Eletrobras e créditos tributários impactam no reajuste de 3 distribuidoras

A Aneel aprovou hoje (21) reajustes tarifários médios para as distribuidoras Cemig, Copel e RGE Sul.

Reuters
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Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Unidade de distribuição de energia elétrica.

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O aporte de R$ 5 bilhões da Eletrobras (ELET3 e ELET6) para contenção tarifária e a devolução de créditos tributários aos consumidores de energia elétrica contribuíram de forma relevante para reduzir os reajustes anuais de três distribuidoras.

A agência reguladora Aneel aprovou hoje (21) reajustes tarifários médios para o ano de 2022 de 8,80% para a Cemig (CMIG4), de 10,98% para a RGE Sul e de 4,90% para a Copel (CPLE6).

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Os índices ficaram bem abaixo das altas superiores a 20% homologadas para várias distribuidoras no início do ano, que provocaram insatisfação e reação de parlamentares.

Nesses três casos, o principal fator de atenuação das tarifas foi a reversão, aos consumidores, de créditos tributários decorrentes da “tese do século” do STF (Supremo Tribunal Federal), que decidiu excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.

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Na Cemig, a devolução desses créditos reduziu em 15,20 pontos percentuais os componentes financeiros embutidos no cálculo das tarifas da concessionária. Na RGE Sul, o efeito foi de 7,30 p.p. negativos, e na Copel, de 13,3 p.p. negativos.

Já o aporte de R$ 5 bilhões da Eletrobras para contenção tarifária em 2022, previsto no processo de privatização da elétrica, ajudou a reduzir em pouco mais de 2 p.p. os reajustes das três distribuidoras e da Energisa Minas Gerais, que também teve seu reajuste aprovado nesta terça-feira.

Pela lei de privatização, a Eletrobras deverá injetar R$ 32 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) até 2047.

Energisa

Outras duas distribuidoras, Energisa Minas Gerais e Energisa Nova Friburgo, tiveram reajustes aprovados hoje.

Os índices de 16,57% e 19,19%, respectivamente, ficaram acima dos das demais concessionárias por não considerarem a aplicação de algumas ações de redução tarifária.

A Energisa Minas Gerais ainda não possui créditos tributários para devolver aos consumidores, já que suas ações sobre o tema na Justiça não têm trânsito em julgado (sentença que não permite a aplicação de novos recursos). Já a distribuidora de Nova Friburgo não foi impactada pelo aporte da Eletrobras na CDE.

Reduções tarifárias

Os diretores da Aneel ressaltaram a importância das ações recentes para reduzir as tarifas, em meio a um quadro de pressão inflacionária.

O diretor Helvio Guerra observou que houve um esforço coletivo de Aneel, Congresso e governo, e ressaltou que o teto para cobrança de ICMS deverá ter um efeito relevante em reajustes futuros. A medida foi aprovada pelo Congresso e aguarda sanção presidencial.

Já a diretora-geral interina da Aneel, Camila Bomfim, destacou a necessidade de se rediscutir o escopo da CDE, fundo do setor elétrico custeado pela conta de luz que banca políticas públicas e subsídios.

“Ainda tem muito a discutir, se de fato aqueles subsídios devem permanecer, por quanto tempo, e se alguns deles não poderiam ser transferidos ao Orçamento da União… É um diálogo que vale a pena abrir”, disse Bomfim.

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