Os EUA já estão em recessão? Indicador do Fed aponta que sim

GDPNow usa metodologia semelhante a estimativas oficiais do Bureau of Economic Analysis

Jonathan Ponciano
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Imagem mostra gráfico vermelho, apontando quedas
GETTY IMAGES

Após dados fracos de gastos para maio, o Bank of America cortou sua previsão de crescimento econômico para zero.

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Um indicador econômico dos Estados Unidos com bom histórico na previsão de recessões reduziu nesta semana a previsão para o crescimento do PIB (produto interno bruto) norte-americano no segundo trimestre, sugerindo que o país caiu em uma recessão técnica, apesar de os economistas pedirem um crescimento no trimestre.

O GDPNow do Federal Reserve de Atlanta projetou que a economia dos EUA encolheu 1% no período, entrando em um território negativo após dados econômicos apontarem queda nos gastos do consumidor em maio. Os investimentos, outro componente para o crescimento do PIB, também caíram.

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O GDPNow, que estima o crescimento do PIB usando uma metodologia semelhante a estimativas oficiais do Bureau of Economic Analysis, vem reduzindo constantemente a previsão para o segundo trimestre, com base em dados econômicos atualizados que aumentaram as preocupações de uma desaceleração econômica prolongada.

No primeiro trimestre, a economia norte-americana surpreendeu e encolheu 1,6%, quando a variante Ômicron alimentou um aumento recorde nos casos de Covid. Outro trimestre negativo indicaria que o país entrou em uma recessão técnica, que é definida quando há dois trimestres consecutivos de crescimento negativo do PIB.

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“O histórico de longo prazo do modelo é excelente”, escreveram os analistas da DataTrek em uma nota divulgada na última quinta-feira (30), apontando que seu erro médio foi de apenas 0,3 ponto desde que o Fed de Atlanta começou a divulgá-lo, em 2011 – mas foi zero até 2019, antes da volatilidade sem precedentes causada pela pandemia.

Com uma margem de erro de 1,2 pontos um mês antes da primeira estimativa do PIB do governo, o modelo ainda pode prever um crescimento positivo para o trimestre, de acordo com os especialistas Nicholas Colas e Jessica Rabe, da DataTrek. Eles mencionam também que será “importante observar” o indicador, já que sua capacidade preditiva melhora com o tempo.

A maioria dos economistas prevê um retorno do crescimento, com projeções médias indicando que o PIB aumentará mais de 3% no último trimestre, mas muitos se tornaram cada vez mais pessimistas nas últimas semanas. Ethan Harris, do Bank of America, rebaixou para zero a previsão para crescimento após os dados fracos de gastos para maio.

Em 28 de julho, o Bureau of Economic Analysis divulgará sua primeira estimativa de crescimento – ou queda – do PIB no segundo trimestre, mas só revelará uma estimativa final em setembro.

Ajustados pela inflação, os gastos do consumidor caíram pela primeira vez este ano em maio. O declínio, pior do que o esperado, fez com que uma segunda queda consecutiva trimestral no PIB seja “muito mais provável”, de acordo com o economista-chefe da Pantheon Macro, Ian Shepherdson, que prevê que o indicador cairá 0,5% no segundo trimestre.

O especialista, no entanto, observa que o National Bureau of Economic Research (NBER)– cujas declarações são aceitas pelo governo – “muito provavelmente não declarará recessão”, a menos que dados do mercado de trabalho, que continua sendo um dos pilares mais fortes da economia, comecem a cair também.

O NBER define vagamente uma recessão como “um declínio significativo na atividade econômica que se espalha pela economia e dura mais do que alguns meses”.

Apesar da crescente baixa, muitos economistas não estão convencidos de que os EUA entrarão em recessão – pelo menos não em breve. Em uma nota de pesquisa no início da semana, analistas do S&P Global Ratings disseram que a economia tem impulso suficiente para evitar uma recessão em 2022, mas alertaram que “o que está por vir no próximo ano é a maior preocupação”.

Os economistas acreditam que há 40% de chances para uma recessão acontecer em 2023. Uma semana antes, o banco Morgan Stanley as colocou em 35%.

Alimentada pelos estímulos do governo e pela guerra na Ucrânia, a inflação alta levou o Fed a embarcar no ciclo de aperto econômico mais agressivo em décadas – deixando os mercados em colapso e provocando temores de recessão.

“As pessoas estão realmente sofrendo com a alta inflação”, disse o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, na semana passada.

Powell afirmou que continua sendo “absolutamente essencial” que o Fed restaure a estabilidade de preços, antes de reconhecer que seria “muito desafiador” evitar uma recessão ao fazer isso.

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