CEO da Goldman Sachs avalia momento econômico e pede cautela

"Não posso prever se haverá ou não uma recessão, mas sei que vamos superar isso", diz David Solomon

Maneet Ahuja
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GettyImages/MICHAEL KOVAC
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Solomon estima que a atividade dos mercados de capitais pode aumentar no final do segundo semestre deste ano ou no próximo ano

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Menos de um dia após o Goldman Sachs divulgar o balanço e os lucros do segundo trimestre, período em que o banco superou as expectativas de Wall Street com uma forte receita de negociação de títulos, o CEO David Solomon já tem sua atenção focada em outro assunto.

O gigante do setor bancário global levou sua missão de apoiar as pequenas empresas norte-americanas por meio de seu programa “10 mil Small Businesses” a Washington e convocou a maior reunião de líderes empresariais da história dos EUA. O Goldman Sachs pressiona o Congresso dos EUA por um apoio financeiro mais significativo ao setor, incluindo uma revisão da Administração de Pequenas Empresas dos EUA (SBA).

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“As pequenas empresas enfrentaram um desafio muito difícil durante a pandemia, e agora, ao sair [dela], estão sofrendo com a inflação”, diz Solomon.

Por meio da iniciativa, que conta com Warren Buffett, Michael Bloomberg e Mary Barra entre seus consultores, o Goldman Sachs forneceu treinamento e financiamento a mais de 12.800 empreendedores que geraram coletivamente US$ 17,3 bilhões em receita e empregaram mais de 250 mil trabalhadores desde o início do programa, em 2008.

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Agora, depois de enfrentar desafios econômicos sem precedentes nos últimos dois anos e meio devido à pandemia de Covid-19, 93% das empresas pesquisadas recentemente pelo Goldman acreditam que a economia dos EUA caminha para uma recessão, e 89% relatam que tendências econômicas mais amplas, incluindo a inflação, os desafios da cadeia de suprimentos e da força de trabalho, ainda estão cobrando seu preço.

Pequenos empregadores respondem por 64% dos novos empregos criados nos EUA, de acordo com a SBA, o que torna o cenário especialmente preocupante.

“Não é de surpreender que uma porcentagem tão alta desses empresários esteja preocupada com uma recessão”, diz Solomon, observando que, historicamente, ciclos de aperto acompanhados de inflação geralmente são seguidos por uma recessão.

Embora Solomon ainda não acredite que tal destino seja iminente – ele aponta as previsões do economista-chefe do banco nos EUA, Jan Hatzius, que estima que as chances de uma recessão nos próximos 12 meses sejam de cerca de 30% –, ele reconhece ao falar com líderes empresariais administrando grandes organizações corporativas que o sentimento é “um pouco maior” do que a visão interna da empresa.

O ambiente econômico em rápida mudança, juntamente com a guerra na Ucrânia e a redução do risco de ativos, afetou a atividade empresarial, diz Solomon, citando a atividade “anêmica” dos mercados de capitais durante o primeiro semestre do ano.

“O ano passado foi uma anomalia – dissemos isso quando estava acontecendo”, diz Solomon. “Mas este [ano] também é uma anomalia… do outro lado do espectro, a história me diz que houveram poucos períodos em que a atividade do mercado de capitais permaneceu anêmica por anos, certo? Porque as empresas têm que seguir em frente.”

Solomon estima que a atividade dos mercados de capitais pode aumentar no final do segundo semestre deste ano ou no próximo ano.

E embora os temores predominantes de uma crise econômica de curto prazo sejam grandes, 61% dos empresários pesquisados ainda permanecem otimistas sobre seus negócios e suas habilidades para expandi-los. “A economia dos EUA é bastante resiliente”, diz Solomon. “Não posso prever se haverá ou não uma recessão, mas sei que vamos superar isso.”

Sobre o posicionamento do banco ao aconselhar clientes e empresários no curto prazo, Solomon diz que disciplina é fundamental. “O importante é manter o foco no que você pode controlar… e certificar-se de que está alocando seus recursos em lugares onde eles realmente serão produtivos”, diz ele. “É hora de um pouco mais de cautela enquanto vemos se podemos ou não navegar com uma abordagem mais suave.”

Para o próprio Goldman Sachs, isso significará aumentar seu perfil de risco e reduzir o ritmo de contratação no curto prazo, algo que a empresa anunciou em sua teleconferência de resultados do segundo trimestre – mesmo enquanto se prepara para uma recuperação esperançosa à frente.

“Crescemos de forma muito significativa nos últimos anos e ainda tínhamos planos para contratações significativas na segunda metade deste ano”, explica Solomon.

“No próximo ano, vamos diminuir significativamente o ritmo de contratação, mas não teremos um congelamento. Ainda vamos aumentar nosso número de funcionários de maneira muito significativa este ano, e meu palpite é que o quadro crescerá novamente no próximo ano, mas em um ritmo mais lento”.

O conselho do CEO para empresas que navegam na incerteza atual continua sendo focar no longo prazo. “O truque nesse ambiente é que você sempre tem que ter uma visão de longo prazo e investir no seu negócio”, diz ele. Esperar a poeira baixar um pouco também não faz mal.

“É preciso ser um pouco cauteloso até termos mais certeza sobre a trajetória do ambiente econômico”, diz Solomon. “Então um pouco de cautela, eu acho, pode ajudar muito.”

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