Dólar vai abaixo de R$ 5,20 após queda do PIB dos EUA

Contração reduziu as apostas de investidores sobre os próximos aumentos de juros pelo Fed

Reuters
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Lee Jae-Won/Reuters
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Às 10:16 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,00%, a R$ 5,1966  na venda

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O dólar devolveu ganhos iniciais e passava a cair acentuadamente hoje (28), indo abaixo da marca de R$ 5,20 pela primeira vez em quase um mês, depois que uma contração inesperada na economia dos Estados Unidos reduziu as apostas de investidores sobre os próximos aumentos de juros pelo banco central norte-americano, o Federal Reserve.

Às 10:16 (de Brasília), o dólar à vista recuava 1,00%, a R$ 5,1966  na venda, rondando os menores níveis do dia e seus patamares intradiários mais baixos desde o dia 30 de junho passado, depois de mais cedo ter chegado a subir 0,49%, a R$ 5,2750.

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Na B3, às 10:16 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,94%, a R$ 5,1980.

A reversão dos ganhos do dólar no mercado doméstico veio em linha com arrefecimento do índice da moeda norte-americana frente a uma cesta de rivais fortes , que, depois de ter chegado a subir quase 0,60% mais cedo, ganhava apenas 0,10% por volta de 10h (de Brasília).

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Esse movimento se seguiu à leitura preliminar do Departamento de Comércio dos EUA para o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre, que, segundo os dados, caiu a taxa anualizada de 0,9%, contra expectativa em pesquisa da Reuters de expansão de 0,5%. A economia norte-americana já havia mostrado contração a ritmo de 1,6% no período de janeiro a março deste ano.

A leitura pode alimentar temores do mercado financeiro de que a maior economia já esteja numa recessão, já que dois declínios trimestrais consecutivos no PIB atendem à definição padrão desse evento econômico. No entanto, o escritório nacional de estatísticas dos EUA, árbitro oficial das recessões no país, também leva em consideração outros indicadores, como emprego e renda –que atualmente estão em níveis considerados saudáveis.

A contração econômica dos EUA no segundo trimestre “pode abrir espaço a um movimento mais comedido de juros pelo Fed, então pode se resumir como ‘bad news, good news’ (notícia ruim é notícia boa, em português) para uma parcela do mercado”, comentou Jason Vieira, economista-chefe da Infinit Asset.

Um aperto monetário menos intenso por parte do Federal Reserve, que já aumentou os juros em 2,25 pontos percentuais desde março deste ano, poderia se mostrar um obstáculo para a valorização global do dólar, que geralmente é impulsionado quando os retornos da dívida soberana dos EUA aumentam.

Contratos futuros vinculados à taxa básica do Fed passaram a precificar quase 80% de probabilidade de um aumento de 0,50 ponto percentual nos juros no próximo encontro de política monetária do banco central, em setembro, na esteira da leitura do PIB do segundo trimestre. Para o mercado, as chances de manutenção do ritmo de aperto de 0,75 ponto adotado nas últimas duas reuniões agora são de apenas 22%.

Na véspera, a moeda norte-americana caiu 1,92%, a R$ 5,2493, menor patamar desde 30 de junho (R$ 5,2311).

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