Prestes a ir para Nasdaq, Banco Inter se diz resiliente a riscos globais

Em entrevista à Forbes Brasil, a CFO Helena Caldeira afirmou que a empresa está preparada para o cenário adverso

Naty Falla
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Helena Caldeira, CFO do Inter.

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Às vésperas de negociar suas ações na Bolsa de tecnologia Nasdaq, o Banco Inter está prestes a se deparar com um cenário desafiador nos Estados Unidos. Segundo uma pesquisa do Goldman Sachs, investidores estão mais pessimistas com a economia norte-americana e preveem um maior risco de recessão.

Apesar dos alertas de especialistas de que o momento é de cautela por causa da alta inflação e do aperto monetário nos Estados Unidos, Helena Caldeira, CFO do Inter, afirma que a empresa está tranquila para realizar a migração neste momento.

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“Entendemos que nossa estrutura é isenta ao ambiente adverso, já que o que buscamos é um efeito a longo prazo, sem a necessidade de ter acesso a mais capital. Isso nos deixa mais tranquilos”, diz ela à Forbes Brasil.

Na última quarta (15), o Fomc (Comitê de Política Monetária do Federal Reserve) aumentou os juros do país em 0,75 ponto percentual, maior elevação desde 1994. O reajuste impacta as ações de tecnologia, já que essas empresas são conhecidas por dependerem de crédito para financiar seu crescimento. O índice Nasdaq acumula queda de 31,80% neste ano.

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Marcelo Cabral, especialista em mercado externo e CEO da Stratton Capital, diz que o banco vai encontrar um mercado com aversão a risco, o que tende a pressionar as ações de empresas pequenas em termos de capitalização. “Lá fora, o Inter será uma empresa pequena em comparação com as gigantes de tecnologia que compõem o índice”.

Além disso, ele afirma que o mercado ainda não precificou a probabilidade de recessão e a queda do Nasdaq tende a piorar nos próximos meses.

“A gente tem uma inflação persistente nos Estados Unidos que contaminou, inclusive, o custo da mão de obra, o que faz com que a inflação vire uma bola de neve. Além disso, o Federal Reserve perdeu a credibilidade perante o mercado, já que ele demorou muito para reagir para tentar conter a inflação”, diz o especialista.

Para Caldeira, no entanto, o foco do Inter é outro. Com a migração, a companhia pretende aumentar a visibilidade da empresa e entregar um crescimento nos negócios, com perspectiva de aumento na base de correntistas, além de uma maior utilização dos serviços. “Queremos mostrar para o mercado a evolução do nosso negócio e que estamos sim preparados para entrar em um cenário adverso”.

Também é esperado que a empresa busque mais liquidez para investidores e, passado todo o projeto estratégico, o banco concentrará seus esforços nas entregas operacionais. “Planejamos continuar entregando crescimento, com expectativa de chegar a 24 milhões de correntistas até o final do ano e começar a capturar mais visivelmente os benefícios de alavancagem operacional, crescendo receitas em um patamar mais forte”, diz a CFO.

No entanto, para Guilherme Zanin, estrategista da Avenue Securities, investidores podem começar a se perguntar nos próximos meses se vale a pena investir em um neobank que promete um elevado crescimento mas que não tem necessariamente um resultado positivo consolidado, já que os juros no país devem sofrer ainda mais dois ou três aumentos.

O especialista avalia que os papéis do Banco Inter provavelmente chegarão em Wall Street com valores “bem mais baratos”, já que existe atualmente um ceticismo em relação à possibilidade de crescimento das empresas do setor tech e de elas gerarem lucros para os acionistas.

Para a executiva, porém, o segredo para passar por cima dos desafios globais, como o aperto monetário, está na diversificação de receitas.

“Quando fizemos a mudança do modelo de negócio para virar um banco digital, queríamos justamente ser mais resilientes do que apenas um banco médio no Brasil. A gente queria ter diversificação de receitas, o que de fato aconteceu e nos deixa protegidos”, diz Caldeira.

A CFO afirma que a migração para a Nasdaq é um plano de longo prazo que visa acesso futuro a capital. “Quando a gente olha para os nossos resultados atuais, vemos que eles são frutos de tudo que a gente vem implementando e consegue capturar no curto prazo. Já a migração trará resultados futuros, além de trazer uma grande visibilidade para o nosso negócio”.

Calendário de negociações

Os acionistas do Banco Inter tiveram até o dia 20 de maio para escolher se trocavam as ações por BDRs (INBR31) listados na B3 ou se recebiam o valor dos papéis em dinheiro.

Hoje, a instituição começou a negociar seus certificados na Bolsa brasileira e, com isso, os três ativos BIDI3, BIDI4 e BIDI11 foram consolidados em um único. Na estreia, os Brazilian Depositary Receipts de Inter&Co fecharam a sessão em alta de 1,92%, a R$ 21,20.

A partir da próxima quarta (22), os acionistas poderão pedir às corretoras para converter o BDR em INTR, ticker negociado no índice Nasdaq, nos Estados Unidos. Para isso, é preciso já possuir ações da companhia, além de uma conta internacional de investimentos. A partir da próxima quinta (23), os papéis do banco começarão a ser negociados na Nasdaq.

“Estamos animados com a migração, que foi exatamente o que os acionistas votaram na assembleia. Eles entenderam que esse era um passo importante no longo prazo para a companhia. Agora é a hora de fazer todo o processo acontecer”, conclui a CFO.

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