Wall Street em baixa: quais os melhores setores para investir?

Tecnologia, finanças e mercado imobiliário são as principais recomendações, embora momento para comprar seja incerto

Isabella Velleda
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Matteo Colombo/Reuters
Matteo Colombo/Reuters

As ações de tecnologia estão entre as mais desvalorizadas do ano

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Na última segunda-feira (13), o índice norte-americano S&P 500 confirmou a sua entrada no chamado “mercado em baixa”, acumulando um declínio de 21,8% desde o início do ano. O momento abre oportunidades para investimentos em setores desvalorizados que devem se recuperar no futuro, embora ainda não seja claro se as perdas estão perto de acabar.

Em uma nota ao mercado nesta semana, a gestora BlackRock disse que ainda não está pronta para “sair às compras”, afirmando que ainda há muitos riscos por conta do ciclo de aperto monetário do Federal Reserve, banco central norte-americano, e da pressão sobre as margens de lucro das empresas.

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Por isso, em um horizonte de seis a 12 meses, a recomendação da gestora em relação às ações é neutra. “Analistas esperam que as empresas do S&P 500 aumentem os lucros em 10,5% este ano, segundo dados da Refinitiv. Isso é otimista demais, em nossa opinião”, afirmou a BlackRock em nota.

“A bolsa norte-americana realmente parece mais atrativa”, diz Pietra Guerra, analista de mercados internacionais da XP Investimentos. “Mas reforçamos a mensagem de que não é hora de o investidor querer ser herói. A cautela ainda se faz necessária pois há espaço para mais quedas e volatilidade.”

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Porém, para os investidores que já querem começar a planejar as suas posições no mercado acionário norte-americano, especialistas consultados pela Forbes indicam os setores que mais vale a pena observar.

Grandes descontos: tecnologia

As ações de tecnologia estão entre as mais desvalorizadas do momento. Desde 3 de janeiro, o índice Nasdaq, que reúne empresas desse setor, recuou aproximadamente 30%, com papéis de big techs como Apple (AAPL), Alphabet (GOOGL), Amazon (AMZN), Microsoft (MSFT) e Meta (META) registrando perdas acumuladas entre 25% e 50%.

“Há incerteza em relação à magnitude dos próximos aumentos de juros do Fed”, comenta Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos. “Por isso, as empresas que necessitam de capital intensivo, porque são muito focadas em crescimento, apresentam depreciação e riscos maiores.”

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Ainda assim, de maneira geral, os especialistas são otimistas em relação à recuperação a longo prazo das grandes empresas, especialmente aquelas que possuem produtos considerados inelásticos (ou seja, cuja demanda é pouco impactada por choques econômicos), como é o caso do iPhone, da Apple.

O ponto de cautela fica principalmente com as empresas que prosperaram durante a pandemia, mas cujo modelo de negócio se mostrou pouco sustentável com o fim do isolamento social. Esse é o caso do Zoom (ZM), que recuou 41%, e da Peloton (PTON), que caiu 72%.

Potencial de recuperação: bancos e setor imobiliário

Os bancos também ganharam bons descontos por conta das incertezas sobre o aumento de juros nos Estados Unidos – algo que pode parecer contraditório, já que essas instituições são algumas das poucas que se beneficiam do crédito mais caro. Porém, as perdas são motivadas pela perspectiva de que os malefícios superarão os benefícios.

Enquanto os aumentos de juros têm como objetivo domar a inflação elevada, há cada vez mais temores de que essa política contracionista possa levar a uma recessão. Se esse cenário se concretizar, o setor financeiro não passará imune.

O índice S&P 500 Financials recuou cerca de 20% desde o início do ano e empresas como JPMorgan (JPM), Bank of America (BAC) e Goldman Sachs (GS) cederam entre 24% e 28% no acumulado do ano. Embora mais quedas sejam esperadas no curto prazo, especialistas avaliam que elas deverão retomar suas médias históricas no longo prazo.

Outra oportunidade de investimento é no setor imobiliário, que apesar de também ser prejudicado pelo aumento dos juros, apresentou uma melhora que ainda não foi refletida nos preços. O índice FNAR, que mede o desempenho dos fundos imobiliários norte-americanos (REITs), despencou cerca de 23% desde o início do ano.

“O setor imobiliário teve, de forma geral, redução na vacância e aumento de arrecadação nos aluguéis durante 2021 e no primeiro trimestre de 2022”, explica Caio Braz, sócio da Urca Capital Partners. “A queda não reflete a melhora no setor.”

Proteção: é complicado

“Nas últimas semanas, a queda foi sistêmica e não houve um setor claramente defensivo”, diz Braz. Ele acrescenta que o setor mais resiliente tem sido o de energia, devido às altas nos preços do petróleo – o índice S&P 500 Energy, por exemplo, subiu 50% no acumulado do ano.

Outros setores que historicamente são mais defensivos incluem utilidades, saúde e alimentação. Porém, como comenta Braz, se o cenário de recessão se concretizar, a tendência é que todos entrem em ritmo de baixa.

Por isso, ele recomenda focar investimentos a longo prazo e evitar alguns segmentos mais vulneráveis: “Criptomoedas e small caps devem ser os setores mais lentos em uma eventual recuperação. Pode até haver empresas ou moedas que não se recuperem no futuro.”

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