Yellen: economia dos EUA está desacelerando, mas emprego ainda é ponto forte

Durante coletiva de imprensa, a secretária do Tesouro dos EUA não descartou uma possível recessão, já que o Federal Reserve e o governo Biden se esforçam para tirar a inflação de máximas em 40 anos

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Jonathan Ernst/Reuters
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A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen

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A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, disse hoje (28) que uma contração da produção econômica norte-americana no segundo trimestre é um sinal de uma desaceleração inevitável e significativa, mas ainda há uma grande força na economia, especialmente no mercado de trabalho.

Durante uma coletiva de imprensa, Yellen não descartou uma possível recessão, já que o Federal Reserve e o governo Biden se esforçam para tirar a inflação de máximas em 40 anos. Mas ela se recusou a admitir que uma estava em andamento após dois trimestres de contração do PIB — definição mais direta e frequentemente utilizada por economistas, jornalistas e analistas de mercado.

Ela disse que a maioria dos norte-americanos define as recessões como semelhantes às que ocorreram no passado: “Perdas substanciais de empregos e demissões em massa, empresas fechando, atividades do setor privado diminuindo consideravelmente, orçamentos familiares sob imensa pressão… um enfraquecimento disseminado da nossa economia”, disse Yellen. “Isso não é o que estamos vendo agora.”

Seus comentários se somaram ao esforço conjunto do governo Biden contra discursos de recessão depois de o Departamento de Comércio informar que o PIB dos EUA encolheu 0,9% no segundo trimestre, depois de já ter retraído 1,6% nos três meses anteriores.

Inflação, não emprego

Ela disse que os economistas devem evitar uma “batalha semântica” sobre o estado da atividade, mas disse que a principal preocupação dos norte-americanos do lado da economia é a inflação e o aumento dos custos, não os empregos.

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“Acho que o desconforto que as famílias sentem não é por causa do mercado de trabalho. Os empregos estão prontamente disponíveis”, disse ela.

Mas o mercado de trabalho continua extremamente apertado e contribui para a inflação, disse ela, acrescentando que parte dessa pressão salarial de alta pode ser reduzida, mantendo o pleno emprego.

Ela disse que há alguns sinais de que outras pressões inflacionárias estão começando a retroceder, mas não está claro quanto tempo esse processo levará, incluindo a redução dos gargalos no setor automotivo e da cadeia de suprimentos que perseguem a economia há mais de um ano.

A chefe do Tesouro havia defendido no ano passado que a inflação seria “transitória”, recuando à medida que as interrupções na cadeia de suprimentos diminuíssem.

Mas a inflação se mostrou mais persistente — os preços ao consumidor subiram a um ritmo anual de 9,1% em junho –, e ela admitiu no fim de maio que estava “errada” sobre o caminho que a inflação tomaria.

Questionada se estava comprometida em permanecer no Tesouro até que a inflação e o crescimento se estabilizassem, Yellen disse: “Permanecerei neste cargo enquanto o presidente Biden achar que minhas contribuições são úteis. Servirei a seu prazer”.

Inflação de alimentos

Yellen disse que a contração do PIB no segundo trimestre se deve em grande parte às mudanças nos voláteis estoques de bens privados e à redução dos gastos do governo. Mas o crescimento dos gastos do consumidor, particularmente em serviços, foi encorajador.

“Este relatório indica uma economia que está em transição para o crescimento sustentável”, disse Yellen.

Mas o relatório do PIB mostrou que os gastos do consumidor no primeiro trimestre em alta de apenas 1% desaceleraram acentuadamente em relação ao ganho de 1,8% no período anterior. O investimento residencial despencou a uma taxa de 14% — o maior empecilho vindo do setor imobiliário para o PIB em 14 anos.

De fato, a inflação de alimentos foi um grande obstáculo para o PIB do segundo trimestre. Enquanto os gastos nominais com alimentos para consumo doméstico aumentaram US$ 5,9 bilhões (R$ 30,7 bilhões), o consumo “real” de alimentos pelos norte-americanos, ajustado pela inflação mais alta em quatro décadas, caiu US$ 33,5 bilhões (R$ 174,6 bilhões) em relação ao trimestre anterior, criando o maior fator de baixa à economia em quase meio século.

Reagindo aos dados, alguns economistas e analistas de mercado já começaram a declarar uma recessão “técnica”.

“Esses são números decepcionantes, obviamente, e o primeiro trimestre foi revisado para baixo”, disse Peter Cardillo, economista-chefe de mercado da Spartan Capital Securities, em Nova York. “O mercado está prevendo uma recessão. Do ponto de vista dos livros didáticos, esta é uma recessão leve.”

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