Itaú vê alta no PIB até 1,6% de 2022, mas alerta sobre inflação e fiscal

Banco identifica atividade econômica robusta, mas não espera desinflação de preços livres no segundo semestre desse ano.

Reuters
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Bruno Domingos/Reuters
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Atividade econômica do primeiro semestre melhora a previsão, mas ainda há desafios para o segundo semestre. 

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O Itaú Unibanco (ITUB4) revisou para cima sua projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2022, a 1,6%, mas piorou suas estimativas de inflação tanto para este ano quanto para o próximo e alertou sobre impactos negativos sobre a saúde fiscal do país de iniciativas de redução de impostos.

Em cenário anterior, o Itaú esperava crescimento de 1,0% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A melhora na previsão foi justificada por uma “atividade econômica robusta no primeiro semestre”, disse em relatório o banco, que espera, contudo, desaceleração a partir da segunda metade do ano, citando expectativa de “queda da renda disponível das famílias” e “evidências mais fortes do efeito contracionista da política monetária”.

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Para 2023, foi mantido prognóstico anterior de “modesto” crescimento econômico de 0,2%.

Já a previsão do Itaú para a alta do IPCA em 2022 subiu ligeiramente, a 8,7%, de 8,5% antes. “Do lado altista, a revisão reflete principalmente uma menor desinflação de preços livres no segundo semestre desse ano”, afirmou a instituição, embora também tenha incorporado, do lado baixista, os efeitos de medidas de redução de impostos atualmente em discussão no Congresso.

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Segundo o banco, o balanço de riscos para a inflação deste ano ainda é assimétrico para cima.

Para o ano que vem, a revisão da alta do IPCA foi mais intensa, a 5,6%, contra 4,2% anteriormente, resultado que deixaria a inflação ao consumidor acima do teto da meta oficial para o período. “Incorporamos a reversão da redução de tributos federais em 2022, além de reajustes mais altos em preços administrados e menor desinflação de serviços”, afirmou o Itaú.

Os objetivos de inflação perseguidos pelo Banco Central são de 3,50% para 2022 e 3,25% para 2023, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Com a inflação “elevada, persistente e disseminada”, o Banco Central deve continuar elevando a taxa Selic, prevê o Itaú, que não alterou o cenário de alta de 0,50 ponto percentual na reunião de política monetária desta semana e ajuste adicional na mesma magnitude em agosto, o que levaria os juros básicos a 13,75% ao ano.

Na frente fiscal, o Itaú piorou sua projeção para o resultado primário de 2022 para zero, contra superávit de 0,5% do PIB (45 bilhões de reais) previsto anteriormente.

“A maior inflação e crescimento econômico esperados aumentam a arrecadação, mas esta alta deve ser mais que compensada pelas medidas de redução de tributos” atualmente em discussão no Congresso, afirmou o banco no relatório. Seu cenário prevê a implementação das medidas de isenção do PIS/Cofins da gasolina e do etanol e a compensação da União aos Estados pela zeragem do ICMS sobre combustíveis.

“Entendemos que a renúncia de arrecadação, sem compensação do lado das despesas, antes do atingimento de superávits fiscais compatíveis ao menos com a estabilidade da dívida pública no longo prazo é uma estratégia que implica certo risco, em meio a um endividamento público elevado e indefinição do arcabouço fiscal.”

O Itaú espera que a dívida bruta do Brasil fique em 79% do PIB em 2022 e depois suba para 82% do PIB em 2023.

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