Ibovespa perde os 100 mil pontos às vésperas do Fed decidir juros nos EUA

A Bolsa brasileira começou o dia em alta, impulsionada pelas ações de commodities. Mas o mau humor de Wall Street puxou o Ibovespa de volta.

Redação
Compartilhe esta publicação:

Acessibilidade


Não durou nem um dia a comemoração da volta do Ibovespa aos 100 mil pontos. Depois de encostar em uma máxima de 100.75 pontos (+0,48%), a Bolsa brasileira virou para o campo negativo com as ações de commodities perdendo o fôlego e Wall Street no vermelho às vésperas da decisão dos juros. O recuo foi de 0,50% ao final do pregão, a 99.771 pontos.

Mais cedo, o principal índice de ações da B3 operava em alta, ancorado por Petrobras (PETR3 e PETR4) e Vale (VALE3), que subiam na esteira de suas matérias-primas.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

Na agenda de indicadores do Brasil, nesta terça (26) o IBGE divulgou o IPCA-15, uma prévia da inflação, que mostrou uma desaceleração no aumento dos preços em julho. A alta do período foi de 0,13% – menor variação desde junho de 2020 –, o que fez a taxa em 12 meses voltar ao patamar de 11%.

Segundo Marcus Labarthe, sócio-fundador da GT Capital Investimentos, o recuo nos dados de inflação deve levar o Copom (comitê de política monetária do Banco Central) a subir juros novamente no encontro da próxima semana, na tentativa de segurar o aumento dos preços.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Em Wall Street, os investidores também estão de olho na pauta de juros. Hoje, o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) iniciou um encontro para discutir a política monetária dos EUA.

Já está precificado um aumento de 0,75% na taxa básica de juros do país, conforme sinalizado na última reunião e por membros do comitê ao longo do mês. Com isso, os juros norte-americanos chegam à faixa de 2,25% a 2,5%.

Com temporada de balanços no radar e expectativa pelo anúncio do Fed, as bolsas em Nova York operaram no vermelho e fecharam em queda. O Dow Jones recuou 0,72%, a 31.760 pontos; o S&P 500 perdeu 1,16%, a 3.920 pontos; e o Nasdaq caiu 1,87%, a 11.562 pontos.

O destaque do dia ficou para a queda nas ações do Walmart, depois que o varejista reduziu a sua projeção de lucro para o ano. De uma projeção de queda de 1%, o Walmart reviu as estimativas para recuos de 11% a 13% no lucro em 12 meses. Excluindo os desinvestimentos, o lucro por ação do ano fiscal deve cair de 10% a 12%, disse a empresa.

Antes da queda estimada para o lucro, as próprias ações do Walmart caíram 10% durante o pregão. O movimento de venda dos papéis movimentou US$ 36 bilhões.

Por aqui, depois que a Petrobras desacelerou seus ganhos da manhã e a Vale virou para o campo negativo, o Ibovespa não conseguiu sustentar os 100 mil pontos.

A Bolsa virou para o negativo, puxada pelas varejistas. Labarthe indica que o movimento no Ibovespa está relacionado aos sinais negativos do Walmart nos EUA.

“A gente entende que o apetite no consumo tende a diminuir no mercado norte-americano. Isso foi responsável por fazer os setores de varejo internacional também começarem a perder mais força, influenciado pelo mau humor que o Walmart trouxe para o mercado”, diz Labarthe.

Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) foram as mais impactadas, com perdas de 6,45%, 6,35% e 4,88%.

Na ponta de ganhos, Petrobras saiu à frente, com altas de 1,44% nas ações ON e 1,01% nas ações PN. Mas foi a JBS (JBSS3) que liderou o ranking, com avanço de 2,97%.

O dólar operou entre perdas e ganhos ao longo do dia, ora acompanhando o exterior, ora com predomínio de realização de lucros. Ao final do pregão, a moeda registrou queda de 0,38%, a R$ 5,3492.

>> Inscreva-se ou indique alguém para a seleção Under 30 de 2022

Compartilhe esta publicação: