua intenção de fechar o capital. Segundo especialistas, a empresa de meios de pagamentos não deve ser a última novata da Bolsa a deixar o mercado.

Em fato relevante publicado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou a “intenção de realizar uma oferta pública de cancelamento de registro no Brasil e uma oferta pública de deslistagem nos Estados Unidos”. Ou seja, ela planeja sair da B3 e da Nasdaq, onde eram negociados ADRs.

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Pedro Lang, head de renda variável da Valor Investimentos, explica à Forbes que essa movimentação geralmente acontece em momentos em que o mercado está mais volátil, como o atual cenário de alta de juros, baixo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e inflação subindo.

“Essa mudança ocorre após momentos de euforia, como foi visto nos últimos seis anos. De certa maneira, não ficamos nem um pouco surpresos”, ressalta o especialista.

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Cenário esperado para os próximos meses

Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed, afirma que esse movimento de saída da Bolsa pode continuar se os controladores entenderem que os preços das ações estão baratos.

“Eles podem solicitar a deslistagem para voltar a ter a totalidade do controle e da posse das ações. Sabemos que há muitas despesas envolvidas em manter uma empresa listada em Bolsa, como contratar uma equipe de Relações com Investidores e contadores especializados em companhias de capital aberto”, ressalta o especialista.

Lang, da Valor Investimentos, espera mais saídas neste ano. No entanto, para ele, o desempenho do índice será pouco afetado, uma vez que a maioria das empresas afetadas não fazem parte da carteira do Ibovespa ou do IBRX (Índice Brasil 100).

“São empresas menores ou que entraram há pouco na Bolsa. Ou seja, a interferência é baixa, apesar de ser ruim para os investidores, que têm menos uma opção de papel”, diz.

Quais serão as próximas empresas?

Segundo Petrokas, da Quantzed, as microcaps (empresas com baixa capitalização de mercado) são as mais propensas a pedir deslistagem. As companhias que abriram capital recentemente, especialmente em 2021, época em que houve recorde de IPOs (Oferta Pública Inicial, em português), também integram o grupo das possíveis saídas.

No ano passado, os juros estavam nas mínimas históricas, o que fez com que a precificação saísse a múltiplos altos. “Boa parte dessas empresas, como Nubank (NU), Infracommerce (IFCM3), Allied (ALLD3), Livetech (LVTC3) e Dotz (DOTZ) apresentam quedas significativas desde a abertura de capital”, exemplifica o especialista.

Para Lang, o setor de tecnologia e de manufatura são os mais propensos a serem alvos de uma oferta pública de aquisições (OPA) — movimento contrário ao IPO. Principalmente empresas que recentemente levantaram caixa para abrir capital e cujas ações têm tido uma performance ruim.

“Para elas, é esperado que haja recompras ou até mesmo o fechamento de capital nos próximos meses. Empresas também muito endividadas são alvos. Além disso, há os casos das empresas que fecham o capital para voltar numa janela melhor, por exemplo”, diz o especialista.

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