Previdência privada: entenda esse investimento de longo prazo

Apesar de ser conhecido como uma aplicação para aposentadoria, previdência também pode ser usada para construir ou aumentar patrimônio no futuro

Naty Falla
Compartilhe esta publicação:

Pixabay

Acessibilidade


Comprar a casa própria, realizar uma viagem, garantir a faculdade dos filhos ou a aposentadoria. A previdência privada é uma opção para quem deseja realizar um investimento a longo prazo, com a opção de convertê-la em renda na hora do resgate — e, por isso, ela é famosa entre quem deseja uma aposentadoria tranquila.

Nesse último caso, ela pode ser utilizada juntamente com a previdência social, do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), aumentando o rendimento e a qualidade de vida do aposentado. Além da renda mensal, o recurso acumulado também pode ser resgatado em sua totalidade, dependendo do plano escolhido.

Acompanhe em primeira mão o conteúdo do Forbes Money no Telegram

“Esse investimento proporciona uma forma de poupar e rentabilizar o recurso no período de acumulação. O investidor pode optar por um plano de previdência não só com o objetivo de se aposentar, mas também em outros casos de alocações para o longo prazo”, explica Rodolfo Rehme, planejador financeiro e especialista em investimentos da Warren.

O “longo prazo” é uma tecla batida pelos especialistas quando o assunto é previdência privada. Isso porque, caso o investidor tenha planos para utilizar o recurso rapidamente ou queira o utilizar como uma reserva de emergência, essa aplicação não é uma escolha vantajosa.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

“Quanto antes planejar a previdência, melhor. É preciso pensar nas vantagens que o investimento traz, como, por exemplo, não ter come-cotas [recolhimento periódico de imposto de renda sobre os rendimentos]”, exemplifica Helen Vogt, líder de alocação em previdência da Blue3.

A especialista explica que quanto mais cedo a pessoa começar a investir em um plano de previdência privada, mais capital acumulado terá no futuro, além dos benefícios tributários.

Etapas ao contratar a previdência

Existem dois tipos de previdências complementares: a fechada e a aberta. A fechada é constituída por uma empresa que oferece o benefício aos seus colaboradores. Já a aberta é comercializada por corretoras e bancos.

Nesse último caso, Rehme explica que, ao decidir contratar o plano de previdência privada, o investidor terá que passar por três etapas:

1) Escolha da modalidade: PGBL ou VGBL?

No primeiro momento, deve-se escolher a modalidade, entre o PGBL (plano gerador de benefício livre) e o VGBL (vida gerador de benefício livre).

O primeiro é visto como seguro de pessoa e o segundo, como um plano de previdência complementar. No entanto, a maior diferença entre os dois está na tributação.

  • Imposto de renda de PGBL

Essa modalidade é indicada para quem faz a declaração do Imposto de Renda de forma completa. Ou seja, quando o investidor tem mais custos do que o normal para declarar como despesa, como, por exemplo, dependentes, despesas médicas e de educação, além de também contribuir para o INSS.

“O PGBL traz benefícios fiscais na declaração do IR, com a possibilidade de deduzir até 12% da renda tributável anual. No entanto, não significa que ele é isento do imposto de renda. Neste plano, o tributo é calculado sobre o montante total na hora do resgate ou da conversão em renda”, pontua o especialista.

  • Imposto de renda de VGBL

Esse tipo é sugerido para quem realiza a declaração do Imposto de Renda de forma simplificada. A grande diferença dessa modalidade é que a tributação é apenas sobre os rendimentos e a cobrança do imposto ocorre ao fim do período de aplicação.

Diferentemente do PGBL, o VGBL traz a possibilidade de o investidor ter benefícios fiscais mesmo se aportar mais do que o limite de 12% da renda anual.

“É importante frisar que não existe uma melhor opção entre eles. Antes de escolher, é preciso analisar qual se adequa melhor ao planejamento financeiro, tributário e patrimonial da pessoa”, explica Rehme.

2) Escolha do regime de tributação

Na segunda etapa do processo de contratação, é hora de decidir o tipo de tributação do plano, podendo ser regressiva ou progressiva.

Rehme pontua que a tabela regressiva leva em conta o tempo da aplicação e tem alíquota inicial de 35%, podendo chegar a 10% após dez anos da aplicação. Por isso, ela é mais indicada para que planeja investir na previdência por um período maior que esse prazo.

Já a tabela progressiva é sugerida para o investidor que realizará o resgate em um prazo inferior a 10 anos ou em parcelas, pois a alíquota pode chegar a 27,5%.

Vogt, da Blue3, diz que esse modelo não leva em conta o tempo, sendo exatamente igual à tabela do imposto de renda para pessoa física utilizado pela Receita Federal.

“Ela entra como uma renda bruta anual tributável do investidor e será tributado no momento do resgate da previdência. Enquanto ela só está portando os valores, não tem tributação nenhuma. Na maior parte dos casos, a tributação regressiva será mais vantajosa”, ressalta a especialista.

3) Escolha do tipo de fundo

A terceira etapa é a escolha do fundo de investimento que irá rentabilizar o recurso aportado, que pode ser de renda variável, multimercado ou renda fixa.

“É importante que o fundo esteja bem alinhado com o perfil do investidor. Se a pessoa é conservadora, por exemplo, não adianta entrar em um fundo de ações, já que o mercado é volátil”, exemplifica Vogt.

Além disso, há a possibilidade de fazer a portabilidade do recurso em outro momento. Ou seja, o investidor tem a liberdade de efetuar a troca de ativos, ou de banco/corretora, sem sofrer penalidades – como precisar realizar o resgate ou perder o tempo de investimento decorrido na hora de pagar os impostos.

Taxas da previdência privada

É importante levar em consideração e prestar atenção em alguns detalhes que por vezes acabam passando despercebidos e podem prejudicar o investimento no plano de previdência, alerta Rehme. Alguns deles:

  • Taxa de administração: cobrada para remunerar a instituição responsável pela
    administração do fundo, ela é calculada sobre o valor total dos aportes e rendimentos.
  • Taxa de performance: incide sobre os rendimentos que excedam o benchmark definido (parâmetro utilizado como referência para avaliar a performance de um ativo) e serve para remunerar o bom desempenho do gestor.
  • Taxa de carregamento: cobrada sobre as movimentações realizadas. Engloba as taxas de entrada, de saída e de contratação de renda.
  • Taxa de entrada: menos comum atualmente, essa taxa é cobrada sobre o aporte na
    entrada do plano.
  • Taxa de saída: cobrança ocorre no momento de resgate ou portabilidade.

“É importante que o investidor se atente e verifique a existências dessas cobranças. Por exemplo, se já é efetuado o pagamento da taxa de administração, não tem porquê realizar a taxa de carregamento. Hoje em dia existem diversos bancos e corretoras que não praticam essa cobrança”, complementa Vogt, especialista em previdência privada da Blue3.

>> Inscreva-se ou indique alguém para a seleção Under 30 de 2022

Compartilhe esta publicação: