IPCA sobe menos que o esperado em maio com alívio em energia, mas segue perto de 12% em 12 meses

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Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) – A alta dos preços no Brasil ficou abaixo das expectativas em maio, com alívio na inflação de alimentos e de combustíveis e queda nas contas de energia, voltando a ficar abaixo de 12% em 12 meses, embora ainda esteja mais de duas vezes acima da meta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou a alta a 0,47% em maio, de 1,06% em abril, marcando a taxa mensal mais baixa desde abril de 2021 (+0,31%).

A leitura divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,60%.

Esse resultado levou a inflação em 12 meses a acumular alta de 11,73%, contra 12,13% no mês anterior e projeção de 11,84%.

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Ainda assim, isso representa mais de duas vezes o teto da meta oficial para a inflação este ano, que é de 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Na busca pelo controle da inflação, o Banco Central vem apertando a política monetária enquanto o governo vem buscando medidas para aliviar os preços, como cortes de tributos. No entanto, ainda há pressões inflacionárias derivadas do cenário internacional, com lockdowns na China e sanções contra a Rússia devido à guerra na Ucrânia.

“No geral, acreditamos que a leitura reforça nossa visão de que a inflação chegou a um pico em termos anuais, mas medidas subjacentes continuam bastante desfavoráveis, sugerindo riscos de alta”, destacou o economista do Santander Daniel Karp.

QUEDAS

Em maio, os preços de alimentos e bebidas tiveram alta de 0,48% depois de subirem 2,06% em abril. Houve quedas expressivas em produtos como tomate (-23,72%), cenoura (-24,07%) e batata-inglesa (-3,94%).

“No primeiro trimestre tivemos muita chuva que atrapalha a oferta de alimentos. Com o tempo mais seco há uma melhora de oferta e redução de preços”, explicou o gerente do IPCA, Pedro Kislanov.

A pressão dos combustíveis também foi menor, com os preços subindo 1,0% no mês depois de dispararem 3,20% em abril, após altas expressivas nos preços das refinarias em março que foram repassadas ao consumidor. O destaque foi a gasolina, que subiu 0,92% em maio depois de alta de 2,48% no mês anterior.

Apesar disso, o grupo Transportes ainda subiu 1,34% em maio, pressionado principalmente pelo aumento de 18,33% nos custos das passagens aéreas.

O único grupo que registrou queda de preços em maio foi Habitação, de 1,70%, devido à redução de 7,95% nas contas de energia com a mudança de bandeira tarifária.

No entanto, para junho as contas de energia podem não cair tanto, já que não haverá mais o efeito da troca de bandeira, de acordo com Kislanov. Além disso, para o mês que vem entrará na conta o reajuste dos planos de saúde.

O grupo com maior variação em maio foi o de Vestuário, com alta de 2,11%, enquanto os preços de serviços aceleraram a alta a 0,85% em maio, ante 0,66% em abril.

Os dados do IBGE mostraram ainda que o índice de difusão dos preços permaneceu elevado em maio, embora tenha caído a 72% de 78% em abril, destacando como a inflação está espalhada entre os produtos.

O Banco Central já elevou a taxa básica de juros Selic a 12,75%, e reconheceu que há uma deterioração na dinâmica inflacionária do Brasil. Novos aumentos da Selic este ano são esperados e o BC volta a se reunir em meados de junho para reavaliar a política monetária.

“Do ponto de vista do Banco Central, a dinâmica da inflação entre as reuniões do Copom foi bastante desfavorável, o que deve fazer com que novas altas de juros no segundo semestre continuem na mesa”, avaliou Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos.

Uma política monetária mais apertada tende a moderar os gastos dos consumidores e, consequentemente, conter a alta dos preços, mas por outro lado restringe a atividade econômica.

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