Captação no mercado de capitais cai 12% no 1º semestre

Queda foi puxada pela renda variável, que recuou 75%; já a renda fixa teve aumento de 25%

Naty Falla
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Duas notas de 100 reais e uma de cinco aparecem em frente a um gráfico
GETTY IMAGES

Do total de R$ 233 bilhões, R$ 19 bilhões foram destinados à renda variável

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O mercado de capitais captou R$ 233 bilhões no primeiro semestre deste ano, uma queda de 12,1% em comparação com o mesmo período de 2021 – quando bateu recorde de R$ 596 bilhões, mostram dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

Do total, R$ 202 bilhões foram destinados à renda fixa, que apresentou alta de 25% nos primeiros seis meses do ano. Do lado oposto, os investimentos em renda variável caíram 75,1%, com captação de R$ 19 bilhões. A entidade informou que o levantamento não incluiu os dados da oferta da Eletrobras (ELET3; ELET6), que segue em andamento. Quando concluída, é esperado um acréscimo de R$ 33,7 bilhões. 

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“A renda fixa superou a queda que veio da renda variável, reflexo da alta de juros. Já a renda variável tem sofrido com a falta de IPOs, que foram paralisados devido a um cenário conturbado e de descontos em ações”, diz José Laloni, vice-presidente da Anbima, em entrevista coletiva ontem (7).

Segundo o executivo, os números retratam a maior volatilidade dos mercados internacionais e a aversão a risco. “Estamos passando por um fenômeno global. Aqui no Brasil, por exemplo, as taxas de juros foram de 2% para os atuais 13,25%, inibindo a decisão das empresas de abrirem capital e movimentarem o índice. Além disso, os fundos foram afetados pela queda dos preços das ações”.

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No segundo semestre, no entanto, o cenário pode ser diferente. “A Bolsa está em um patamar atraente, com empresas descontadas, e, com isso, o mercado tende a voltar à ‘normalidade’ conforme os fundamentos forem melhorando”, complementa Laloni. 

Debêntures são destaques na renda fixa

As debêntures, títulos emitidos por companhias que buscam recursos financeiros para realizar investimentos, tiveram um avanço de 35% nas captações, com um volume de R$ 133,8 bilhões. O setor de energia elétrica lidera as emissões com R$ 33 bilhões.

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Com prazo médio de seis anos, 36,7% dos recursos foram destinados ao aumento e reforço de capital de giro. “Há cinco anos era difícil ver uma operação de R$ 1 bilhão, os investidores eram limitados pelas burocracias. Hoje o cenário mudou e é possível financiar qualquer tamanho de investimento em infraestrutura e funcionamento das empresas de forma mais simples”, explica Cristiano Cury, vice-coordenador da Comissão de Renda Fixa da Associação.

Os principais subscritores foram bancos coordenadores de ofertas e demais participantes, que responderam por 32,4% do montante. Em seguida, os fundos de investimentos representaram 31%, e as pessoas físicas, 28,9%. 

Outro destaque positivo na renda fixa foi para o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), títulos ligados ao financiamento de projetos do setor agrícola. Com aumento de 53,9% em relação ao semestre anterior, Cury explica que a alta é reflexo de um país competitivo no agronegócio.

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