Subsídio para amortecer alta de commodities é boa solução, mas gera risco, diz Campos Neto

Ele ressaltou que o cenário atual tem sinais vermelhos nas áreas de energia e alimentos, com investimentos travados e impacto sobre preços

Reuters
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Adriano Machado/Reuters
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Neto disse que não é viável deixar os preços flutuarem até alcançarem equilíbrio

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A implementação de subsídios para mitigar os impactos sociais da alta das commodities é uma boa solução, disse hoje (1º) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ponderando que medidas nesse sentido carregam risco de se tornarem gastos públicos permanentes.

Em painel do BIS (Banco de Compensações Internacionais) sobre o papel dos bancos centrais na transição verde, Campos Neto apresentou possíveis alternativas para governos lidarem com a disparada de preços desses insumos.

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Ao afirmar que o Brasil tem ganhos nesse cenário por produzir mais commodities do que consome, ele ponderou que há o lado negativo na área social, com impacto sobre a população mais pobre.

Campos Neto disse que países podem ser liberais e deixar os preços flutuarem até alcançarem equilíbrio, mas avaliou que essa alternativa não é socialmente ou politicamente viável.

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A segunda opção, que tem tido a preferência de países segundo ele, é a interferência em preços de commodities, como petróleo e energia.

O presidente do BC voltou a dizer, porém, que essa ideia impacta negativamente investimentos e compromete o setor produtivo.

“Você pode adotar a terceira solução, que é transferir parte do choque positivo para resolver os problemas sociais por meio de subsídios. Essa é uma boa solução, mas o problema é que uma vez criado o subsídio, há o risco de se tornar um gasto permanente”, disse.

Na apresentação, Campos Neto também afirmou que o Banco Central vai monitorar e divulgar riscos gerados pelas mudanças climáticas e ameaças desses eventos para a estabilidade financeira.

Em setembro do ano passado, o BC anunciou novas regras que obrigam os bancos a incorporar a seus testes de estresse riscos relacionados a eventos como secas, inundações e incêndios, a partir de julho de 2022.

Para o presidente do BC, o Brasil está muito conectado com a volatilidade de preços de alimentos e viveu vários eventos climáticos recentemente que impactam o setor, junto com a pandemia de Covid-19.

Além do monitoramento de riscos climáticos, o presidente do BC disse que a autarquia desenvolve outros projetos na área de sustentabilidade. Entre eles, citou o bureau verde, sistema de crédito rural sustentável dentro do arcabouço do open finance, com critérios sociais, ambientais e climáticos.

Campos Neto afirmou que o redesenho das cadeias globais de valor gerado pela pandemia e a guerra na Ucrânia vai consumir mais energia e ser menos eficiente. Ele ressaltou que o cenário atual tem sinais vermelhos nas áreas de energia e alimentos, com investimentos travados e impacto sobre preços.

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