Ibovespa fecha em queda sob peso de petroleiras, mas chega aos 98 mil pontos

Dólar registrou mais um pregão de alta e encerrou o dia negociado a R$ 5,3893, maior valor desde janeiro.

Redação
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Depois de encostar em uma mínima de 96,5 mil pontos, o Ibovespa reverteu parte das perdas do dia e conseguiu fechar com queda 0,32%, a 98.295 pontos. A Bolsa brasileira acompanhou o ritmo das bolsas de Wall Street em mais um dia de temores com a recessão no país norte-americano e na Europa.

O destaque ficou para a cotação do petróleo, que caiu quase 10%. Os preços da commodity recuaram cerca de US$ 10,00 hoje (5) com as preocupações do mercado com uma possível recessão global.

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A desaceleração econômica resultaria na redução da demanda – que atualmente está maior do que a oferta, devido às sanções ao petróleo russo e um corte inesperado na produção da Noruega.

“O mercado está ficando apertado, mas ainda estamos sendo derrotados, e a única maneira de explicar isso é o medo da recessão em todos os ativos de risco”, disse Robert Yawger, diretor de futuros de energia da Mizuho, à Reuters.

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No final da sessão, o petróleo Brent caiu 9,45%, a US$ 102,77 o barril, enquanto a cotação do barril WTI recuou 8,23%, a US$ 99,5. Outras commodities agrícolas como milho, trigo, soja, algodão, café e açúcar também registram perdas.

No Ibovespa, a pressão dessa queda foi sentida pelas petroleiras. Elas foram as empresas que registraram as maiores quedas do dia, com a 3R Petroleum (RRRP3) levando a primeira posição após perder 7,44% e fechar a R$ 33,58.

Em seguida vieram PetroRio (PRIO3), com queda de 7,11%, a R$ 21,17, e Petrobras, com recuos de 4,27% nas ações PETR3 e 3,81% nas ações PETR4, negociadas a R$ 30,49 e R$ 28,03, respectivamente.

Já na ponta de ganhos, o dia foi de reajuste no preço das ações das principais varejistas do Ibovespa, que são as empresas mais penalizadas no atual cenário de alta dos juros e da inflação.

Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3), Americanas (AMER3) e Petz (PETZ3) registraram os maiores ganhos, de 11,74%, 11,48%, 9,73% e 8,65%, respectivamente.

“São papéis que estavam extremamente descontados e passam hoje por processo de repique. Na minha visão, o mercado entende que, com a queda abrupta do petróleo e das commodities, é de se esperar uma queda da inflação e, consequentemente, um alívio em relação às expectativas de o BC continuar subindo os juros. Mais renda disponível favorece o setor de varejo”, analisa Leandro Petrokas, diretor de research e sócio da Quantzed.

Investidores também acompanham o encaminhamento da PEC dos Auxílios na Câmara dos Deputados. Depois de o relator da proposta, deputado Danilo Forte (União-CE), sugerir ontem (4) que gostaria de incluir um auxílio-uber de R$ 1 mil ao texto, hoje o parlamentar voltou atrás e disse que seguirá com o relatório aprovado pelos senadores.

A precificação do risco fiscal da PEC tem sido sentida nas negociações de juros futuros nos últimos dias. As taxas que chegaram a subir mais de 0,20 p.p. com a possibilidade de mais gastos públicos devolveram os ganhos depois do relator voltar atrás. Ao final da sessão, os títulos de dez anos caíram de 2,8922% para 2,8254%, em 0,067 p.p..

Em Nova York, as bolsas de Wall Street fecharam com tendência variada na volta do feriado. O Dow Jones caiu 0,42%, o S&P fechou em alta de 0,16% e o Nasdaq registrou fortes ganhos, de +1,75%.

O mercado aguarda a divulgação da ata do último encontro do comitê de política monetária do país amanhã (6), que deve sinalizar as principais ponderações do banco central (Federal Reserve) para a elevação dos juros. O presidente do Fed, Jerome Powell, já indicou que o foco do banco é reduzir a inflação, mesmo que isso resulte na desaceleração da economia norte-americana.

Os cenários de risco global e interno têm colocado a variação do dólar comercial lá para cima. Hoje, a moeda subiu 1,19%, sendo negociada a R$ 5,3893 na venda – maior valor desde janeiro.

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