Preços de imóveis disparam 20,6% nos EUA, maior alta do século

Baixas taxas de juros contribuíram com o crescimento acelerado do mercado imobiliário norte-americano durante a pandemia

Jonathan Ponciano
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Associated Press
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Em Tampa, na Flórida, os preços saltaram 34,8% ano a ano, colocando a cidade no topo da lista dos maiores ganhos

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Embora o aumento das taxas de juros tenha começado a diminuir a demanda no mercado imobiliário, os preços dos imóveis nos Estados Unidos ainda dispararam à taxa mais alta em 35 anos em março, de acordo com dados do setor divulgados ontem (31). Especialistas avaliam que ainda é muito difícil saber quando eles irão esfriar.

Os preços dos imóveis em todo o país subiram 20,6% em março na base anual, avançando 2,6% em relação ao mês anterior, quando os preços subiram 20% ano a ano, de acordo com o S&P CoreLogic Case-Shiller Indices.

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Os preços nas maiores cidades do país aumentaram ainda mais rapidamente, com o índice Case-Shiller 20-City, que mede os preços em cidades como Nova York, Los Angeles e São Francisco, subindo 21,2%.

As cidades de Tampa, Phoenix e Miami registraram os maiores ganhos anuais entre as 20 cidades avaliadas pelo índice em março, com os preços das casas em Tampa saltando 34,8% ano a ano e ultrapassando Phoenix, que revelou um aumento de 32,4% e registrou os maiores ganhos no país por quase três anos.

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“Aqueles de nós que estão antecipando uma desaceleração nos preços das casas nos EUA terão que esperar pelo menos mais um mês”, disse o diretor-gerente da S&P DJI, Craig Lazzara, em comunicado ontem, apontando que os preços cresceram no ritmo mais rápido em mais de 35 anos.

“Embora se possa prever com segurança que o aumento de preços começará a desacelerar, o momento da desaceleração é mais difícil de saber”, diz Lazzara.

“As hipotecas estão se tornando mais caras à medida que o Federal Reserve [banco central norte-americano] aumenta as taxas de juros, sugerindo que o ambiente macroeconômico pode não suportar o crescimento extraordinário dos preços por muito mais tempo”, acrescenta.

Taxas de poupança historicamente altas, estímulos do governo, diminuição da oferta e baixas taxas de juros ajudaram a desencadear um frenesi de compra de imóveis durante a pandemia, mas há sinais de desaceleração à medida que o Fed inicia o seu ciclo de alta de juros mais agressivo das últimas duas décadas.

Na semana passada, novos dados mostraram que as vendas pendentes de imóveis caíram pelo sexto mês consecutivo em abril para o nível mais baixo em quase uma década, enquanto as vendas de imóveis novos no mês passado caíram quase 17% em relação a março. Antes da pandemia, os preços das casas subiam menos de 4% anualmente.

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