Euro chega ao valor de US$ 1 pela primeira vez em 20 anos

Depreciação da moeda única europeia se agravou com o corte de abastecimento de gás russo aos países do bloco.

Redação
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REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

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Pela primeira vez em duas décadas, o euro alcançou a paridade com o dólar. Hoje (12), a moeda única da União Europeia chegou à cotação de US$ 1,0011 por euro, em Londres, o que coloca as duas moedas no mesmo patamar de valor.

Desde 2002, o euro sempre se manteve entre 10% a 30% acima do valor do dólar. Em 2008, a moeda europeia alcançou o seu pico ao valer US$ 1,6 por euro e desde então operava entre perdas e ganhos, mas acima de US$ 1,00.

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A desvalorização do euro frente à moeda norte-americana se acentua desde junho do ano passado, quando a divisa europeia era negociada em torno de US$ 1,2. As preocupações com uma crise de energia e com a escalada da inflação colocam o bloco econômico em vias de enfrentar uma recessão.

Esses temores se acentuaram ontem, quando a Rússia fechou o gasoduto Nord Stream 1 – a maior infraestrutura de importação de gás da União Europeia – para uma manutenção anual.

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Apesar de a parada ser programada, a interrupção do fluxo aumentou os temores em relação ao fornecimento de gás aos países europeus que já enfrentam dificuldades devido à guerra da Rússia com a Ucrânia e às sanções contra o país de Vladimir Putin.

Em meio aos riscos de recessão econômica no bloco, investidores privilegiam o dólar frente ao euro como investimento mais seguro, visto que a moeda norte-americana é considerada uma moeda de proteção.

O mercado repercute as diferentes expectativas de política monetária no bloco europeu e nos Estados Unidos. Enquanto nos EUA o Federal Reserve já iniciou o seu aperto monetário com o aumento dos juros, o BCE (Banco Central Europeu) mantém a prerrogativa de uma uma política mais gradual.

Segundo os membros do BCE, é necessário cautela para o aumento dos juros não colidir com os efeitos diretos da guerra na Ucrânia, visto que o aumento da inflação já chegou a patamares recordes e a crise da energia se agrava. O banco central tenta evitar a recessão por meio de subidas mais moderadas nos juros.

O BCE anunciou que na reunião ao final deste mês, o aumento previsto é de 0,25 pontos percentuais, com a possibilidade de um avanço maior no encontro de setembro.

Em paralelo, o Fed já elevou os juros americanos para 1,50 e 1,75% ao ano, isso também torna o investimento em títulos americanos mais atraentes para o mercado internacional, o que também reforça o dólar estar mais forte frente ao euro.

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