Após fim de negociação com Enjoei, Gringa quer se manter independente

A empresária e atriz Fiorella Mattheis contou à Forbes os próximos passos do seu recommerce de luxo.

Monique Lima
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Foto: Gringa/ Divulgação
Foto: Gringa/ Divulgação

Fiorella Mattheis, fundadora da Gringa, fala sobre os planos do brechó de luxo.

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Há um mês, o marketplace de usados Enjoei (ENJU3) anunciou a suspensão do acordo de R$ 14,25 milhões para adquirir a plataforma de recommerce da empresária e atriz Fiorella Mattheis, a Gringa. O negócio não foi para frente porque mais acionistas do que o previsto decidiram resgatar o dinheiro ao invés de manter suas posições, segundo o comunicado oficial.

Embora a empresa tenha afirmado que tinha intenções de retomar as negociações com a Gringa, para Mattheis esse capítulo está mais do que encerrado. Em sua primeira entrevista após o fim das negociações, a empresária contou à Forbes que daqui para frente seus planos são baseados unicamente na independência do brechó de luxo.

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Nascida 100% digital em 2020, a plataforma de revenda de artigos de luxo completa dois anos neste mês e já sabe para onde quer caminhar. Os próximos passos da Gringa vão em direção de um modelo misto entre online e offline, com uma posição mais forte em uma nova localidade: São Paulo.

No segundo semestre de 2022, a empresa irá inaugurar um escritório na região do Itaim Bibi — área nobre da cidade paulistana — para dividir as operações com a sede que fica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O local, além de servir como estoque e centro de distribuição dos itens, será um espaço dedicado ao atendimento de clientes que compram e vendem itens de luxo.

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“O espaço físico é muito estratégico para a Gringa. Muitas clientes buscam o lugar físico para um primeiro contato e depois passam a usar o site. Mais do que um ponto de operação, o escritório em São Paulo também vai servir para atender essas clientes”, conta Mattheis.

A plataforma de recommerce também vai receber um choque de tecnologia e inovação. O time de funcionários, atualmente de 42 pessoas, irá crescer nas áreas de TI e projetos para colocar novas estratégias de crescimento em ação.

Está previsto para o final deste ano o lançamento da primeira loja pop-up em São Paulo. As duas exposições anteriores (de 2020 e 2021) foram realizadas no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. A agenda de 2022 da Gringa também inclui eventos de moda, exposições com collabs e outras estratégias voltadas para captação de público.

Mais adiante, Mattheis também quer furar a bolha São Paulo-Rio de Janeiro. A Gringa já vendeu para todos os estados do Brasil e a busca por público também abarca outros centros urbanos.

“Nós vamos olhar para essas praças com mais clientes, onde fazemos mais entregas, e trabalhar com lojas itinerantes, eventos e exposições para trazer nossas clientes mais para perto”, diz a empresária.

Para colocar todos os planos em prática, Mattheis vai contar com um apoio financeiro já conhecido. Lá em 2020, cinco investidores anjos aportaram no projeto para tirar a Gringa do papel. Depois do fim da negociação com o Enjoei, esses mesmos investidores se dispuseram a fazer novos investimentos na empresa.

A fundadora não divulgou os valores, mas afirmou que a rodada está fechada e é suficiente para uma nova decolagem.

Um caminho sem volta

Um levantamento deste ano sobre o mercado de revenda feito pela ThredUp — uma das lojas de segunda mão mais antigas dos EUA, que tem capital aberto na Bolsa de Nova York — mostra que a revenda de moda cresceu 215% entre 2012 e 2021, enquanto as vendas tradicionais avançaram 24%.

A projeção é que o mercado de segunda mão atinja US$ 218 bilhões (R$ 1,12 trilhão) até 2026. Para 2022, é esperado um crescimento de 25% frente ao ano passado, para US$ 119 bilhões (R$ 612,32 bilhões).

O estudo aponta ainda a América do Norte, a Europa e a Ásia como os continentes onde a compra e venda de peças usadas é mais comum. América do Sul, África e Austrália ficam para trás.

Fiorella Mattheis constatou esse atraso do Brasil ante os EUA e os países europeus três anos atrás, quando teve a ideia de empreender e fundar a Gringa. O objetivo da atriz e empresária agora é consolidar a sua marca de revenda de luxo e ocupar esse espaço vago no Brasil.

“Os brasileiros ainda precisam de muita educação no que diz respeito ao mercado de segunda mão. Peças conservadas e bem cuidadas valem dinheiro. Peças de luxo, como as que vendemos, têm muita liquidez. Tem itens que quando anunciamos no site eles são vendidos em questão de minutos”, conta Mattheis.

Com dois anos no ar, a Gringa vendeu 7 mil itens de luxo entre bolsas, sapatos, acessórios, joias e roupas de marcas como Louis Vuitton, Gucci, Balenciaga e Fendi. O site alcançou nos últimos meses 260 mil sessões e 1 milhão de pageviews, com uma taxa de crescimento entre 10% e 15% mês a mês.

Nos últimos doze meses, a plataforma registrou R$ 22 milhões em GMV (volume bruto de mercadoria). Mattheis conta que a receita cresceu quatro vezes nesse período, sem revelar o valor.

“Temos uma base de clientes muito fiéis, com uma taxa mensal de recorrência de compra de 40% do faturamento. E cada dia mais pessoas nos buscam oferecendo os seus itens para venda. Nosso estoque tem 80% de giro de três em três meses e já chegou a 4 mil peças.”

A fundadora da Gringa associa esse crescimento à curiosidade dos brasileiros com os artigos de luxo. Segundo Mattheis, muitas de suas clientes tiveram seu primeiro contato com uma peça de luxo por meio da Gringa e, ao constatar a qualidade do produto, elas voltam.

“O mercado de luxo tem essa característica de produzir itens de qualidade, boa matéria-prima, alta costura, e são produtos que duram anos. Eu já vendi bolsas aqui na Gringa que eram mais velhas do que eu, aos meus 34 anos, e estavam perfeitas. Para muitas pessoas, comprar essas peças de segunda mão por metade do preço, ou até menos, é uma oportunidade única”, diz a fundadora.

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