Biden promove etanol para reduzir preço da gasolina

Ao pautarem um enorme proalcool em seu país para diminuírem o preço da gasolina, os americanos também baixam o nível da poluição em suas estradas e cidades

Mario Garnero
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Krisanapong Detraphiphat/Getty Images
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Biden tem promovido o etanol como combustível

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Quando assinei, como presidente da Anfavea, em nome da indústria automobilística, o compromisso de lançar o carro a álcool e chegarmos logo a um milhão de veículos, eu tinha, com o presidente da CNI, obtido o aval da indústria sucroalcooleira, dos revendedores na Abrave e, certamente, do governo brasileiro. Todos ainda com as incertezas naturais de um salto para o futuro, mas uma convicção íntima de que o Brasil estava se tornando o pioneiro mundial na produção e na utilização de uma energia renovável em uma área essencial da vida humana nas cidades e nos campos.

Coincidentemente, os Estados Unidos sofrendo uma crise enorme por seus produtores de milho não encontrarem mercado para suas produções, buscava o caminho do etanol para um uso mais econômico e rápido dos estoques acumulados. Fui fazer um depoimento no senado americano a convite do senador astronauta John Glenn. O Congresso e o executivo americanos instituíram um programa do álcool de milho para uso como combustível no país. E a base da argumentação foi o incipiente, mas sólido, progresso alcançado pelo Brasil desde o proalcool instituído em 1975.

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Com grande prazer, destaco o anúncio oficial feito pelo presidente Biden que reproduzo no original neste artigo.

Ao pautarem um enorme proalcool em seu país para diminuírem o preço da gasolina, os americanos também baixam o nível da poluição em suas estradas e cidades. A universidade de Berkeley, na Califórnia, desenvolveu um estudo sobre os efeitos do etanol em cidades brasileiras. O resultado, só em São Paulo, no período de 5 anos, foi uma redução de mais de 40% da poluição atmosférica.

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Temos aí uma grande oportunidade para agroindústria: suprir gigantescos números na produção de etanol no Brasil e para exportação como commodity em que está se transformando. O grupo Volkswagen, por exemplo, pelos esforços do seu presidente na América Latina, Pablo Di Si, adotou o etanol como combustível de escolha para todo o projeto de carros híbridos no Brasil e em suas filiais. A Nissan também adotou a linha dos híbridos com base no etanol.

Na área da produção física do etanol, existem novos sistemas de cultivo e o projeto da Embrapa de plantio da cana por mudas físicas, que prometem acréscimos de cerca de 15% da produção anual. Lembro-me que, ao lançarmos o carro a álcool, em todos os debates colocavam se o Brasil não seria transformado em um grande canavial e faltariam alimentos por consequência. Produzíamos 6 milhões de toneladas de grãos e 3 milhões de metros cúbicos de etanol. Hoje são quase 300 milhões de grãos, hortaliças, vinhos, frutas, azeite, etc e chegaremos a 30 bilhões de metros cúbicos de etanol como um passo à meta de 60 bilhões. O que se espera do maior produtor mundial de gasolina verde.

Mario Garnero é fundador e presidente honorário do Fórum das Américas, fundador e presidente da Associação das Nações Unidas-Brasil e fundador do Grupo Brasilinvest. Anteriormente, foi presidente do CNI (Confederação Nacional da Indústria) e da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e diretor da VW do Brasil e da Monteiro Aranha.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Artigo publicado na edição 97 da revista Forbes, em maio de 2022.

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