IPCA acelera alta a 0,67% em junho sob peso de alimentos e planos de saúde

Inflação acumulada em 12 meses foi a 11,89%, quase duas vezes e meia o teto da meta oficial para este ano

Reuters
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Ricardo Moraes/Reuters
Ricardo Moraes/Reuters

No IPCA de junho, o grupo de alimentos teve uma alta de preços de 0,80%

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Os alimentos e o reajuste dos planos de saúde fizeram com que a inflação nacional voltasse a acelerar em junho, embora o IPCA ainda permaneça abaixo de 12% no acumulado em 12 meses.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou a alta a 0,67% em junho, de 0,47% em maio, depois de dois meses seguidos de alívio na pressão.

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A expectativa em pesquisa da Reuters para o dado divulgado hoje (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) era uma de alta de 0,70%.

Com isso, o IPCA acumulado em 12 meses foi a 11,89%, depois de ter ficado em 11,73% no mês anterior e contra projeção de 11,90%.

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O resultado representa quase duas vezes e meia o teto da meta oficial para a inflação este ano, que é de 3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos – já abandonada pelo Banco Central.

Com a inflação no Brasil não apenas alta como também bastante disseminada, o BC elevou a taxa básica de juros Selic em 0,5 ponto percentual, a 13,25% ao ano, e disse que antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na reunião de agosto, em movimento que busca esfriar a atividade e a demanda.

Em junho, os preços do grupo Alimentação e bebidas, que tem grande peso no índice geral e no bolso dos consumidores, subiram 0,80%, acelerando ante taxa de 0,48% no mês anterior.

“O resultado foi influenciado pelo aumento nos preços dos alimentos para consumo fora do domicílio (1,26%), com destaque para a refeição (0,95%) e o lanche (2,21%)”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

“Assim como outros serviços que tiveram a demanda reprimida na pandemia, há também uma retomada na busca pela refeição fora de casa. Isso é refletido nos preços”, completou.

Já os preços dos planos de saúde saltaram 2,99% em junho depois ter sido autorizado reajuste de até 15,5% em seus valores, exercendo o maior impacto individual no IPCA do mês.

Isso levou o grupo Saúde e cuidados pessoais a acelerar a alta a 1,24% em junho, de 1,01% em maio.

Por sua vez, os custos de Transportes, grupo de maior peso no índice geral, desaceleraram o avanço a 0,57% em junho, ante 1,34% no mês anterior, diante da queda de 1,20% nos combustíveis.

Os preços da gasolina caíram 0,72%, enquanto os do etanol recuaram 6,41% e os do óleo diesel subiram 3,82%.

“No primeiro trimestre do ano, o destaque foi a alta dos produtos alimentícios. Em março e abril, houve o aumento nos preços da gasolina e também dos produtos farmacêuticos. Nesse segundo trimestre, observamos a redução do patamar do índice geral, que estava acima de 1%”, resumiu Kislanov.

Apesar do nível elevado, a inflação no Brasil pode já ter chegado ao pico, de acordo com o presidente do BC, Roberto Campos Neto. Ele afirmou na semana passada que o pior momento da inflação no Brasil já passou e que o país está muito perto de finalizar todo o trabalho de elevação de juros para domar a alta de preços.

Um ponto que pode ajudar a conter a alta dos preços, embora os efeitos não sejam duradouros, é a lei que estabelece um teto para as alíquotas de ICMS sobre os setores de combustíveis, gás, energia, comunicações e transporte coletivo.

As mais recentes projeções do BC apontam para um IPCA de 8,8% ao final deste ano e de 4,0% em 2023, com a autoridade monetária já sinalizando que tentará levar a inflação a um patamar em torno da meta, não exatamente em cima do alvo.

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